Perguntas provocatórias

Em Opinião
Foto de Maia Habegger

Quis saber quem sou
O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci,

O artigo desta semana tem uma pergunta simples: o que faz aqui?

— Que faz nesta comunidade, nesta cidade, neste concelho, neste país?

— Dita moral no Facebook, que os políticos são corruptos, só querem é tacho, são todos iguais, ou não quer saber de política para nada?

— Troveja impropérios e acusações sem verificação, ou diz ser preciso vir alguém que ponha ordem nisto — sem saber o que é a ordem ou o que significa em concreto?

— Exprime raivas incontidas, frustrações sem solução?

— Anseia por um novo D. Sebastião, qual salvador que mobilize tropas obedientes, qual ditador que imponha disciplina?

Pode-se exprimir isso tudo — mas também se pode pensar: O que faço aqui?

Isso mesmo. O que faz o leitor aqui?

Pergunto:

— Já fez algo positivo para contribuir positivamente para a terra em que vive, ou acha que isso é só responsabilidade dos outros?

— Já se preocupou com a poluição dos rios ou a proliferação de lixeiras nas matas, ou também despeja os seus monos ou restos das obras da casa nas barreiras da cidade?

— Já se preocupou com o que se passa no ordenamento do território, o que é a Reserva Ecológica ou Agrícola, como funciona o IMI, como se organizam os serviços públicos e como impactam consigo e com a sua localidade?

— Já tentou um olhar sobre a escravatura moderna que castiga seres humanos — os imigrantes —, aqui na região, ou “não está nem aí”?

— Já deu alguma ajuda às pessoas que chegam à miséria, vindas de contratos precários, trabalho ao dia ou precariedade deste capitalismo impiedoso?

— Já participou em sindicatos, associações desportivas ou culturais, ajudou crianças a praticar desporto ou apoiou a vida cultural na sua terra?

— Já alguma vez deu sangue ou ajudou a dinamizar recolhas de sangue?

Perguntei por mim
Quis saber de nós…

Encare as perguntas como um desafio positivo.

Renasça para a democracia, para a solidariedade, para a política!

Sejamos gente “com gente dentro”, gente que pensa, afinal, O que faço aqui?

Vamos agir pela justiça e pela diminuição da desigualdade!

Vítor Franco

(deputado municipal pelo Bloco de Esquerda)

E depois do Adeus”, interpretada por Paulo de Carvalho, com letra de José Niza, música de José Calvário.

Leave a Reply