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Tomar evoca padroeira com “encontros do sagrado feminino”

Em Região

A Biblioteca Municipal de Tomar acolhe no sábado um colóquio sobre “Usos e percursos do sagrado feminino em Portugal: Maria e as Outras”, evento que assinala um período do ano que o concelho dedica à sua padroeira, Santa Iria.

Com o cancelamento da tradicional Feira de Santa Iria devido à covid-19, o município afirma que a iniciativa “Encontros do sagrado feminino” é uma forma de evocar a sua padroeira no “momento do ano em que é omnipresente para a população do concelho”.

Organizado pelo município de Tomar e pelo Fórum Ribatejo, o colóquio, agendado para as 15:30, contará com as participações dos historiadores Lucília José Justino, que falará sobre o tema “Rezar com Maria, rezar a Maria”, e Ernesto Jana, com uma palestra acerca de “O religioso feminino como fator estruturante de Tomar: O caso de Santa Iria”.

O antropólogo Aurélio Lopes falará sobre o tema “De Mãe de Jesus a Rainha do Céu: a Ascensão de Maria entre o Povo e a Igreja”, que aborda no seu mais recente estudo “De Atégina a Maria: O sagrado feminino no território português”, a publicar em breve.

O trabalho surge no contexto dos estudos sobre a religiosidade popular e o papel da mulher no sagrado, que Aurélio Lopes tem desenvolvido ao longo das últimas décadas e que deram origem a outras publicações, como “Videntes e Confidentes, um estudo sobre as aparições de Fátima” e “Campinas”, entre outros.

Para o antropólogo, o culto a Maria é uma consequência da imposição das devoções populares europeias, tradicionalmente associadas a figuras femininas, a uma religião “misógina”, o que leva a que setores da igreja católica vejam “com desprezo” a elevação da Virgem Maria “a divindade mais importante do cristianismo”.

“É um paradoxo curioso, que prova bem a devoção das massas”, disse à Lusa, salientando como, apesar de afastadas do institucional canónico, as mulheres “mantiveram o domínio do sagrado”, para o qual considera serem “propensas, essencialmente por serem mães, logo, vistas como criadoras de vida”.

“Se criava vida relacionava-se com o outro mundo, das personagens transcendentes, um mundo mágico do qual o homem estava afastado”, até porque eram as mulheres que tratavam, “curavam”, daí serem poucos os homens “curandeiros”.

Com a chegada das religiões monoteístas, há uma secundarização da mulher, apesar de estas serem a maioria dos devotos e as mais ativas, salienta.

Para o antropólogo, o marianismo é uma consequência da imposição das devoções populares europeias.

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