“Ao estilo do Trumpismo” – Delegado do Chega provoca incidentes na mesa de voto antecipado no Entroncamento

Em Sociedade

A Comissão Instaladora Concelhia (CIC) do Partido CHEGA no Entroncamento fez chegar ao Mais Ribatejo uma queixa de que o delegado do candidato André Ventura na Assembleia de Voto do Concelho do Entroncamento teria sido expulso pelo presidente da mesa durante a contagem dos votos. Mas esta é uma versão da “realidade alternativa, ao estilo do trumpismo“, comenta ao Mais Ribatejo o presidente da mesa de voto António Miguel.

Nenhum outro dos seis elementos da mesa de voto se reveem no comportamento e nos comentários do delegado do candidato André Ventura e isso mesmo ficou inscrito na ata“, salienta o presidente da mesa de voto do Entroncamento, António Miguel. De salientar que além do representante da candidatura de André Ventura, a mesa integrou ainda um representante da candidatura de João Ferreira e os cinco membros da mesa de voto indicados pelas forças políticas. Os acontecimentos ficaram registados na ata assinada por todos os elementos da mesa.

Por seu lado, o presidente da Câmara Municipal do Entroncamento, Jorge Faria, afirma que o “delegado do Chega esteve a fazer muitos telefonemas e a causar transtorno ao funcionamento da mesa de voto, tendo sido convidado, pelo presidente da Mesa, a ir lá fora acabar os telefonemas, regressando depois”.

Sobre o processo eleitoral, Jorge Faria considera que “decorreu com toda a tranquilidade, embora como o processo obrigava o eleitor a introduzir o seu voto num envelope e depois noutro, isso tornou o processo, apesar de muito bem organizado, mais moroso”.

Os incidentes com o delegado da candidatura de André Ventura aconteceram no domingo passado, dia 17 de janeiro, durante o voto por antecipação para as Eleições Presidenciais 2021, no Entroncamento.

Rafael Costa representou a candidatura de André Ventura na mesa de voto do Entroncamento

No comunicado enviado à comunicação social, a Comissão Instaladora Concelhia do Partido CHEGA no Entroncamento refere que “o candidato André Ventura esteve representado na Assembleia de Voto do Concelho do Entroncamento, situada na Galeria Municipal do Centro Cultural Municipal, pelo Delegado Rafael Costa, o qual se apresentou devidamente credenciado para o efeito”.

“Durante o dia, apesar das filas de espera que se alongavam contornando o edifício, o ato eleitoral decorreu com normalidade“, refere a nota do Chega, adiantando que “após o encerramento da Assembleia de Voto, o Delegado Rafael Costa, que se encontrava no interior para exercer a sua função, foi colocado fora da mesma pelo Presidente da Mesa de Voto, tendo sido impedido de acompanhar a contagem dos votos à porta fechada“.

Diz ainda o comunicado do Chega que “a expulsão do Delegado do Candidato André Ventura ocorreu após a discrepância que se verificava na contagem, no momento em que o mesmo questionou o Presidente da Mesa de Voto sobre a alegada não contagem dos Boletins de Voto antes da abertura da Assembleia de Voto“.
O Chega salienta que “tendo sido chamada a PSP ao local, foi relatado o acontecimento e feita a identificação de testemunhas“.

Após o que o Delegado de André Ventura “voltou a entrar na Assembleia da Voto cerca de hora e meia depois de ter sido expulso“.

No comunicado, a CIC do Partido CHEGA no Entroncamento “repudia totalmente a atuação deste Presidente da Mesa de Voto, tendo sido apresentada queixa à Comissão Nacional de Eleições (CNE)”.

A versão do comunicado do Chega sobre os incidentes causados pelo delegado da candidatura de André Ventura no processo de votação é um conjunto de falsidades, com realidades alternativas ao estilo do trumpismo“, declara ao Mais Ribatejo António Miguel, presidente da mesa da secção de voto antecipado no Entroncamento.

“O primeiro incidente aconteceu quando o delegado da candidatura de André Ventura entrou na secção de voto e se apresentou na mesa sem usar a máscara – que todos sabemos ser obrigatória – tendo sido repreendido por um dos elementos da mesa”, afirma António Miguel.

Depois, “ao longo do processo de votação o delegado da candidatura de André Ventura passou o tempo ao telemóvel a fazer comentários com despropósito em voz muito alta“, adianta o presidente da mesa. “Após o encerramento das urnas, o sr. Rafael Costa continuou a fazer comentários despropositados ao telemóvel, pelos quais o repreendi , pois estava a perturbar o processo de contagem dos votos, tendo-lhe solicitado que parasse os comentários ou saísse da sala para fazer as chamadas“, prossegue o presidente da mesa.

“Nesse momento, o delegado de André Ventura começou a recolher imagens com o telemóvel do processo de contagem dos votos, ao que lhe pedi para parar, sendo-lhe apenas permitido fotografar ou filmar no exterior da sala”, afirma António Miguel.

“Então, ele tomou a iniciativa de sair da sala e passado algum tempo regressou com os agentes da PSP, aos quais apresentou uma reclamação de que teria sido expulso da sala e de que não o teria deixado entrar; o que são falsidades, como todos os outros elementos da mesa comprovaram e ficou registado em acta“, salienta o presidente da mesa de voto.

A seguir, “ele acabou por voltar à sala de voto e ficou calado até ao final da contagem dos votos, mas depois veio alegar que houve votos não contados e outras falsidades que deixaram perplexos todos os elementos da mesa de voto”.

António Miguel repudia a “prática política desse indivíduo e do partido a que está ligado, ao estilo do trumpismo a que assistimos nas últimas eleições nos Estados Unidos da América“.

No comunicado à imprensa, o Chega salienta que “após este ato lamentável, aguardamos por 24 de janeiro, dia das Eleições Presidenciais 2021, esperando que todos os intervenientes estejam à altura da enorme responsabilidade que é eleger o mais alto cargo da República, desejando que a votação decorra serenamente e os resultados sejam apurados com a máxima lisura, garantindo assim a legitimidade do futuro Presidente da República de Portugal“.

Na verdade, o partido de Ventura está a disseminar e a cavalgar a tese de esquemas fraudulentos em curso no processo eleitoral para prejudicar o seu candidato presidencial, como revela a reportagem da Visão que pode ler aqui.

Uma declaração que – a somar às mensagens sobre “fraudes nas contagens de votos” que os partidários do Chega fazem circular nas redes sociais e nalguns meios de comunicação social – faz temer que venhamos a assistir no próximo domingo a mais incidentes perturbadores como os que aconteceram no domingo no Entroncamento.

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