Comeres & beberes – Tó

Em Ribatejo Cool

Todos quantos exercitaram o intelecto a fazer palavras cruzadas (coisa em desuso nos tempos correntes) sabem que significa porco pequeno, leitão pequeno, bacorinho de leite e, muitas demais designações ou não fosse o tó delicadeza gastronómica de grande expressividade palatal, de excelsa sapidez para todos quantos gostam de carne mimosa revestida por pele sedo que assada e constipada como mandam as canónicas regras produz enorme prazer gustativo.

Os inimigos da carne (sem conotação religiosa que podemos ler nos catecismos antigos) representados no Parlamento, os vegetarianos irredutíveis não sabem quanto perdem no tocante ao gosto de tasquinharem a pele tostada do tó, aquela pele que os cozinheiros de agora classificam de crocante (é chique), ao invés as Mestras cozinheiras dizem, e bem, estaladiça, de estalar mansamente entre os dentes.

O leitão assado é nos dias de hoje alimento de truz, como sempre foi, a diferença (da maior importância, reside no facto de ser muito mais acessível a largos extractos das populações, quando outrora só os possidentes exultavam ao o comerem na justa medida de os restantes não se poderem dar ao luxo de os matarem, mormente as porcas dada a sua validade económica no tocante à reprodução.

Agora, acrisolado manducante de leitão assado, seja a degustar o leitão recheado ao modo de Vinhais, seja à maneira de Negrais ou Águas Belas, quando é possível, sem esquecer a universalidade do bacorinho alma-mater da Bairrada e largos arredores devido à Malaposta, a peste confinou-me a saborear leitão assado aos sábados vendido no restaurante Noémia (Rio de Moinhos – Abrantes), e viva o Velho! A megera epidemia ataca tudo e todos. E, não se pode exterminar?

Armando Fernandes

Leave a Reply

Recentes de Ribatejo Cool

Ir para Início
%d bloggers like this: