Distrito de Santarém aumenta faturação nacional em ano de pandemia

Em Empresas

Ao contrário do que acontece com a maioria dos distritos portugueses, Santarém registou um crescimento de 2% na faturação de origem nacional no total acumulado até novembro de 2020 face ao período homólogo de 2019.

Fonte: Report REDUNIQ Insights – 16 de Dezembro

Estes números encontram-se em evidência no último relatório REDUNIQ Insights, solução de conhecimento que analisa a evolução transacional no sistema de retalho português, que indica que apesar de uma quebra de 43% no total acumulado da faturação estrangeira em Santarém, o consumo efetuado pelos portugueses acabou por crescer ajudando a colmatar as perdas totais.

Numa análise mês a mês, este relatório indica que a faturação total na capital do Ribatejo manteve-se em território positivo desde julho com crescimentos que variaram entre os 1% e 4% (valor registado em outubro). Apesar de positivos, estes valores estão ainda longe dos 8% registados em fevereiro do ano passado.

Fonte: Report REDUNIQ Insights – 16 de Dezembro

Em sentido oposto, Faro, Lisboa, Madeira, Porto e Açores registaram quebras de faturação até novembro de 28%, 26%, 21%, 16% e 16%, respetivamente. Vários distritos, como Braga, Vila Real e Viseu, que já tinham recuperado quase a faturação perdida durante os meses de confinamento, voltaram a apresentar quebras na ordem dos dois dígitos.

De forma global, até novembro, o número acumulado de transações e da faturação total atingiu, respectivamente, -12,50% e -18,05%, face a igual período de 2019. No geral do Sistema de Retalho, e após uma relativamente rápida e acentuada recuperação observada entre maio e final de agosto, os níveis de faturação têm, desde então, revelado uma tendência de estabilização em valores um pouco mais de 10% abaixo dos períodos homólogos.

Restauração, Moda e Gasolineiras lideram perdas

Em termos setoriais, a evolução transacional entre outubro e novembro mostra que, face ao período homólogo, as categorias mais prejudicadas com as medidas restritivas foram a Moda (que passou de -15% para -35%), a Restauração (de -10% para -27%), as Gasolineiras (de -7% para -17%), e as Perfumarias (de -14% para -22%).

Em sentido inverso, os negócios do Retalho Alimentar Tradicional e da Saúde aumentaram a sua faturação de 53% para 70% e de 23% para 36%, respetivamente. Por outro lado, e apesar das condicionantes aos horários de funcionamento impostas durante o mês de novembro, o setor dos Hipers e Supermercados conseguiu manter-se em valores praticamente iguais aos de 2019.

Utilização do Contactless democratiza-se

Dentro de um cenário de perdas generalizadas, o pagamento contactless sobressai pela tendência de crescimento que se observou durante todo o ano de 2020.

De acordo com o documento REDUNIQ, esta forma de pagamento “sem contacto” representava, em novembro, 35% do total de faturação dos negócios portugueses, face aos 34% do mês anterior e aos 8% alcançados em período homólogo de 2019.

O rápido crescimento do contactless em 2020 é sintomático da democratização da sua utilização. A sua maior higiene em relação ao dinheiro físico (cartão contactless e terminal de pagamento não se tocam), simplicidade de utilização e segurança levou a que, entre março e agosto, o peso do contactless no total dos pagamentos tenha duplicado, representando no oitavo mês do ano mais de 1/4 do total da faturação e, como já assinalámos, mais de 1/3 no final de novembro.

Tudo aponta que este crescimento não fique por aqui. Recentemente, o Banco de Portugal (BdP) deu a conhecer a “Estratégia Nacional para os Pagamentos de Retalho | Horizonte 2022”, um conjunto de ações cujo objetivo passa por fazer com que, dentro de três anos, todos os cartões em circulação no nosso país tenham esta tecnologia de pagamentos “sem contacto” instalada.

A primeira medida nesse sentido já foi tomada e implicou que, até final de dezembro passado, as entidades responsáveis pela emissão de cartões se vissem obrigadas a incorporar a tecnologia contactless nos novos cartões de pagamento emitidos e a promover a sua ativação pelos utilizadores.

Para este ano, as indicações presentes no documento do BdP estendem-se aos terminais de pagamento automático (TPA). Assim, em 2021, o regulador irá promover a incorporação do contactless nos novos terminais ou garantir a sua ativação, no caso de um TPA físico que já disponha da opção de pagamentos contactless.

À semelhança dos cartões, os dados indicam que, atualmente, metade dos TPA existentes em território nacional estejam equipados com tecnologia contactless.

Sobre o REDUNIQ Insights

O REDUNIQ Insights é uma solução de conhecimento que pretende disponibilizar análises com base em informação sobre a atividade do retalho nacional, suportando empresas na geração de insights e na tomada de decisões de desenvolvimento dos seus negócios.

As informações recolhidas para a elaboração deste relatório refletem a dinâmica de entrada de novos pontos de venda no sistema REDUNIQ, a necessidade percebida pelos retalhistas de passarem a oferecer meios de pagamento alternativos aos seus clientes, que levou a um aumento da procura de TPA Contactless da REDUNIQ, e projetam o efeito de transferência para meios eletrónicos de pagamentos historicamente feitos em dinheiro vivo. Percebidas como um todo, estas duas variantes ajudaram a desenhar o mapa detalhado da evolução transacional no sistema de Retalho português.

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