Tomar e o Plano de Recuperação e Resiliência

Em Correio dos Leitores

O Plano de Recuperação e Resiliência, que esteve em consulta pública até ao passado dia 1 de março, é um documento estratégico que apresenta as reformas estruturais fundamentais para assegurar a saída da crise pandémica e garantir um futuro de crescimento para Portugal. O investimento está centrado em três grandes áreas temáticas: resiliência, transição climática e transição digital.

À primeira vista, é um Plano merecedor da concordância de todos. Mas, uma análise mais aprofundada revela alguns factos preocupantes. O Plano beneficia de um envelope financeiro de quase 17 mil milhões de euros, dos quais quase 90% ficam no Estado, na Administração Pública e nas Infraestruturas Públicas e, na sua maioria, centralizados nas regiões de Lisboa e Porto. Precisamente o oposto a um dos principais objetivos deste Plano, a coesão territorial e social.

O Plano de Recuperação e Resiliência falha não só na distribuição do investimento pelo território, como falha também no investimento no tecido económico. A consulta pública teve, por isso, especial importância. Foi a oportunidade de cidadãos, empresas, associações, autarquias e outras entidades apresentarem os seus contributos para o Plano.

A propósito da consulta pública do Plano, a Presidente da Câmara Municipal de Tomar veio apelar aos tomarenses para que participassem pela inclusão da despoluição da bacia hidrográfica do Nabão. “Agora é a hora certa para fazer pressão” disse a Presidente. Agora? Apenas agora? E até aqui, o que tem feito a Câmara Municipal?

A poluição no rio Nabão é uma situação que nos revolta a todos. Assim como revolta a incapacidade de quem tem responsabilidades em encontrar soluções. Mas este apelo mais faz lembrar o exemplo do Primeiro Ministro António Costa quando tentou responsabilizar os portugueses pelo aumento do número de infetados com a Covid-19, descartando as suas próprias responsabilidades. Teria sido interessante ver também da Presidente de Câmara um apelo semelhante à participação dos tomarenses na consulta pública sobre o PDM.

A consulta pública do Plano de Recuperação e Resiliência foi uma oportunidade para Tomar e para a nossa região, para apontarmos as principais necessidades de investimento, nas infraestruturas, nas empresas, na mobilidade, na transição digital, entre outros.

Entendemos que o envolvimento da Câmara Municipal de Tomar neste processo é fundamental, assumindo a responsabilidade de apresentar contributos para o desenvolvimento do concelho e da região. Por isso, o PSD propôs na sessão da Assembleia Municipal do dia 26 de fevereiro a submissão de 3 contributos ao Plano de Recuperação e Resiliência:

•        Modernização da Linha do Norte

É de inteira justiça que a modernização da linha do Norte não seja mais uma vez esquecida e colocada em causa pela construção da linha de Alta Velocidade. Pela sua importância estratégica para o País e, em particular, para centenas de tomarenses que diariamente nela se deslocam, e pela falta de alternativas viáveis, este é um investimento considerado fundamental de forma unânime em toda a região.

•        Conclusão do IC3 – A13

Desde 1998 que o IC3 ficou integrado no Plano Rodoviário Nacional. Mais de duas décadas depois, subsiste um hiato de cerca de 30 kms entre Almeirim e Vila Nova da Barquinha. As consequências da não conclusão desta via são hoje sentidas diretamente pela população da região. Um investimento de dimensão nacional, urgente e absolutamente inadiável tendo em conta as centenas de milhares de toneladas de resíduos que todos os anos se vêm forçadas a atravessar aglomerados urbanos à falta do IC3.

•        Abertura da Base Área de Tancos à Aviação Civil

Pela sua localização estratégia próxima de Lisboa e servindo toda a região Centro e interior do país, a disponibilidade de infraestruturas com condições muito favoráveis, as acessibilidades rodoviárias e ferroviárias já existentes e a possibilidade de servir de alavanca ao desenvolvimento económico da região, esta proposta visa claramente os objetivos de maior coesão territorial e competitividade.

Acredito que estas 3 propostas podem dar um contributo decisivo ao desenvolvimento da nossa região e de Tomar. Uma oportunidade de decidirmos sobre o futuro.

Tiago Carrão
(Vice-Presidente do PSD de Tomar)

Tiago Carrão, vice-presidente do PSD de Tomar

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