Cosmética

Em Opinião

Nunca como dias correntes a cosmética nas suas milhentas representações esteve tanto em voga. Nem na corte sofisticada de Bizâncio (vale a pena ler Gore Vidal), nem na extravagante dos imperadores romanos, a cosmética teve tanto feérico como fugaz, esplendor.

Nesses recuados tempos, os cortesãos e as cortesãs usavam e abusavam da cosmética funda de camadas de pomadas coloridas destinadas a encobrirem peles desvalidas, murchas, e falta de dentes ou olhos, bem mais tarde Camilo escreveu Olho de Vidro, sem esquecer a quadra a referenciar o pirata perna de pau, até às próteses actuais a referida cosmética possuía e possui o carácter instrumental de disfarçar defeitos e salientar virtudes corporais, a outra e cada vez mais ousada pretende apagar, soterrar, esquecer o antes afirmado e escrito.

A todo o tempo, a toda a hora, opinadores de vários quilates apressam-se a lançar pazadas de cosmética sobre o anteriormente vindo a lume seja em fogo brando (assa mais intensamente), seja em labaredas fumarentas a tentar enegrecer povos, comunidades e pessoas.

Os exemplos abundam, é Mamadou Ba a conspurcar a nossa História defendido pelo SOS racismo, é Sousa e Castro a ofender o povo judeu, é o inefável deputado socialista Ascenso Simões a debitar sentenças sem substância para logo a seguir desculpar-se canhestramente.

Esta cosmética é deletérica, confunde os cidadãos, leva a generalizações e enfraquece a troca de opiniões. E, para enfraquecimento da democracia vai durar. É pena!

Armando Fernandes

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