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Mais de 1.000 scalabitanos lutam pela alteração da linha férrea!

Em Opinião

Tem estado de novo na ordem do dia em Santarém o planeado desvio da linha ferroviária do Norte.

A alteração do seu traçado, deixando de passar junto a Alfange e à Ribeira é essencial para Santarém. Primeiro pelo risco de derrocada das encostas que a passagem dos comboios acarreta que, a acontecer, resultaria numa mais que provável catástrofe com eminentes perdas humanas e também materiais. Segundo pela barreira que a linha impõe ao uso do Tejo pelos scalabitanos, certamente em grande parte bem responsável por continuarmos de costas voltadas para este grande rio que passa mesmo aqui aos nossos pés.

É uma obra há muito esperada em toda a região e crucial para as populações servidas por esta linha ferroviária.

Em janeiro de 2019 o Governo deu a conhecer o Plano Nacional de Investimentos 2030 (PNI 2030), que se refere aos grandes investimentos estratégicos no país a concretizar no período entre 2020 e 2030, em que esta obra estava finalmente contemplada e orçamentada.

Muitos scalabitanos, entre os quais me incluo, talvez naifs como eu, acreditámos que esta intenção de obra seria para manter e, é claro, para concretizar. Pura desilução e frustração…

É que na Apresentação do Programa Nacional de Investimentos 2030, tornada pública no passado mês de outubro, não consta qualquer referência ou verba alocada a este projeto.

Concluiu-se já que a concretização da variante à atual linha ferroviária do Norte na zona de Santarém e consequente mudança da estação para outro local próximo da cidade ficou arredada dos investimentos previstos para os próximos largos anos.

Mas é anunciada uma nova ligação de alta velocidade Lisboa-Porto que não passa por Santarém – investimento de 4 500 milhões de euros. Não está portanto a decisão de não concretização da alteração do traçado na nossa zona alicerçada nas desculpas mais comuns e que melhor pegam: a falta de verbas, a crise (neste caso pandémica), a falta de dinheiro. Nem sequer é isso…

A população de Santarém e das restantes zonas afetadas tem de se indignar e não se pode conformar com este adiamento, que mais é uma desistência. Sei que por vezes não parece, mas Santarém é uma capital de distrito e não pode nem deve ser secundarizada e deixada para trás no comboio do desenvolvimento.

Por tudo isto, um grupo de 78 cidadãos puseram em marcha uma petição, que já conta com mais de 1 000 assinaturas (online e algumas em papel), que vai dentro de dias ser apresentada à Assembleia da República, mas que ainda pode também assinar AQUI, requerendo que esta exclusão do PNI 2030 seja revertida e que a referida variante à atual linha do Norte na zona de Santarém venha a ser uma realidade ainda na presente década.

Ainda que os direitos dos cidadãos tenham vindo a ser reduzidos, nomeadamente com as muito recentes alterações à lei do exercício do direito de petição de que já aqui falámos, esta petição vai implicar, no mínimo, a audição dos peticionários perante a comissão parlamentar e será publicada na íntegra no Diário da Assembleia da República.

Francisco Mendes

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