Desmaterialização do dinheiro e o impacto no dia-a-dia

Em Empresas

“Desmaterialização: Ato de desmaterializar; tornar imaterial; perder a forma material”

O dicionário Priberam dá-nos uma ajuda a perceber a primeira palavra da expressão “desmaterialização do dinheiro”, mas o que é que acontece quando a ela se junta a segunda? O dinheiro vai desintegrar-se? Irá desaparecer como folha levada pelo vento?

A resposta é sim. Não de forma tão exotérica como se possa ser levado a pensar, mas o dinheiro está gradualmente a ser substituído por meios alternativos de pagamento que não envolvam a troca de notas ou moedas físicas.

Termos como criptomoedas e moedas digitais (das quais a bitcoin será talvez a mais famosa), contactless (sem contacto com dinheiro físico) ou cashless (sem dinheiro físico) estão a ganhar peso na economia e a mudar a forma como se compra e vende por todo o mundo.

Que impacto tem a desmaterialização do dinheiro no nosso dia-a-dia?

Se as criptomoedas, apesar dos enormes ganhos que têm vindo a proporcionar em bolsa, ainda não têm um impacto profundo na vida quotidiana, o mesmo não se poderá dizer dos sistemas de pagamento baseados em tecnologia contactless e cashless.

Tecnologia Contactless

A introdução da tecnologia contactless em cartões de crédito/débito, smartphones e wearables (pulseiras, smartwatches, etc.) veio permitir que, com uma simples aproximação de um destes dispositivos a um terminal de pagamentos, possamos efetuar o pagamento de uma compra de um bem ou serviço sem inserir qualquer tipo de PIN.

Apesar de envolver alguma proximidade com comerciante e terminal, o contactless diminui o tempo da transação e é mais higiénico e seguro do que uma transação tradicional com dinheiro físico.

A importância crescente desta tecnologia está bem patente nos números da sua utilização e da importância que o Banco de Portugal já lhe reserva e de que o recente aumento do valor máximo por transação através de cartão contactless de 20€ para 50€ é um exemplo.

Importante na contenção da propagação da pandemia que nos assola, o peso do contactless nos pagamentos na faturação dos negócios portugueses passou de 6% em agosto de 2019 para os atuais 28% (dados REDUNIQ Insights) enquanto cada consumidor português está a gastar atualmente uma média de 20,8 euros por transação contactless em contraponto com os 14,46 euros de janeiro deste ano.

Tal é a sua importância para o consumidor que, até dezembro de 2020, todos os cartões de crédito /débito emitidos em Portugal terão, obrigatoriamente, contactless. Atualmente, este número cifra-se em 83%.

Cashless e o crescimento dos pagamentos online

O advento e expansão de uma economia de base digital está a acelerar a desmaterialização do dinheiro.

A digitalização de serviços e comércio (o tão afamado e-commerce) leva necessariamente a uma mudança na forma como os pagamentos se realizam. Pensemos no atual momento pandémico. Seria extremamente difícil, se não fosse o contacto digital, assegurar o acesso a bens e serviços fundamentais e manter a atividade de muitas empresas.

Tudo está à distância de um clique, inclusive os pagamentos. Sem o dinheiro a limitar o pagamento, o cliente que opte por um sistema cashless (cartão de crédito, apps, Homebanking, etc.) pode inserir a quantidade de créditos que deseja gastar ou ainda fazer a transação direta do seu banco para o banco do estabelecimento comercial.

As vantagens, contudo, não se ficam pela disponibilidade financeira imediata. Consumidores e comerciantes beneficiam em larga medida da implementação do cashless na sua vida quotidiana e os próprios governos podem lucrar em larga margem da sua introdução pois encerra ainda uma série de vantagens fiscais e de combate ao branqueamento de capitais, na medida em que deixa registo de todas as transações efetuadas.

O crescimento exponencial dos pagamentos online levanta uma série de questões de segurança.

As autoridades europeias estão atentas a este fenómeno e a partir de janeiro do próximo ano, as compras online – com cartão de crédito ou de débito -, vão passar a exigir um elemento extra de segurança para além dos dados do cartão como até aqui. À semelhança do que já acontece com o homebanking, vai ser adotada a chamada “autenticação forte” que consistirá na necessidade de recorrer a outros elementos de segurança como, por exemplo, uma password, uma impressão digital (se usar o smartphone ou o tablet) ou um código enviado por SMS para confirmar um pagamento.

Antecipação e adaptação em função da desmaterialização

A revolução nos pagamentos está em marcha e as instituições financeiras que trabalham soluções de pagamento não perderam o comboio da mudança.

Esse é o caso do Unibanco que, antecipando, esta alteração no paradigma das transações financeiras vai passar a disponibilizar aos seus clientes os códigos de validação de compras online exclusivamente na App Unibanco. Isto significa que o cliente deixará de receber a habitual SMS de confirmação.

Para além de importante nas compras online, os cartões de crédito Unibanco vêm com tecnologia contactless integrada, o que simplifica o pagamento de compras presencial, e passa, a partir de agora, a contar com uma funcionalidade que permitirá ao consumidor pagar por débito direto faturas como a água, a eletricidade ou a luz.

Os cartões de crédito Unibanco passam, assim, a ter um IBAN associado que pode ser ativado junto de qualquer entidade credora a partir de uma Autorização de Débito em Conta (ADC) evitando esquecimentos e ajudando o cliente a tirar partido das vantagens de pagar com o cartão de crédito como a oferta de cashback, fracionamento do pagamento em 3x sem juros, 20 a 50 dias de crédito sem juros e descontos em combustíveis, moda ou restauração.

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