Foto: Kike On Tour

Fundo Social de Emergência: para que servem os políticos em Santarém?

Em Opinião

A proposta do Bloco de Esquerda de criar um Fundo Social de Emergência, FSE, em Santarém, mostrou quem realmente faz política para as pessoas e a sua comunidade.

A proposta, que foi debatida e votada na Assembleia Municipal de 18 de janeiro, que pode ver a clicar aqui, marca a diferença entre a gestão camarária autocrática de Ricardo Gonçalves e uma oposição que faz política contribuindo positivamente com soluções para as pessoas mais fragilizadas pela crise.

Esta proposta foi aprovada com 20 votos a favor, 16 contra e 6 abstenções, mostrando que mesmo eleitos do PSD viabilizaram a proposta do Bloco que eu apresentei.

Os votos contra, anunciados da bancada do PSD, foram previamente manifestados como e cito: “matriz ideológica”, ou por já existência de meios locais. A posição ideológica teve como base que isso é tarefa do governo; objetivamente, digo eu: são contra porque o governo é de outro partido e são contra porque são avessos a apoios às pessoas mais frágeis como o RSI. Sabemos o que aconteceu nos Açores não sabemos?

Foto: Cristina Gottardi

A existência e resposta de meios locais, apesar do empenho de muitos atores da Rede Social, é insuficiente. “Todo o mundo” sabe.

Entendo que a posição do Sr. Presidente da Câmara teve ainda dois objetivos: i) evitar uma maior responsabilização solidária da sua gestão política, defendendo apoios sociais essencialmente no conceito das ações e rede de caridade e ii) fugir de uma coordenação política sobre verbas pois, como bem referiu o deputado municipal, José Magalhães do Grupo Mais Santarémpode-se canalizar para o Fundo verbas de grandes eventos não realizados (…) assim sabendo que temos recursos e não verbas dispersas”.

É até estranho, ou talvez não, que Ricardo Gonçalves “não entenda” que na proposta do BE está escrito que “junto da Rede Social concelhia e do Conselho Local de Ação Social de Santarém, se estude e debata as necessidades, as condições de resposta e as eventuais novas capacidades a essa resposta”!

Valorizo positivamente o esforço de pessoas e instituições no seu apoio aos mais carenciados, mas não podemos ignorar as consequências tão graves de uma crise económica e pandémica. Já agora: é preferível gastar 20 000 € a apoiar famílias carenciadas do que a apoiar touradas!

Proposta pela melhoria e requalificação das passadeiras também foi aprovada.

Esta proposta do BE, identificou vários problemas em passadeiras, suportou-se em exemplos de boas práticas e em documentação de Engenharia de Segurança Rodoviária, que pode ler a clicar aqui.

É preciso mudar o paradigma de conceito de mobilidade e interação rodoviária. A proteção das pessoas tem de estar em primeiro lugar. As estradas da cidade, vilas e aldeias do concelho não são pistas de velocidade nem são de único usufruto da circulação automóvel: são um bem de todas as pessoas e a todas deve servir e proteger.

Por isso, o paradigma – que também o atual Executivo Municipal tem valorizado nos planos de reconversão urbana – tem de mudar. As estradas têm de ser uma boa solução, não um mau problema!

Desejo e bater-me-ei para que os anunciados projetos de reconversão de ruas e avenidas tenham isto em conta. As crianças e todas as pessoas ganharão com isso.

Por fim, é esta postura de oposição construtiva que deve estar no centro da política. É uma ação política com valores de uso como a solidariedade e a construção de soluções para todas as pessoas – não de conflito e exclusão. É desta oposição construtiva que as e os habitantes desta terra não se podem abster!

Para que servem os políticos? Para servir todas as pessoas e não se servir delas!

Vítor Franco

(deputado municipal pelo Bloco de Esquerda)

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