A Lebre de Março

Em Opinião

Como este tempo vai de moléstia com a lebre na toca donde se alcança longe, resolveu ela, pondo o focinho sem vergonha de fora por desenfado, dar conta de quanto visse ao Chapeleiro, à Alice, ao Gato que ri, ao Coelho Branco, dando ainda parte aos leitores menos sisudos do MAIS RIBATEJO que lá diz o outro fresca é a castanha que em março arreganha.

Repara ela daqui, que tem boa vista, que arrancaram as bolas ao Largo do Seminário, da capital Ribatejana, que as tinha no lugar onde está aquela estátua do excelente Maneta e serviam para as pessoas tropeçarem a fugir da peste, com o que faziam rir cá a lebre que há muito se habituou à moléstia e ao efeito de estufa onde os humanos nos guizam com feijão branco e  qualquer dia saem cozidos.

Espera-se agora que Santarém desembolada, por respeito à tradição das largadas de touros, não vá a correr investir contra o Governo de Lisboa e famílias deles, resguardado no burladero da política com chicuelinas e passes de peito às marradas da oposição, que mal vai a raposa quando anda aos grilos e fica a chuchar no dedo, pois é verdade que se março marceja de manhã chove à tarde calmeja. 

Que isto de politicagem é uma no cravo e quatro na ferradura pois o eleitorado nunca está quieto com os pés, sempre a mudar de pouso, assim não há com acertar-lhe na vontade já que março virado do rabo é pior que o diabo, e quem faz casa na praça ou dizem que é alta ou juram que é baixa.

Comer, beber e amores e guardem-se de mais moitas de flores com espinho, não indo de novo no engodo da fama dos de fora que escrevem pior que torto e mau caminho, andam às avessas com o direito, comeram o isco e tal e coisa no anzol, depois dão à sola como mestre sapateiro, são gato por lebre, e não digam que não vêem moita donde salte lobo, que isto são pérolas a porcos e donde menos se espera salta um coelho pois a bom entendedor meia palavra basta, e lá reza o anexim, azeite, vinho e amigo, do mais antigo, que quem vos avisou meu amigo era.

É bem verdade que com esta peste não há onde meter o dente nem cultura, mas em troca há muita suinicultura sem rei nem roque com os ditos triunfantes e outros afins, de vária proveniência do Tejo p´ra cima, enquanto dos lados e p´ra baixo é tudo a eito, sem leis, protestos nem fiscais sérios, o que vale é que o povo é sereno e a toca cá da lebre, alta, não fica a talhe de foice dos políticos que nesta altura já andam numa frigideira a fingir que isto de porcos os incomoda, ao mesmo tempo que acham que sem pezinhos de coentrada a economia está arrumada, de quem já dizia o nosso chorado Clementino: deixá-los vir mas não me peçam dinheiro que estou a tocar o hino, pois é sabido que se queres um bom cabaço espera por março.

Do que a lebre gosta com o chá e fatias é de um bom livro que nem ginjas, por isso tem ali na toca o «Fastigímia» do Tomé Pinheiro da Veiga, autor tão raro e fino que só ela ( e o Beja Santos, claro), conhece, nem consta do escolhido arquivo da mui nobre e às moscas Biblioteca Braamcamp aí do planalto, muito menos dos críticos que agora descobriram o Orwell, a Szymborska e a pólvora e repetem muito que são distópicos, que a lebre não sabe se é coisa que se coma, mas p´lo sim p´lo não vai enrolar-se na toca aninhada no quente com a «Fastigímia» que mais vale um toma que dois hei-de dar-te, e podem chover covides que há-de nascer a erva em março nem que lhe dêem com um maço. Hasta la vista virus

LM

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