O Natal em soledade

Em Opinião

A vida tem-me proporcionado muitas e extraordinárias alegrias, também me tem imposto terríveis angústias sem possibilidade de consolo, como foi a perda de um filho, tinha ele 42 anos e um futuro radioso. A ferida provocada no meu ânimo continua a ressumar dor e assim será até ao fim da passagem por este conturbado Mundo, daí o Natal em soledade não me causa surpresa porque mesmo no auge de uma qualquer alegria ou satisfação, vem desde as profundezas da memória até à luminosidade diurna a pulsão agressiva do irreparável desgosto, que nenhum gosto apaga.

A megera pandemia impôs restrições à convivialidade (especialmente a familiar) apanágio da quadra natalícia e, irá suscitar choros de saudade, ranger de dentes em virtude da impotência ante a peste, sem esquecer o desalento relativamente ao futuro. Importa reagirmos a todas provações afectivas e materiais, importa retirarmos proveito da clausura e ensaiar sorrisos de esperança na rápida chegada das vacinas e com elas o desejo que constituam eficaz cortina de todas as tonalidades e modos de actuação na expulsão do vírus para as profundas do Inferno.

Só que o Inferno faliu e os diabos espalharam-se por todo o Mundo, perderam poderes e imunidades de vários matizes. Agora usam cartão de crédito, metem-se em encrencas financeiras, às vezes vão ganhar reumatismo e doenças de pele nas cadeias ditas de recuperação social.

Vivemos numa sociedade de pernas para o ar (Manuel António Pina dixit). Acreditemos na possibilidade de uma prenda no sapatinho. Merecemos saúde e segurança. É isto que peço ao Menino Jesus. Ao Pai Natal nada peço pois não passa de uma invenção do consumismo. Não por acaso os seus elementos simbólicos são um saco e uma meia! Boas Festas

Armando Fernandes

Leave a Reply

Recentes de Opinião

Para sempre

Ano após ano, seja no exercício da lembrança da radiosa efeméride, seja…

Ir para Início
%d bloggers like this: