Abate de 540 javalis e veados na Quinta da Torre Bela motivam onda de indignação

Em Sociedade

O Partido Socialista de Azambuja e o PAN – Pessoas Animais e Natureza já reagiram ao caso dos 540 animais abatidos numa montaria realizada na quinta da Torre da Bela, Aveiras de Cima, no concelho de Azambuja.

A montaria foi divulgada no Facebook, onde os participantes partilharam fotografias e legendas, dando conta deste recorde “Conseguimos de novo! 540 animais com 16 caçadores em Portugal, um recorde numa super montaria!”

O Mais Ribatejo está a tentar confirmar a veracidade da informação junto da Câmara de Azambuja e do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas.

PS da Azambuja denuncia “crime ambiental” na Quinta da Torre Bela

Em comunicado hoje enviado para a nossa redação, o PS da Azambuja afirma que teve conhecimento ontem, dia 20 de dezembro, “do
massacre e violento ataque à nossa fauna e natureza”.

Segundo o PS, «este “crime ambiental” aconteceu no nosso concelho, o que nos deixa ainda mais revoltados, aconteceu na propriedade da Torre Bela, que, ainda que seja uma propriedade privada, tem de haver regras e não pode valer tudo».

A Concelhia do PS afirma que “foi uma montaria que culminou no abate massivo e indiscriminado de 540 javalis e veados. Não foi caçar, foi massacrar aqueles animais que não tinham para onde fugir, pois o abate da floresta tem sido permanente e os animais estavam confinados aos muros da propriedade”.
“Não somos, em geral nem em particular, contra a realização de montarias, quando realizadas de forma a manter o equilíbrio cinegético, pois o seu descontrolo coloca em causa quer a agricultura quer a segurança rodoviária, o que não foi de todo o caso, uma vez que este animais estavam dentro de uma propriedade murada, não existindo qualquer perigo para a segurança das pessoas”, refere o comunicado assinado pelo presidente da Concelhio Socialista Silvino Lúcio.


«Denunciamos e estamos totalmente contra este abate, feito à margem de todo o bom senso, podendo provavelmente ser classificado como um “crime ambiental», refere o comunicado.
“Ainda hoje, iremos comunicar ao ICNF (Instituto Conservação da Natureza e das Florestas) e ao Governo este verdadeiro ataque à natureza, para que estes verifiquem da legalidade daquele ato soez”, conclui o presidente da Concelhia do PS, sublinhando que «no Partido Socialista de Azambuja defendemos a liberdade dos gostos, da prática do desporto, mas com limite e regras, não pode valer tudo!»

PAN exige esclarecimentos do ICNF e do Governo

Para o PAN, “matar por regozijo e desporto é desumano”. Por isso, o PAN tem defendido uma “regulamentação apertada para o sector da caça decorrente dos visíveis impactos negativos para a biodiversidade, proteção e bem-estar animal, mas sistematicamente as nossas propostas têm sido rejeitadas”.

O PAN pretende saber “o que levou à autorização desta montaria, numa zona de grande sensibilidade ecológica, envolta em polémica, onde inclusivamente está prevista a instalação de uma central fotovoltaica com 775 hectares e cujo Estudo de Impacte Ambiental (EIA) encontra-se em fase de consulta pública até 20 de janeiro de 2021”. Por isso, o PAN questionou hoje logo pela manhã as entidades competentes, nomeadamente o ICNF e Governo, e exigir responsabilidades.

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