As achegas do chega

Em Opinião

Por uma questão de gosto nunca escrevi uma linha acerca do recém-chegado partido político o CHEGA. Por uma questão de estética nunca me interessaram as opiniões de André Ventura. No entanto, acompanho desde o início a trajectória e o múnus do seu líder por se ter transformado num ponto focal de fricção político teorizado no século XIX por Gustave Le Bon na obra a Psicologia das Multidões.

O demagogo Ventura questiona e exacerba sentimentos telúricos da sociedade portuguesa, especialmente a de matriz rural explorando até ao tutano as suas pulsões negativas – complexos de inferioridade, inveja, justiça/injustiça, amor-próprio, memória e orgulho – a darem azo a um caldo de cultura baseado no visceral antagonismo entre a acarinhada extrema-esquerda bem comportada e a extrema-direita violenta, grosseira, grotesca e abusadora.

As recentes eleições presidenciais constituíram o primeiro teste à qualidade da sopa, a esquerda foi esmagada, os direitistas e Ventura após conhecerem os resultados ensaiaram uma dança revanchista, egoísta e fingidora. As expectativas de caldo entornado levaram o vencedor do prélio, Marcelo Rebelo de Sousa no discurso de vitória a fazer adequados avisos à navegação, pois o Professor viu e meditou relativamente ao filme “O Ovo da Serpente” de Ingmar Bergman.

Vale mais prevenir que remediar!

Armando Fernandes

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