O defunto ano

Em Opinião

Não tardam 84 horas para o ano de 2020 passar à condição de efeméride, ou seja jazido de efemérides, no caso em apreço efeméride a significar doença, dor, morte, sofrimento saudoso, desemprego, angústia, fome, actos desesperados e, medo ante o ano que se aproxima, o de 2021.

Se 2020 é para esquecer, os anais da História vão escrever meia dúzia de linhas relativas à pandemia Covid-19, colocando-a ao lado da peste negra como sendo das mais mortíferas da história da Humanidade, no entanto, tal como tem acontecido ao longo dos séculos o vaidoso Homem destaca de imediato a sua inteligência no combate às calamidades, por isso mesmo as ciências puras e aplicadas conseguiram num prazo não pensável que pudesse acontecer criar vacinas das quais se espera a erradicação ao exemplo do ocorrido no antecedente. Se rastrearmos a cronologia das invenções verificamos que na sequência de episódio funesto e/ou conflitos irrompem antídotos, pensemos no que tange às amputações provocadas por minas e armadilhas.

O Homem no ano de 2020 parece ter acordado para os danos provocados pelo aquecimento global, como é habitual a propaganda fundamentalista pousou na causa e consequências impedindo a serena e consequente acção na defesa do Planeta. Veremos o que fará o novo/velho político presidente dos Estados Unidos.

Não estou optimista, nem tenho ilusões, os fossos sociais continuarão a aumentar, nós continuaremos a desenvolver esforços e gastar energias na milenar arte de não sermos governáveis, nem nos governarmos. Há muitos séculos um viajante observador depois de ver, ouvir e sofrer os povos ibéricos o escreveu.

Bom Ano para todos.

Armando Fernandes

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