Sobe e desce

Em Opinião

Trauteava-se: Lá em cima está o Tiroliro, cá em baixo está o Tiroliroló, juntaram-se os dois è esquina a tocar a concertina a dançar o solidó. O panorama existente no que tange ao confinamento num constante sobe e desce lembra-me a risonha quadra do folclore que ora está em cima, ora este no fundo ao modo das setas que se vêm nos jornais a classificarem personalidades e actos por elas praticados.

Não há muito os pregoeiros faziam-se ouvir na praça pública a gritarem rogos e preces a fim de as Escolas fecharem portas no intuito de ser sustida a onda de infectados, de doentes nos cuidados intensivos e óbitos. O governo foi obrigado pelo clamor e escudado em pareceres de especialistas prudentes (obrigando a Senhora Marta Temido e o Senhor Rodrigues que se intitula ministro da Educação a dobrarem a cerviz) determinou o fecho das Escolas.

Passaram três semanas, as pessoas redobraram nos cuidados, o galope da Peste passou a trote preguiçoso, o número de vítimas da maléfica praga desceu num ápice e, os pregoeiros andam num frenesim a exigirem (vocábulo corrente nos órgãos de comunicação social) o afrouxamento das normas sanitárias porque as crianças necessitam de sol na praia e morrinha nos parques e jardins. É verdade, as crianças, todos nós precisamos de arejamento, no entanto, o acontecido no passado recente aconselha a fazer o sacrifício de continuarmos em clausura até depois da Páscoa, pois o Diabo pandémico é tendeiro e voltarmos à situação de permanente calafrio além de ser fatal para muitos de nós, o País, se está a sofrer tremendos prejuízos de vária ordem, o caos tomará conta de tudo, mas tudo, cujas consequências prefiro não pensar.

Manda a tão constantemente citada Dona Prudência a preferirmos um pássaro na gaiola (segurança sanitária) a dias de concertina e solidó de resultados imprevisíveis. O seguro morreu de velho!

Armando Fernandes

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