O Ministro Pangloss

Em Opinião

Todos quantos leram Cândido obra-prima de Voltaire, ficaram a saber quem era o Senhor Pangloss figura patética que acreditava viver no melhor dos mundos onde ele era o centro desse mundo, do qual irradiava prosápia iluminada por um farol obra do seu talento de génio das bagatelas. Cândido vai descobrir à sua custa, quão enganado estava ao acreditar no Sr. Pangloss, mestre em jactâncias, bufão carregado de penduricalhos auto-elogiosos e bazófia desaustinada. Pois bem, no dia 16 deste mês de Dezembro o País passou a saber aquilo que só os iniciados no universo da política sabiam – em Portugal um émulo de Pangloss chama-se Eduardo Cabrita – ainda ministro por obra, graça e vontade António Costa o primeiro-ministro especialista na arte de engolir dinossauros seus amigos e camaradas.

Um ucraniano morreu às mãos da polícia de fronteiras, antes da horrível morte ocorrida no passado mês de Março sofreu continuadas torturas no interior das instalações policiais no aeroporto de Lisboa. A velha prática de ocultamento dos vergonhosos factos voltou a vigorar, tudo o resto é demais conhecido. O que não conhecíamos foi a conduta do rei Ubu, entenda-se o ministro no intuito de adormecer e deixar arrastar o assassinato do aspirante a trabalhar em Portugal, protegendo a directora do SEF e restante pináculo dessa estrutura policial, ora em risco de desaparecer do mapa das forças de segurança o que não seria novidade pois o ministro Rapazote extinguiu a Polícia de Viação e Trânsito corroída de cima a baixo pela corrupção dentro do milenar estilo chinês.

As destrambilhadas afirmações de Cabrita vão granjear-lhe lugar de destaque no anedotário político português, será citado de forma a provocar galhofa nas bancadas do Parlamento, o manter-se à tona da água é gravoso sinal de pusilaminidade de Costa, a minar-lhe o prestígio na altura de Portugal assumir o leme (rotativo) da Comunidade Europeia.

O triste episódio possui contornos longe de estarem esclarecidos, o cônsul ucraniano escapuliu-se, a suspeita da existência de queixas não registadas, bem como o papel da cúpula do SEF neste rocambolesco e trágico desaparecimento, bem averiguados podem dar origem a gigantesca barrela capaz de salpicar muita gente de todos os quadrantes. A omertá (lei do silêncio) não é exclusivo de marca italiana!

Armando Fernandes      

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