Para quem quer ser convencido…

Em Opinião

Às vezes dou comigo a pensar que gostava de viver numa cidade e num concelho em que não houvesse tanto para criticar pela negativa… Certamente não sou o único. Não, isto não quer dizer que não goste ou não queira viver em Santarém. Nada disso, esta foi a terra que escolhi como minha há quase 30 anos e onde muito provavelmente continuarei a viver enquanto durar. Mas julgo ser legítima esta minha ambição de habitar um concelho com uma governação que nos pudesse orgulhar um pouco mais. Só que, a ausência de estratégia, a ausência de consistência no que é decidido e apresentado, e, mais ainda, a constante tentativa de “tapar o Sol com a peneira” procurando ludibriar os mais incautos,  faz com que esse são orgulho não possa ser realidade.

Vem este meu desabafo todo a propósito de ter agora ficado ainda mais claro o que já se sabia: a nossa atual Câmara Municipal pretende enrolar e adiar o mais possível também a requalificação do Campo Emílio Infante da Câmara!

Já não têm quase conta as vezes que lembrei que em julho já de 2018 foi aprovada na Assembleia Municipal por larga maioria (62,2%) uma Moção que previa que o estudo prévio do projeto para o Campo Emílio Infante da Câmara (Campo da Feira) estivesse concluído até final desse ano e também que foi aprovada por unanimidade na Assembleia Municipal em outubro de 2018 uma Proposta que definia as linhas orientadoras consensualizadas entre as forças políticas a que esse estudo deveria atender.

Ao longo do tempo, o Presidente da Câmara foi dizendo já haver ideias concretas sobre o tema e que iria reunir com os grupos municipais para as apresentar e discutir, o que até agora não aconteceu. Foi também várias vezes dito que o estudo está entregue à Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa!

Entretanto parte nobre do espaço do Campo Emílio Infante da Câmara foi cedido para o Terminal Rodoviário e outros espaços foram também comprometidos, dificultando qualquer projeto digno, consistente e estruturado, como se pretendia para aquele local.

Agora, ao fim de mais de dois anos, surge uma Proposta de Delimitação de ARU (Área de Reabilitação Urbana) para a zona, sem promessas de mais nada. Só a referência a que “no prazo de três anos deverá a Assembleia Municipal aprovar, sob proposta da Câmara Municipal, os projetos de operações de reabilitação”. Esta proposta foi na segunda-feira aprovada em reunião de Câmara e irá a sessão de Assembleia Municipal nesta quinta. Só agora porque parece que também só agora se descobriu que a definição desta ARU é essencial para a obtenção dos necessários fundos comunitários.

Mas o que devia estar aprovado até final de 2018 não era isto. Era um Estudo Prévio para o espaço, coisa bem diferente!

O que agora se apresenta são 28 páginas de história do Campo Emílio Infante da Câmara, copy-paste de legislação e da proposta aprovada pela Assembleia Municipal, enumeração dos benefícios fiscais legais envolvidos (de que só beneficiarão Bancos, particulares residentes em prédios de luxo há poucos anos ali construídos e a Santa Casa da Misericórdia no que à Praça de Touros diz respeito).

Tudo para fazer crer que a Câmara deu importância e relevo à proposta aprovada por unanimidade na Assembleia Municipal em 2018… Convencerá alguns: os menos atentos e os que querem ser convencidos!…

Francisco Mendes

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