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Ano de sonho de José de Sousa levou-o às meias-finais do Grand Slam 2020 de dardos

Em Desporto

O português José de Sousa disputa hoje, em Coventry, no Reino Unido, as meias-finais do Grand Slam 2020 de dardos, torneio anual da Professional Darts Corporation (PDC) ao qual só têm acesso alguns dos melhores jogadores do mundo.

O jogador natural da Azambuja ganhou o direito de participar no torneio televisionado ao vencer, em outubro, o European Darts Grand Prix, na Alemanha, e defronta hoje o australiano Simon Whitlock para discutir o acesso à final, mas já garantiu um prémio de 40 mil libras (quase 45 mil euros) por alcançar as meias-finais.

É o culminar de um ano de sonho para o emigrante, de 46 anos, que inclui ainda a participação no Players Championship Finals, no próximo fim de semana, e terá o seu ponto mais alto entre 18 de dezembro e 04 de janeiro, quando disputar o Campeonato do Mundo PDC, no qual tem algumas ‘contas a ajustar’ com o passado, uma vez que nos últimos dois anos foi eliminado na primeira ronda da competição.

“Faltou aquela pontinha de sorte. Em 2019, joguei bem, fui melhor, mas na hora de fechar os jogos não consegui, não sei porquê. Os dardos ficaram sempre ‘à porta’. No último ano, o meu adversário teve um pouco mais de sorte”, explicou José de Sousa à agência Lusa.

Este ano, o emigrante português nem sequer tem de enfrentar a ‘maldição’ da primeira ronda, uma vez que os bons resultados obtidos ao longo dos últimos dois anos valeram-lhe a entrada como um dos 32 melhores jogadores da Ordem de Mérito da PDC, o que significa que entrará na competição diretamente na segunda ronda.

O Grand Slam, as Players Championship Finals e o World Championship são torneios televisionados de acesso restrito aos melhores jogadores do circuito mundial PDC, composto por 30 torneios ao longo do ano, em vários locais, nos quais os donos de um cartão do ProTour competem por prémios monetários e pontos que estabelecem o ‘ranking’ anual.

Para este Grand Slam, Sousa qualificou-se pelo triunfo no European Darts Grand Prix, onde superou o atual líder da Ordem de Mérito da PDC, o holandês Michael van Gerwen, um resultado que permite sonhar com qualquer desfecho neste e nos eventos que se seguem, mas com o qual o jogador profissional português não se compromete.

“Todos os que estão aqui vêm jogar a 200%. Tentamos sempre dar o máximo. É certo que alguns de nós temos jogado muito e estamos a precisar de descansar, mas até que termine este mês não temos descanso”, advertiu.

A ascensão de Sousa tem sido fulgurante no circuito, onde até já lhe chamam o ‘Special One’ português pelos resultados conseguidos deste que obteve o cartão do circuito: nos últimos dois anos, acumulou 154.250 libras em prémios (mais de 170 mil euros), de acordo com o sítio da PDC.

Mas no próximo World Championship, por exemplo, o triunfo vale 500 mil libras (560 mil euros), num torneio que distribui um total de 2,5 milhões de libras (2,8 milhões de euros) pelos participantes.

Por entrar diretamente na segunda ronda, Sousa já garantiu 15 mil libras (16,8 mil euros), mas uma percentagem dos prémios fica para a marca que representa, a Phoenixdarts, que assegura desde agosto todas as despesas inerentes à sua participação nos vários torneios pelo mundo.

“Quando não temos um acordo, temos de pagar tudo do nosso bolso. E se vimos [aos torneios] e não ganhamos nada, é muito complicado. Tive a sorte de a meio do ano passado chegar ao quarto lugar do ‘ranking’. Soaram os alarmes e várias marcas vieram ter comigo”, explicou.

Mas como já “tinha tudo pago” do seu próprio bolso “até agosto” só nessa altura optou pela Phoenixdarts, porque “veio ‘de cabeça’, disse logo que melhorava quaisquer condições que as outras” lhe oferecessem.

Apesar de alertar para os elevados custos que envolve a participação no circuito profissional, o português aconselha todos os que sentem que têm algum jeito a tentar conquistar o cartão no torneio da “Escola”, o evento anual PDC Qualifying School, que se realiza no início de cada ano em Hildesheim (Alemanha) e Wigan (Inglaterra), e que qualifica 64 novos participantes para o ProTour.

“São quatro dias a jogar e obtém-se o cartão ganhando um dos dias ou por pontos. Se ganharmos a um ou dois adversários por dia pode-se conseguir o cartão. Eu tive uma sorte tremenda, porque a marca de dardos que utilizo, a Condor e Trinidad, fez-me um dardo mesmo ao meu jeito e a partir daí foi sempre a subir”, recordou.

Uma vez no circuito, Sousa aconselha a “lutar no primeiro ano” para somar o máximo de pontos possíveis, até porque no segundo é preciso “apertar ao máximo para não ficar fora dos 64” primeiros, que garantem a continuidade no ProTour.

O português segue em 34.º lugar da Ordem de Mérito PDC, que engloba todos os resultados obtidos no circuito nos últimos dois anos e garante a permanência no mesmo, mas está em quinto na Ordem de Mérito do ProTour, que regista apenas os resultados do último ano.

E tudo começou há 27 anos “com amigos”, que à sexta-feira iam a um bar “onde se faziam os bailes das velhas”, no qual havia uma máquina de dardos.

“Comecei a gostar cada vez mais. Um dia, numa exposição de jogos em Santarém, soube que havia uma Liga nacional e fui experimentar. Dos cinco títulos nacionais que havia em disputa, ganhei todos. Ficou todo o mundo pasmado, até eu fiquei!”, recordou José de Sousa, atualmente a residir em Espanha.

Entre os principais títulos conquistados pelo luso estão o European Darts Grand Prix, em outubro, na Alemanha, e os Players Championship de Barnsley e Dublin em 2019.

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