A Lebre de Março III

Em Opinião

A Lebre, que mal tem saído da toca, teve hoje a visita do vizinho Gato de Cheshire que tem aquela mania de desaparecer como o candeeiro do Vasco Santana no Pátio das Cantigas, ficando-lhe só a pairar o sorriso quântico da Graça Freitas, ou desgraças feitas, mais estranho que o princípio da incerteza de Heisenberg que diz não podermos saber onde pára o electrão se esta pasmaceira não tiver fim, nem se o Benfica irá continuar «a correr atrás do prejuízo», metáfora também de corrida dalguns espertos, da política ao futebol, que não batem bem da bola, pois os lampiões já têm prejuízo que chegue não precisam de ir a correr buscar mais, que vinho de março nem chega ao cabaço.

Apesar da pancada do bichano em ligar ainda menos à lógica e gramática que o Jorge Jesus, a Lebre gosta de o ouvir discorrer sobre tudo e o seu contrário melhor que dois especialistas desta bicheza no dia seguinte à multiplicação do espinhóvirus. Ele vive acolá numa árvore ao pé do Coreto do mestre André, do Jardim da República desta Capital da Lebridade a que pertence a vossa amiga, onde já esteve o lago dos cisnes, agora mudaram-lhe a música e qualquer dia p´lo jeito que isto leva ainda vamos todos correr à frente do prejuízo da ditadura a sério embora a Lebre tenha boas pernas e goste de reciclar o que não tem uso sejam cidades invisíveis coretos alugados ou metáforas estúpidas.

De lá, do alto daquele poleiro, nada escapa ao vizinho da tacha arreganhada que o contou à Lebre, cuja apanhou a cão umas p´las outras e as vende agora pelo mesmo preço pois não são más e custam pouco que é o melhor de tudo. Disse-lhe o Gatófio, a ir e vir como os comboios, que andam a pensar mudar os ditos da linha lá de baixo da Ribeira, onde dão cabo das orelhas daquela pobre gente, para a Azoia de Baixo, não se percebe porquê, ou que os deixam lá mais duzentos anos, ou os substituem por bicicletas já que Páscoa em março, ou fome ou mortaço.

Do Mercado Municipal do Cassiano defronte do poiso dele, que querem entregar aos privados, garantiu-me que é muito certo que depois à Lebre, que quase só come cenouras das nossas hortas, a mandem pròs tomates a saber a água da companhia mais normalizados que militante comunista. Por falar em comunista acrescentou com gravidade que o P.C.P.  fez muito bem em votar de novo contra a eutanásia correndo embora o risco, como sucedeu da anterior, a que um doente terminal desesperado se atire outra vez do quarto piso do Hospital dr. Bernardo Santareno antes de ser levantado do chão, mas enfim eles sabem do que falam pois conhecem bem os cuidados com que a saudosa Lubyanka tratava da saúde aos pacientes já para não falar dos cuidados intensivos da Coreia do Norte. Depois, o Gatázio, também não sei por alma de quem, cofiou os bigodes pôs-se em sentido começando a entoar a imortal canção «De pé ó vítimas do vírus!» e pst! desapareceu da vista da Lebre.

Felizmente, como sucede ao Marques Mendes, apareceu logo a seguir e, como sabe que a vizinha se pela por um bom poema, começou a recitar este «Era briluz. As lesmolisas touvas/ Roldavam e relviam nos gramilvos/ Estavam minsicais as pintalouvas/ E os momirratos davam grilvos». Não há dúvida, se este ladrão continua a poetar assim com tanto fogo superior ao de Tróia, donde Eneias escapou com o pai às costas, ainda vai ser mais estimado que um Herberto que andou por cá de colher na boca antes de se desentalar.

Abençoado. Mas agora a Lebre, que é lambisqueira, tem ali um jaquinzinhos com arroz e salada de trás da orelha e depois de mandar abaixo o cheescake vai-se esticar cheia de encanto a ler «A TOMADA DE SANTARÉM» que parece mas não é piada ao Ricardo que acaba de tomar a alternativa para nova faena autárquica em três quartos a quarteio, sem aliviar as sortes, e do lado da sombra da oposição pregada às tábuas, pois nem tudo o que é branco é farinha, antes se trata de grande cegada em três actos e seis quadros, sem serem os da EDP, também de muitas tomadas e alguns tomas, que fez faísca em 1842 quando José Maria Bordalo a escreveu e os cegos não eram tantos como hoje embora se alumiassem com o azeite das almotolias.

Don´t worry pessoal, tenham juízo e lembrem-se que março pardo antes enxuto que molhado.

Adieu, cambada!

LM

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