Como alcançar a economia circular na UE até 2050

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Descubra o plano de ação da UE para a economia circular e as medidas que os eurodeputados propõem para reduzir resíduos e promover produtos sustentáveis.

Se continuarmos a explorar os recursos naturais como o fazemos agora, em 2050 necessitaremos dos recursos de três planetas Terra para satisfazer as nossas necessidades. Os recursos finitos e as questões climáticas requerem a passagem de uma sociedade “extrair, fabricar, deitar fora” para uma economia neutra em termos de carbono, ambientalmente sustentável, isenta de tóxicos e totalmente circular até 2050.

A crise atual evidenciou fraquezas nas cadeias de recursos e de valor, atingindo as pequenas e médias empresas e a indústria de um modo geral. Uma economia circular reduzirá as emissões de CO2, estimulará o crescimento económico e criará oportunidades de emprego.

Leia mais sobre a definição e os benefícios da economia circular.

https://yt.europarltv.europa.eu/embed.min.html?id=4756&lang=pt#

O plano de ação da UE para a economia circular

Em conformidade com o objetivo de neutralidade climática até 2050 da União Europeia (UE) no âmbito do Pacto Ecológico, a Comissão Europeia (CE) propôs um novo Plano de Ação para a Economia Circular em março de 2020, centrado na prevenção e gestão de resíduos e destinado a impulsionar o crescimento, a competitividade e a liderança global da UE neste domínio.

No dia 27 de janeiro, a Comissão do Ambiente do Parlamento Europeu apoiou o plano e pediu metas vinculativas para 2030 para o uso e consumo de materiais. O relatório será votado na sessão plenária de fevereiro.

Consumir produtos mais sustentáveis

Para alcançar um mercado da UE de produtos sustentáveis, neutros em termos climáticos e eficientes ao nível dos recursos, a Comissão propõe o alargamento da Diretiva relativa à Conceção Ecológica a produtos não relacionados com o consumo de energia. Os eurodeputados querem que as novas regras sejam vigentes em 2021.

Os eurodeputados apoiam igualmente as iniciativas destinadas a combater a obsolescência planeada, melhorar a durabilidade e a reparabilidade dos produtos e reforçar os direitos dos consumidores através do “direito à reparação“. Eles insistem em que os consumidores têm o direito de ser devidamente informados sobre o impacto ambiental dos produtos e serviços que compram e solicitam que a Comissão apresente propostas para combater o “ecobranqueamento“.

Tornar setores cruciais mais circulares

A circularidade e a sustentabilidade devem ser incorporadas em todas as etapas de uma cadeia de valor para alcançar uma economia totalmente circular: desde a conceção à produção e até o consumidor final.

O plano de ação da CE aponta sete setores essenciais para alcançar uma economia circular: plásticos; têxteis, resíduos eletrónicos; alimentação, água e nutrientes; embalagens; baterias e veículos; edifícios e construção.

Plásticos

Os eurodeputados apoiam a Estratégia Europeia para os Plásticos na Economia Circular, que permitirá eliminar de modo gradual a utilização de microplásticos.

Leia mais sobre a estratégia da UE para reduzir os resíduos plásticos.

Têxteis

Os têxteis utilizam muitas matérias-primas e água, sendo que apenas 1% dos têxteis são reciclados. Os eurodeputados querem novas medidas contra a perda de microfibras e normas mais rigorosas relativamente à utilização da água.

Descubra de que forma a produção e os resíduos têxteis afetam o ambiente.

Eletrónica e TIC

Os resíduos de equipamentos elétricos e eletrónicos são o fluxo de resíduos de mais rápido crescimento na EU e só menos de 40% é que são reciclados. Os eurodeputados querem que a UE promova uma duração mais longa da vida útil dos produtos através da reutilização e da reparação.

Conheça alguns fatos e números sobre os resíduos elétricos e eletrónicos.

Alimentos, água e nutrientes

Estima-se que 20% do total de alimentos produzidos seja perdido ou desperdiçado na União Europeia. Os eurodeputados exortam a que se reduza para metade o desperdício de alimentos até 2030, no âmbito da Estratégia do Prado ao Prato.

Embalagens

Os resíduos de embalagens na Europa atingiram um recorde em 2017. As novas regras visam garantir que todas as embalagens existentes no mercado europeu sejam economicamente reutilizáveis ou recicláveis até 2030.

Baterias e veículos

Os eurodeputados encontram-se a analisar as propostas que exigem que a produção e o material de todas as baterias no mercado europeu tenham uma pegada de carbono mínima e respeitem os direitos humanos, assim como as normas sociais e ecológicas.

Construção e edifícios

O setor da construção representa mais de 35% do total de resíduos da União Europeia. Nesta área, os eurodeputados querem que a vida útil dos edifícios seja aumentada, bem como metas para a redução da pegada de carbono dos materiais e requisitos mínimos em matéria de eficiência energética e de recursos.

Gestão e transferência de resíduos

A União Europeia gera mais de 2 500 milhões de toneladas de resíduos ao ano, oriundas principalmente dos agregados familiares. Os eurodeputados pedem aos Estados-Membros da UE para aumentar a reciclagem de elevada qualidade, abandonar a deposição em aterros e minimizar o recurso à incineração.

Verifique as estatísticas de deposição em aterros e reciclagem na UE.

Fonte: Site do Parlamento Europeu

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