Do bom uso do medicamento à automedicação responsável

Em Saúde

O sistema de saúde procura incentivar os cidadãos ao bom uso do medicamento, espinha dorsal da cultura do medicamento e dos autocuidados, intervêm a vigilância médica e o aconselhamento farmacêutico, este bom uso abrange todos os tipos de medicamentos, visa-se que o utente ou o doente conheçam o melhor possível o que estão a tomar, dando especial atenção às doses, horários, duração da terapêutica e as precauções específicas. A automedicação está exclusivamente confinada a medicamentos não-prescritos, só serve para prevenir e tratar sintomas e doenças que não requeiram a consulta médica. Há hoje um consenso alargado quanto aos critérios que definem a automedicação: está associada a sintomas e não a um diagnóstico médico; o seu universo é exclusivamente constituído por doenças ligeiras; a duração pode variar de acordo com as circunstâncias, mas deve pautar-se por um período entre 3 a 7 dias; não é apropriada quando há persistência de sintomas, agravamento do estado de saúde, dores intensas ou agudas, ocorrência de reações adversas. O seu âmbito, no essencial, é constituído por sistema digestivo (caso de diarreia, enfartamento, prisão de ventre, higiene oral, estomatites); sistema respiratório (sintomatologia associada a estados gripais e constipações, tosse e rouquidão); sistema cutâneo (algumas queimaduras, verrugas, acne ligeiro ou moderado, herpes labial, calos e calosidades); sistema muscular/ósseo (dores musculares ligeiras a moderadas e contusões); estados febris de pouca duração; irritação ocular de duração inferior a três dias; dismenorreia primária, contraceção de emergência e higiene vaginal.

Mas há situações em que a automedicação está desaconselhada, é o caso das grávidas, das mães que amamentam e dos bebés, impondo-se cuidados redobrados com os idosos vulneráveis. Tudo isto tem a ver com erros de dosagem que podem ser fatais, a exigência das grávidas ao deverem tomar medicamentos sobre vigilância médica e no caso dos seniores vulneráveis há que evitar o risco de ocorrência de interações entre medicamentos. Exemplos dessas interações: alguns anti-histamínicos, tomados conjuntamente com calmantes potenciam o efeito sedativo; doses elevadas de vitamina C interferem com os testes de determinação da glucose na urina.

No aconselhamento farmacêutico o doente deve disponibilizar informações essenciais sobre eventuais quadros alérgicos, se esteve recentemente a tomar outros medicamentos, se tem planeada uma cirurgia, intervenção estomatológica ou outros tratamentos. O doente ou utente em caso algum deve partilhar os medicamentos utilizados por familiares ou amigos: a dispensa do medicamento é sempre personalizada. O utente ou doente deve estar atento às reações adversas e descrevê-las com clareza, caso ocorram, como por exemplo: erupção cutânea, hematoma, aparecimento de hemorragias, náusea grave, diarreia, prisão de ventre, estado confuso e dificuldades respiratórias, entre outras.

Atenda-se a um exemplo prático dos medicamentos não prescritos para a tosse e resfriado das crianças, medicamentos que não curam mas aliviam os sintomas, devem ser mantidos na embalagem original, não se devem combinar medicamentos prescritos e não prescritos, e em caso algum se deve dar a uma criança medicamentos destinados aos adultos.

Mário Beja Santos

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