Suinicultores vão criar “exploração-escola” com Agrária de Santarém

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A Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores (FPAS) e a Escola Superior Agrária de Santarém (ESAS) vão criar uma “Exploração-Escola” numa herdade pertencente a esta instituição de ensino, para formação de recursos humanos das explorações suinícolas.

O secretário-geral da FPAS, João Bastos, disse hoje à Lusa que, depois de várias tentativas para encontrar um espaço, surgiu a possibilidade de concretizar o projeto em instalações que a ESAS, unidade do Instituto Politécnico de Santarém, possui na Herdade do Bonito, propriedade com 130 hectares situada em Mato de Miranda, no concelho vizinho da Golegã.

O protocolo entre as duas entidades para a concretização do projeto vai ser assinado na sexta-feira de manhã, na ESAS, na presença do secretário de Estado da Agricultura e Desenvolvimento Rural e da secretária de Estado do Ambiente.

As instalações, com 15 anos, que se foram degradando por falta de recursos humanos que assegurassem o seu funcionamento, possuem já salas de aula, cantina e camarata, disse.

A sociedade gestora que vai ser criada irá promover a melhoria dessas instalações e a construção de uma “exploração modelo”, toda em vidro, de forma a permitir que futuros visitantes visualizem todo o ciclo de produção suinícola, desde a maternidade à engorda, acrescentou.

João Bastos afirmou que, o facto de se situar no seio de uma exploração agrícola de uma instituição de ensino superior, com produção agrícola e florestal, permitirá fazer estudos para a valorização dos efluentes suinícolas, além da formação de base para quadros médios e superiores das explorações e da divulgação da atividade.

“É a localização perfeita”, disse, salientando que a “exploração-escola”, prevista desde 2015, já esteve para se localizar no antigo centro de formação agrícola de Canha, em Pegões, e na Estação Zootécnica Nacional.

A estrutura vai ser gerida por uma sociedade detida pela FPAS em 35%, pela ESAS em 5% e o restante por empresas do setor que se se queiram associar, disse João Bastos, salientando que o capital social inicial será de 350.000 euros.

O investimento a realizar na Herdade do Bonito está estimado em 3 milhões de euros, na perspetiva de obtenção de financiamento no âmbito do Programa de Desenvolvimento Rural 2020 e também de linhas existentes nas áreas pedagógica e da formação profissional, adiantou.

O projeto é uma das vertentes do “Roteiro Ambiental” – Guia para o Desenvolvimento Sustentável da Suinicultura -, a desenvolver em parceria com a Academia – Instituto Superior de Agronomia e Universidades de Trás-os-Montes e Alto Douro e Évora -, uma “espécie de caderno de encargos” com um conjunto de medidas para que as explorações atinjam as metas ambientais propostas, disse.

João Bastos apontou a terceira revisão da Estratégia Nacional para os Efluentes Agropecuários e Agroindustriais (ENEAPAI), apresentada no final de setembro, que dá primazia à valorização agrícola dos efluentes, prevendo, no caso das explorações que se encontrem próximas de habitações outras soluções, como encaminhamento para estação de tratamento, compostagem, segmentação de ciclo (com separação da maternidade da engorda) ou mesmo mudança de localização.

A FPAS está ainda, com a Faculdade de Medicina Veterinária, a construir um “referencial de bem-estar animal”, que contará com uma auditora independente para a verificação, nas explorações, do cumprimento das metas, que se pretendem mais ambiciosas que as previstas na lei, afirmou.

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