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Santarém, os ciganos e o bastão em vez de integração

Em Opinião

Soubemos esta semana que a Autarquia de Santarém pretende “levantar” o acampamento cigano, junto da antiga carreira de tiro[1].

É curioso, pois trata-se de um local onde as obras de requalificação, para permitir um acesso eficaz entre sul e norte da cidade se arrastam há décadas, e o poder nos diz sempre “para o ano é que é”, sendo ainda uma zona de acidentes e que precisava de alteração[2]

Curioso, ainda é o facto, de ter sido aprovada a criação do mediador/facilitador[3] cigano pela mesma autarquia, do qual não se tem notícia de que tenha sido efetivado, até ao dia de hoje, “estamos a implementar”, “o processo está em curso” , “estamos a espera de vaga”, em Santarém tudo o que não “favoreça” a reeleição do edil nunca é prioridade, e tudo o que corre mal tem sempre culpa externa e está sempre “em tramitação” ou em “resolução”.

Já em 2012 a Câmara de Abrantes implementava políticas de apoio a estas populações, reconhecendo a sua especificidade, e que a igualdade, é também tratar “o diferente na justa medida da diferença” , quando nomeadamente costumes e modo de vida são diferentes, isso não implica a perda de cidadania[4].

Bom exemplo também chegou de Tomar[5], e nem sequer existe a desculpa dos fundos, pois existem fundos da UE para promoção da igualdade, mas bem sabemos que Santarém para o atual poder, não deve ter o papel de capital, prefere deixar essa tarefa para Almeirim e Torres Novas.

Já fora do nosso Distrito, em Torres Vedras, realizou-se a “A XVI Academia de Política Cigana”[6], o que no nosso concelho seria algo impensável, se houvesse uma academia política, a mesma seria tauromáquica.

Em termos jurídicos existem ainda particularidades, o terreno foi adquirido por quem lá está, e em tempos de revisão de PDM a autarquia tinha uma oportunidade para corrigir um erro, e prover ao licenciamento. Ao invés disso, é preferida a via da repressão, algo a que já estamos habituados em termos de política social, o despejo em vez da habitação, a videovigilância em vez de dar vida à cidade, ser forte com quem tem menos força, talvez seja o cluster do bastão que desconhecíamos.

Se o argumento é a falta de habitabilidade porque não falou a autarquia em realojamento? Ouviu quem lá mora? Curiosamente, perto do acampamento, está um espaço de grandes dimensões abandonado que também era para servir de construção, onde agora só cresce vegetação e abandono…

Estamos a 1 ano de umas autárquicas “poluídas” pela covid-19 e pela maior crise social do último século, e o sinal que é dado nesta atitude é a de que o PSD quer namorar o seu refugo que desertou para o Chega, sinal perigoso dos tempos que vivemos, em que parece existir cadastro étnico para quem nos governa.

Luís Martinho


[1]    https://omirante.pt/sociedade/2020-10-25-Camara-manda-levantar-acampamento-na-periferia-de-Santarem

[2]    https://omirante.pt/sociedade/2019-08-04-E-uma-armadilha-a-ligacao-da-Ponte-Salgueiro-Maia-a-Santarem

[3]    http://assembleia.cm-santarem.pt/index.php/2014-09-17-14-39-11/deliberacoes/category/16-recomendacoes?download=75:20be-recomendacao-facilicitadorcigano

[4]    https://omirante.pt/semanario/2012-02-02/sociedade/2012-02-01-mediadora-ajuda-a-integracao-de-familias-ciganas-na-comunidade-de-abrantes

[5]    http://programaescolhas.pt/conteudos/noticias/ver-noticia/5d139f4684585/dar-vez-e-dar-voz-as-pessoas-ciganas

[6]    https://www.reconquista.pt/articles/projeto-de-mediadores-municipais-e-interculturais–a-voz-do-cigano-

3 Comments

  1. Integração ou sustentação? Tenho dificuldade em perceber por vezes a “diferença”.

    Parece-me que este jornalista emitiu um juizo de valor sem qualquer prova quando fala de outros interesses.
    Sinais do tempos em que mau jornalismo se propaga como um virús.

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