Comeres & beberes – Pato

Em Ribatejo Cool

No sábado almocei pato assado. No cárcere da pandemia, especialmente aos fins-de -semana, numa aldeia periférica a uma cidade pequena, as possibilidades de alterar a dieta são escassas, por isso mesmo apreciar um marreco assado no forno é indício de regozijo palatal dada a alteridade, por isso mesmo escolhi um grácil tinto Conde de Vimioso e, porque a ave palmípede, domesticada na China há mais de dois mil anos estava airosa, apreciei-a sem delongas e ajudou-me a suster o desejo de soletrar imprecações contra a peste que nos atormenta e amedronta.

Prisioneiro, confinado ao domicílio e redondezas, escrevo esta crónica dizendo aos leitores que leiam, ouçam música e procurem escapatórias gustativas que lhes possibilitem algum prazer porque este estado de coisas está para durar.

Ora, o pato, os patos, são óptimas opções no refrescamento das dietas na justa medida de darem azo a centenas de receitas, até da denominada alta cozinha, sendo responsáveis pela fama de inúmeros restaurantes, lembro o renomado La Tour d’Argent que enquanto não perdeu uma estrela Michelin devido a «gato por lebre num prato de peixe», teve parvenus portugueses a lá irem, a fim de trazerem e exibirem a etiqueta do pato prensado que ali degustaram.

Há livros de receitas consagrados ao pato, há patos (custam mais que os frangos mas vale a pena), por assim ser, e é, permito-me recomendar o exercício de cozinharem pata com azeitonas, pato com pêssegos (os carecas são muito bons), e nas casas com lareira ensaiem assar o pato no espeto. As empadas de pato também merecem ser referidas, no entanto, poucas pessoas as cozinham, para desgosto meu.

Os patos têm dado origem a chistes, anedotas e toda a sorte de facécias. Não vale a pena recordá-las. Este ano não há Carnaval, mas o leitor pode rir a bom rir revendo o filme Pato com laranja. Na altura da sua exibição e Portugal irromperam protestos de mentes retrógradas, algumas com sotaina. Lembram-se!

Armando Fernandes

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