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Santarém e o dever dos socialistas

Em Opinião

Como é genericamente reconhecido, o regime democrático é o que melhor reflete as opções e as escolhas de qualquer grupo de cidadãos ou povo. Dentro das democracias possíveis esta que nos rege é a representativa, o que deixa ainda algumas outras opções de organização democrática que poderão vir a ser experimentadas, como por exemplo a democracia direta, a participativa ou a dita popular. Mas falemos do que temos e das possibilidades de escolha que nos dá este regime democrático representativo, tal como ele é, aplicado aos municípios e, numa abordagem mais fina, referente a Santarém.

Desde 2007 que Santarém tem sido governado por executivos PSD, depois de 32 anos de gestão socialista, já cansada e com evidente défice de empatia e de interação com as populações locais.

Bastou entrar em jogo uma personalidade sem qualquer ligação ao concelho, mas reconhecida pelo seu mediatismo a nível nacional, para destronar o poder socialista. Não foi o pífio programa eleitoral dos ganhadores a razão da sua vitória. Confirmámos o que já se sabia, que o reconhecimento popular dos candidatos é o fator mais importante, para não dizer único, que influencia os votos num município.

Não são os programas eleitorais que determinam as votações.

Os programas eleitorais, raros são os eleitores que os conhecem e apenas influenciam o sentido de voto de uma minoria mais esclarecida. Mas voltemos ao tema que me fez escrever este desabafo e imputar ao Partido Socialista do burgo responsabilidades pelo triste estado a que chegou o concelho e pelo que se me afigura ser o seu futuro.

Numa democracia, o escrutínio e a apresentação de alternativas por parte de qualquer força política não é apenas um dever, é uma obrigação. Também dos partidos na oposição, por respeito ao regime democrático e a todos os eleitores que neles confiaram, com o seu apoio e voto. Entre eleições, os partidos na oposição devem fazer o escrutínio fino de todos os atos dos que ganharam e exercem o poder, principalmente das decisões que tenham a ver com a vida das populações, assim como propor alternativas, ou melhorias. Só assim ganharão o respeito e a confiança dos potenciais eleitores.

Ora, em Santarém, o único partido que pode ambicionar voltar ao poder, é o PS. Mas onde é que esteve esse partido, dito alternativo, durante estes últimos treze anos de malfeitorias feitas no nosso concelho pelos executivos do PSD?

Para além de algumas pífias tomadas de posição sobre temas de política geral, em sessões de Câmara ou na Assembleia Municipal e que poucos eleitores conhecem, onde é que se viu o PS tomar posição pública relativa aos assuntos que diretamente afetam os munícipes? Como quer um partido ser alternativa, almejar a conquista da Câmara, se em todos estes anos podemos contar pelos dedos de uma mão as vezes que deu a conhecer ao público o que pensava de muitos das decisões, ou da falta delas, por parte de um executivo do PSD cujas ações erráticas e sem qualquer estratégia têm deixado Santarém na cauda de todas as cidades capitais de distrito?

O que esperam do partido alternativo os munícipes descontentes? Certamente desejariam mais inconformismo e ação. Estamos a um ano das próximas eleições autárquicas e não se augura nada de bom. O PS ainda não conseguiu encontrar um candidato e uma equipa capazes de apear o atual Presidente que continua a desfrutar do marasmo, da incapacidade política e da falta de vontade do seu principal opositor político, assim como das restantes forças políticas.

Está tudo conformado? Estão à espera de 2025?

Vão deixar o Concelho e a cidade mais um mandato entregue a esta gestão autocrática, incompetente e sem visão para o futuro?

Do que está à espera o PS para fazer oposição que se veja e apresentar um candidato e uma equipa com perfil ganhador? Que aproveite a onda de descontentamento que corre pelo Concelho?

Se o PS local não tem soluções, por que espera o PS nacional para olhar para esta capital de distrito e propor um candidato que dê alguma esperança aos seus correligionários e aos amantes desta cidade?

Cabe ao Partido Socialista a responsabilidade, e o dever, de criar condições para a mudança política. Se não for capaz sozinho, que procure, juntamente com as outras forças políticas, uma forma de o conseguir.

Há outras geringonças que também podem ser criadas localmente.

A rosa tem estado murcha e seria bom reavivá-la, a bem do Concelho e dos Munícipes.

Manuel Rezinga

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