Santarém 2021: É tempo de unir esforços

Em Opinião

O PS de Santarém apresentou os seus cabeças de lista para a Câmara e Assembleia Municipal. Não cabe aqui opinar sobre o mérito ou demérito da escolha. O Partido Socialista é maior de idade e tem tido experiências eleitorais nestes últimos sufrágios no Concelho, de certo modo traumáticas, o que lhe deve ter posto em ação os motores de busca, para encontrar os candidatos mais bem apetrechados.

Dizem os ingénuos e puristas da democracia representativa que, mais importante que os nomes dos candidatos, são as propostas e o programa de ação que se apresentam. Sabemos que apenas uma minoria dos eleitores dá atenção aos programas das candidaturas e, sobre as promessas apresentadas, retiram-lhes grande parte da credibilidade, por fazerem parte do foguetório eleitoral e, normalmente, não serem cumpridas, como releva à evidência o atual mandato de Ricardo Gonçalves. Isto para chegarmos à conclusão que os nomes dos candidatos e o folclore da campanha é que são determinantes para a recolha de votos e que os programas e as ideologias remetem-se, normalmente, para segundo plano na decisão dos eleitores.

Voltando ao início e falando do anúncio do PS, não se contesta a idoneidade, a competência e a experiência dos anunciados, pessoas com provas dadas e certamente aptas para exercerem os cargos para que se propõem. À primeira vista, uma importante dúvida será saber se os propostos, em especial o candidato à Câmara, terão toda a liberdade interna no partido para definirem a sua estratégia e para constituírem as suas listas, especialmente a equipa que se propõe governar este Concelho. A formação de listas de poder, é sempre o passo mais difícil e onde, não raramente, são os interesses, as vaidades e a incompetência que se sobrepõem aos princípios e às linhas orientadoras iniciais de quem foi designado, bem como ao que está em jogo nestas eleições: derrotar o protagonista mor destes últimos dez anos.

Sendo este o principal desígnio de um partido que se propõe chegar ao poder e havendo uma grande incerteza sobre os resultados finais, não seria de repensar a estratégia de candidatura e procurar alianças dentro do espetro político que, já tantas vezes, a nível nacional e em outros municípios, o PS tem adotado?

Em Santarém há condições para alianças político-partidárias.

A nível concelhio este tipo de alianças está muito mais facilitado que a nível nacional. Os problemas locais não são tão politizados. Há interesses básicos e necessidades muito concretas que são comuns a quase todos os munícipes, independentemente da sua cor política. Nestas eleições, as autárquicas, os eleitores, na sua grande maioria, não se identificam com ideologias e sim com propostas sobre temas que afetem a comunidade e cada um diretamente. Isso pode muito bem ser discutido e acordado entre duas ou mais forças políticas que, sob uma plataforma eleitoral comum, terão quase como certa a conquista da Câmara.

É o momento de abdicar do egoísmo e sectarismo partidário e conseguir-se para Santarém uma candidatura que vá ao encontro dos descontentes e do progresso do Concelho, através de uma, bem negociada, participação conjunta e de um programa comum. Muita gente pensa que, no seio da oposição ao atual executivo, não seria difícil conseguirem-se consensos e criar dinâmicas vencedoras, desde que fosse, em primeiro lugar, colocado o interesse do concelho e dos munícipes.

É altura de mudar o ciclo e de dar um rumo a Santarém, fazendo o que ainda não foi feito…

Dezembro de 2020

Armando Leal Rosa

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