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O Natal do Nosso (des)Confinamento

Em Opinião

Como se escreve um abraço que não se dá?

Como se escreve um beijo que fica por dar?

Como se junta uma família que não pode estar?

Vamos ter o nosso primeiro Natal em tempos de pandemia. Não será este o Natal desejado, mas apenas o possível. E o possível é isso mesmo, a única possibilidade de ser. Neste caso o menor dos males. Perguntam desse lado que autoridade tenho eu para falar sobre isto? Alguma, digo-vos. Também já tive alguns Natais possíveis – apenas possíveis – passados nos hospitais onde me encontrava internada. Recordo os Natais dos hospitais dos tempos de infância, e ainda foram alguns. Relembro o último, há 11 anos, na altura de um grave acidente em que fui submetida a uma complicada intervenção cirúrgica mesmo na véspera de Natal. Passou por mim sorrateiro…nem dei por ele… outros estariam para vir. E vieram!

Muito se tem falado sobre as restrições, o que se pode ou não fazer. Confesso que as medidas de confinamento em contante mudança deixam-me um bocadinho baralhada, e começo a pensar que não sou só eu.

Então, e se perguntássemos ao Natal se ele se quer sentar à mesa connosco em tempos de pandemia? Penso que a resposta seria um NÃO redondo! O Natal celebra a vida, o nascimento e, partindo desse princípio, como poderia ele pactuar com a morte?  De acordo com os números de hoje, 14 de dezembro, há 5649 pessoas que já não se vão sentar á mesa da consoada, nem neste Natal, nem nos que estarão para vir. Ontem, dia 13 de dezembro, bateu-se o record, não gosto desta palavra associada à morte, mas foi isso mesmo, um record de 98 óbitos num só dia. É duro! É triste! Por isso vamos pensar diferente.

Pensar que, se nos contivermos neste Natal poderemos evitar uma terceira vaga da pandemia com muitos mais óbitos.

Pensar que se nos contivermos agora, no próximo ano, o Natal virá, certamente, sentar-se connosco à mesa da consoada. Virá feliz! Virá cheio de alegria, como já nos habitou. E aí vamos celebrar a valer! Sem medos, distanciamento ou confinamentos. Será o Natal do nosso contentamento.

Ana Simão

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