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Eu sou o “Um Nove Seis Um”, partilho a cidade consigo!

Em Opinião

As Escadinhas do Liceu, como também se conhecem, são testemunho de uma das entradas nobres da cidade. Elas entrelaçam o futuro, o saber e a juventude de um lado e o património, a identidade e a história da nossa cidade por outro. Na “osmose” da nossa permeabilidade afetiva e identitária entre o passado e o futuro as Escadinhas são património do que não desistimos.

As Escadinhas, ou a Calçada toma o nome do maior templo gótico do nosso burgo cujo convento albergou a Ordem de Stª Clara desde 1259. Ainda hoje as monjas Clarissas permanecem em Santarém, agora no Mosteiro da Imaculada Conceição no ermo lugar do Outeiro da Forca como desde menino o conheço.

Desde menino calcorreio estes lugares. Do Pereiro a São Bento rumo à escola primária onde dei os primeiros passos da escolaridade, da Escola Industrial ao Liceu para ir ver as miúdas e jogar futebol, da Fonte das Figueiras às Escadinhas onde se procurava refúgio para ternuras e convívios. Eram os tempos que o tempo tinha.

Nos tempos que o tempo agora tem, tenho necessidade de reafirmar a proteção desses lugares que desde menino sentiram os meus passos e me viram formar como pessoa. Citando a sinopse do inspirador livro “Os Números Que Venceram os Nomes”, de Samuel Pimenta, eu sou o “Um Nove Seis Um” que “partilha o quarto com um velho que lhe fala da resistência ao regime”. Nos tempos que o tempo agora tem, eu sou também esse velho, agora numa “osmose” geracional que traz consigo o afeto, a identidade e a resistência.

O Samuel conta-nos que “Ergue-se uma ditadura global, em que todos são controlados e descaracterizados, uma sociedade de uma única religião, em que os algarismos definem tudo – pessoas, países, ruas, animais – , em detrimento da essência de cada um”.

O nosso percurso, a construção do nosso ser individual e coletivo, o nosso exercício cívico na ágora scalabitana é a essência de cada um e de todos e todas. Eu sou o “Um Nove Seis Um”, partilho a cidade consigo!

As Escadinhas, ou Calçada de Stª Clara, são parte da nossa ágora cuja tentativa de recuperação já vem de fevereiro de 2015. Foi colocada à Câmara pela então deputada municipal e hoje deputada da República pelo BE Fabíola Cardoso. A insistência continuou como podereis ler em Mais Ribatejo. A insistência continuará!

Eu sou o “Um Nove Seis Um”, partilho a cidade consigo!

Vítor Franco

(deputado municipal pelo BE)

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