Agarra que é liberal!

Em Correio dos Leitores

É me hoje muito difícil escrever sobre algo além desta crise pandémica, mas tento fazê-lo sobre um mote de esperança, que amanhã será um dia melhor e, portanto, temos que preparar o caminho.

Por mais que não pareça, estamos na derradeira semana da campanha eleitoral, aquela que nos definirá o Presidente da República para os próximos 5 anos.

Trata-se, só (!!!) do mais alto cargo da Nação.

Recentemente falei-vos do fenómeno Tino de Rãs, dos 150 aos 300 mil votos, em 2021 (acredito que sejam bem mais). Hoje escrevo sobre um outro “candidato fofinho”.

Fofinho, entenda-se, no bom sentido, pois trata-se de um candidato que tem preferido a correção e a moderação aos insultos, aos discursos divisionistas, sectários. O único candidato que, sendo apoiado por um partido, procura defender as ideias do mesmo sem esquecer que se candidata a Presidente, não a Ministro das Finanças, como chegou a afirmar.

O único candidato liberal, como afirma, deixando um repto apelativo, afinal “se votas igual, porque esperas diferente”.

Tiago Mayan Gonçalves, de seu nome, é um dos fundadores do Partido Iniciativa Liberal, apresentando-se a eleições despreocupado, sabe que terá mais votos que o seu partido nas legislativas, e, logo, com a lucidez necessária para defender para o país uma visão “nova”, assente nos ideais liberais.

Esta postura, e essas ideias, não deixaram indiferentes todos os demais candidatos à Presidência da República. Os de direita, incluindo Marcelo, passaram a definir-se também como liberais, enquanto que os de esquerda atacam, apelidando Tiago de ser um demónio neoliberal.

Resumindo, vivemos numa campanha eleitoral em que todos querem agarrar o Liberal, ou para o igualar, ou para o aniquilar.

Quando alguém nos vem falar sobre carga fiscal, centralismo, restrições de concorrência, possibilidade de escolha na educação e saúde, mais ou menos Estado, é fácil atemorizarmo-nos. A mudança implica riscos.

Mas será o Liberalismo um demónio?

O Liberalismo é uma corrente de poder em voga em muitos países europeus, alguns dos quais que entraram na União Europeia muito depois de Portugal, mas que rapidamente tiveram o condão de nos ultrapassar em muitos indicadores económicos, nomeadamente no PIB per capita.

A Iniciativa Liberal defende um liberalismo assente em vários propósitos, a materializar através de um choque fiscal (particularmente no IRS – flat tax), na liberdade de escolha na educação e saúde, descentralização, saída do Estado de vários setores da economia, reforma do sistema político, luta contra a corrupção e nepotismo, tornar o país competitivo e sustentável.

Tiago defende uma corrente ideológica próxima do cidadão, pretendendo dar-lhe poder de decisão, de definir o seu futuro, de ascender ao esquecido, mas tão importante elevador social.

Em suma defende o empowerment! Dar voz e vez ao povo, como diria Vitorino Silva.

É normal que tais propósitos assuste o Socialismo, baseado no empoderamento do Estado para secar o mesmo cidadão, através de uma carga fiscal brutal (que até faria corar Vítor Gaspar), um centralismo assente em 3 ou 4 km2 em redor do Terreiro do Paço, e em fortes restrições à concorrência, com a presença excessiva do Estado na Economia.

Controlar, secar com impostos e subsidiar, num ciclo desvirtuoso da desgraça, como nos têm mostrados estes últimos 25 anos.

Perante tudo isto, é muito normal que queiram agarrar o liberal, por não agradar ou por percebermos que a tendência não findará, e é melhor surfar a onda.

Independentemente do resultado de dia 24, a semente ficou, e o liberalismo florescerá e condicionará as políticas públicas no futuro. Preparem-se.

José Manuel Pereira Lopes

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