Mais Tempo para a relação Médico-Paciente: na Pandemia e no Pós-Pandemia

Em Correio dos Leitores

No meio da actual crise sanitária é sabido que é preciso aumentar, muito e drásticamente a produtividade dos médicos por forma a que seja possível salvar mais vidas para que se possa tratar a maior quantidade possível de doentes e reduzir os tempos de espera.

O problema é que métricas de produtividade dos médicos do SNS determinadas apenas pela necessidade de assegurar um uso óptimo de recursos – sempre – escassos fazem com que os médicos tenham cada vez menos tempo para falarem e ouvirem os seus pacientes: Mas a Inteligência Artificial (IA) pode ajudar. Pode inverter esta superficialização da medicina e, graças à imensidade de dados biomédicos hoje disponível e ao processamento em Big Data desses dados por sistemas de IA pode, nos minutos que precedem a consulta analisar todos esses dados e apresentar sugestões de perguntas e análises preliminares ao médico por forma a que este possa dedicar mais tempo ao seu paciente e escutar, melhor, aquilo que o leva à consulta. A IA pode ajudar nos processos de diagnóstico clínico. Sabe-se que se não se faz um diagnóstico em 5 minutos as hipóteses de, depois, ser preciso são apenas de 28% (Deep Medicine: How Artificial Intelligence Can Make Healthcare Human Again).

A tecnologia está aí, já não é tão inacessível como era há apenas um par de anos e temos a oportunidade de a usar ainda a tempo desta crise pandémica ou de, pelo menos, criar as condições para que seja usada na próxima crise sanitária que – inevitavelmente – se há-de suceder à actual.

Rui Martins

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