Coligação BE + CDU + PS nas próximas autárquicas?

Em Opinião

Desejando uma mudança positiva, no concelho, há pessoas que colocam a possibilidade uma coligação BE + CDU + PS nas próximas autárquicas. Têm em boa conta a geringonça, que foi pós eleitoral, na Assembleia da República, que permitiu uma resposta mais à esquerda e melhoria na vida das pessoas.

Contudo, vamos a factos, ao valor de uso da política e analisemos os argumentos.

1. Factos.

A CDU e PS já decidiram ir com listas próprias!

1.1. No seu recente congresso o PCP manteve a sua matriz: concorrer pela CDU, ponto. Cito a resolução do seu congresso: as “… Eleições Autárquicas de 2021 serão enfrentadas como um momento para, a partir da consolidação e reforço da CDU…” confirmar “o projeto distintivo da CDU”. Respeito a decisão do PCP!

1.2. De igual forma respeito a decisão do PS. Este até já decidiu avançar com os cabeças de lista. “Foi, ainda, decidida delegação de competências nestes candidatos para definição de todas as listas no concelho de Santarém. Manuel Afonso foi bem claro na sua conferência de imprensa: “O PS é o instrumento político”.

1.3. Aqui chegados: ninguém consegue ter como cônjuge alguém que não quer casar! PS e PCP decidiram como entenderam e a responsabilidade política é só deles.

1.4. Caros amigos e amigas, não vale a pena “chorar sobre o leite derramado”. Veremos depois das eleições, se as e os eleitores derem força ao Bloco de Esquerda para puxar soluções à esquerda. Como o Bloco já demonstrou, local e nacionalmente, sempre procurámos juntar forças e ter uma oposição construtiva e de esquerda à gestão das direitas.

2. O que é que a política local influi na vida das pessoas?

A política local tem ou não tem uma responsabilidade de resposta às pessoas e de transparência do poder?

Por exemplo:

2.1. As responsabilidades do município na educação, o acordo de transferência de competências na educação, assinado por Sócrates e Moita Flores, que já deu cerca de 10 milhões de euros de prejuízo a Santarém e que Ricardo Gonçalves quis manter?

2.2. As privatizações de serviços e atividades da Câmara, que tudo entrega a empresas privadas, desde a cultura ao crematório, mais parecendo uma agência de financiamento a empresas privadas do que uma Câmara Municipal de uma capital de distrito?

Escandaloso: após gastar 2 milhões de euros no Mercado Municipal a Câmara vai receber apenas dois mil euros por mês – o que paga mensalmente pelo aluguer do ex. ginásio do seminário para aí ter a Sala de Leitura Bernardo Santareno!

2.3. Os crimes ambientais no Rio Maior, no Alviela, no Tejo? A impunidade com que se despejam lixos nas barreiras ou não se faz a limpeza da cidade? O esgoto a correr direto ao Tejo em Alfange? O despautério das suiniculturas que empestam as localidades de cheiro a dejetos como na Póvoa da Isenta, ou despejam urina no rio Alviela? A visita do secretário de Estado, acompanhado do presidente da Câmara, à suinicultura de Pernes que vai engordar quase 2 mil porcos em simultâneo é a mensagem de que lado estão os poderes central e local: as atividades poluentes como “pilar” económico!

2.4. Ou sobre o governo ter orçamentado para 2021 menos 51 milhões para as câmaras, voltando a falhar as regras de cálculo das transferências para as autarquias segundo a Lei das Finanças Locais

2.5. A alteração que o governo fez ao regime geral de gestão de resíduos, que, “aumentou o valor da Taxa de Gestão de Resíduos (TGR) de 11€/ tonelada, para 22€/ tonelada” terá custos na sua fatura da água. Por que é que não são as empresas produtoras de embalagens inúteis, lixo desnecessário e poluição a pagar em vez dos consumidores e autarquias? Porquê a impotência da Câmara perante a Resitejo?

2.6. O não reforço, pelo governo, do financiamento dos corpos de bombeiros da Administração Local? Ou a insuficiente dotação financeira para refeições ou transportes escolares face à pandemia? Ou as falhas no apoio aos alunos carenciados?

2.7. A não existência de ciclovias, a confusão com a nova estação rodoviária e a mobilidade das pessoas, o desleixo no património, nos jardins, a desconsideração aos artistas locais, a insuficiência na resposta às necessidades animais?

2.8. Que dizer do acordo de bloco central PSD + PS para dividir entre si a gestão das Comissões de Coordenação Regional que irão gerir milhares de milhões de euros dos fundos comunitários? Ui! Os amigos “salivam à espera do seu quinhão”. Temo que seja preciso revisitar a “Estratégia Nacional de Combate à Corrupção 2020-2024”.

Ou que dizer da “benemérita” nomeação de líderes do PSD como dirigentes da Viver Santarém, Cnema e Águas de Santarém?

2.9. Oposição do PS? Aquele que se dizia opositor à lei de Miguel Relvas? É que depois de 5 anos sendo governo continua a não ser consagrado o direito de restituir a freguesia a quem pugna a sua dignidade histórica e identidade como Vaqueiros e Vale de Figueira ou à sua criação e desenvolvimento harmonioso como S. Domingos!

2.10. Outro exemplo: o chamado projeto Tejo, apoiado por PS e PSD. Transformar um rio vital ao abastecimento de água e à saúde pública, num conjunto de “charcos” ao serviço do negócio da agricultura química e intensiva que podem servir aos bolsos de alguns latifundiários – mas não serve às populações!

3. A necessidade de uma oposição de esquerda forte.

A política local tem de ter valores de esperança e de uma comunidade viva!

Estes temas poderiam ter sido alvo de proposta alternativa e ação do PS nestes anos ou na apresentação da candidatura do PS. Mas não foi. Porquê? Porque o PS tem o mesmo modelo de gestão autárquica do que o PSD, como mostram as recentes leis autárquica.

O negócio do poder está no centro! Também por isso, desde 2005, o PS nunca conseguiu ter ideias alternativas e ser oposição à dupla Moita Flores / Ricardo Gonçalves!

Ricardo Gonçalves vai ganhar as próximas eleições – falta-lhe uma forte oposição de esquerda! O que falta na Câmara é força de esquerda, não é mais apatia e centrão de negócios. Faz falta mais transparência, mais democracia, mais cidadania, mais ouvir as populações [por exemplo em referendos], redução das desigualdades e injustiças e menos negócios a favor de alguns privados com o dinheiro de todos nós.

Estou certo: juntar-se-ão pessoas numa oposição de esquerda forte, de qualidade e afeto a Santarém!

Por último, termino relembrando que este texto expressa apenas a minha opinião pessoal!

Vítor Franco

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