E se o desvio da linha do Norte fosse pelo Tejo?

Em Opinião

Veio-me à memória uma hipótese alvitrada por mim, numa reunião do Conselho de Administração da sociedade Parquiscalabis, S.A., (já lá vão uns dez anos) e relativa ao desvio da linha do Norte, então na ordem do dia. A definição desse traçado era importante para aquela sociedade, pois alguns dos caminhos em estudo, abrangiam terrenos já adquiridos para o futuro Parque de Negócios de Santarém, o que afetava o plano de negócios e a sua implantação. Infelizmente, devido também a outros fatores externos à sociedade e também ao pouco empenhamento político da Câmara, também acionista (com 25% do capital) na resolução dos imbróglios que iam aparecendo, esse projeto não vingou e o Concelho ainda não encontrou alternativa para uma zona de implantação empresarial, nem a linha do Norte sofreu qualquer alteração.

Existiram no início, seis potenciais traçados postos em estudo como hipóteses a serem consideradas para a implantação do desvio tão esperado pelos escalabitanos e, em especial pelos ribeiristas. A sua discussão teve início muitos anos antes, mas só em 2013 foi dado a conhecer o trajeto considerado “ o menos desfavorável” pelo estudo de impacto ambiental, tendo sido mantidas até há bem pouco tempo, as faixas de proteção à linha projetada, com todas as consequências nefastas para proprietários e investidores.

Os munícipes e as forças vivas do Concelho sempre esperaram que os governos que iam passando, fossem sensibilizados para esta questão. Agora, um balde de água fria caiu sobre todos, ao estar o projeto de desvio da linha, fora dos planos de investimento do PNI, para os próximos dez anos.

A fraca, ou inexistente, força política e de lobbing da autarquia e dos deputados eleitos pelo distrito, é bem patente nos constantes insucessos na atração de investimentos para o Concelho.

Regressando ao início deste escrito, volto a colocar em cima da mesa uma alternativa possível aos vários caminhos que foram previstos e que circundavam a cidade pelo lado Oeste, com todas as dificuldades que isso acarretaria para os proprietários expropriados (só, nessa altura, casas a demolir seriam 29, atualmente seriam bem mais…) e os custos que seriam enormes, face às indemnizações a pagar e à extensão de linha a construir ( a azul na imagem), para não falar do impacto ambiental dessa solução.

E não haverá alternativa? Porque não fazer o desvio pelo lado do rio?

Porque não estudar a hipótese de construir um viaduto ferroviário, por exemplo entre Alfange e as Assacaias? (a vermelho na imagem). Uma obra de engenharia facilmente projetável e executável, que resolveria os atuais problemas de todos conhecidos: o perigo das barreiras, o difícil acesso ao Tejo e o bem estar dos ribeiristas.

O que poderia impedir esta obra?

Parece que, tanto em termos técnicos, como ambientais, não há objeções. Não implica expropriações, nem indemnizações a pagar e os custos seriam certamente inferiores a qualquer solução a Oeste.

É apenas uma questão de se estudar a hipótese por quem de direito, se houver vontade política para isso.

Nota: Esta crónica vem no seguimento de uma conversa com um amigo médico e conhecido residente na Ribeira, farto da falta de solução para este problema e muito defensor desta alternativa.

Armando Leal Rosa

1 Comment

  1. É uma ideia interessante.

    Fiquei chocado com a distância a que a nova estação ficaria, na solução atual. É muito chato ter de apanhar um transporte para chegar ao comboio e ficaríamos pior do que o que temos presentemente.
    A estação precisa de ficar mais próxima.

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