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“O pior cego é aquele que não quer ver” – ainda a propósito do (não) desvio da linha férrea

Em Opinião

Tenho por adquirido que não podemos olhar para as questões com palas nos olhos. A (re)solução dos problemas nunca tem um só caminho. O melhor percurso para o nosso destino pode ser por uma rua de trânsito proibido. Mas se o importante é atingirmos esse nosso destino, a melhor decisão não é certamente transitar por essa rua, é sim procurar outra alternativa, mesmo que não tão conveniente, não deixando, no entanto, de tudo fazer para que o tal melhor trajeto passe a ser de circulação permitida. Chama-se a isto ser pragmático.

Vem tudo isto a propósito do meu artigo da semana passada acerca  das alternativas que se põem em face da decisão do Governo de não avançar com a construção da variante à linha ferroviária do Norte na zona de Santarém que, se gerou francas concordâncias, também deu origem a veladas críticas.

Não tenho por hábito alimentar discussões e controvérsias que outro efeito não têm do que gerar a confusão e criar animosidades entre as pessoas em geral e até entre amigos, levando a maiores ou menores desentendimentos, dependendo dos feitios de cada um. Mas, neste caso, julgo que tenho de esclarecer.

Nesse artigo não neguei nem nego de forma nenhuma o interesse e pertinência da construção da variante e de tudo o que se defendeu e do não conformismo implícito na petição de que fui mentor da ideia, apresentei à Assembleia da República e cujo processo (demorado como é costume nestas coisas…) tenho estado a acompanhar – ainda esta semana questionei os servições do Parlamento sobre o seu andamento. É assunto para continuar, de nada desisti ou abdiquei.

No entanto, não podemos ficar (de)pendentes da concretização de uma obra que já vimos que não virá nos próximos largos anos, pelo menos se não tiverem lugar grandes mudanças.

Então, se queremos realmente o (possível e necessário) desenvolvimento de Santarém, se esse é o nosso fito e não simplesmente afirmarmo-nos pela inflexibilidade das nossas ideias, não podemos ser irrealistas e formatados ao ponto de ficar presos a uma luta demorada, sem vitória no horizonte, e descurar completamente alternativas que poderão ser um “bem menor”.

Numa leitura atenta do que escrevi, verifica-se que admito a opção do ministro com a condição de concretização de importantíssimas alterações que, a verificarem-se na totalidade (o que sei que também não será fácil), mudariam todo o cenário atual.

Sabe quem me conhece que não mudo intencionalmente de campo e que tenho disso dado muitas provas ao longo da vida. Que não tenho qualquer interesse pessoal numa ou noutra situação, como nalgumas destas críticas mais contundentes me pareceu poder existir.  Sabe também quem me conhece que não sou formatado e irracionalmente radical.

Estranho é que, com uma honrosa exceção, ninguém se tenha disponibilizado para integrar e promover o alargado grupo de influência e debate destas matérias na região cuja criação propus no final da crónica.

Francisco Mendes

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