Tudo o que sempre quis saber sobre Próstata

Em Saúde

Li há alguns anos atrás uma obra de excecional qualidade didática, produzida por um conceituado urologista, “Tudo o que sempre quis saber sobre Próstata”, José Santos Dias, Lidel, 2014, destinada a esclarecer dúvidas prementes sobre a próstata e as suas doenças. Acabo de reler o livro e verifico a sua premente atualidade, daí voltar a referi-lo e a pedir a melhor atenção ao que nele se escreve para todos os homens a partir dos 45 anos.

O autor explica o que é, onde se situa e para que serve a próstata, quais as suas queixas principais, as doenças mais frequentes, as consequências do aumento do volume da próstata, o que é o PSA, que tipos de cancros da próstata existem, como se carateriza a hiperplasia benigna da próstata, o que é a prostatite, quais as perguntas frequentes sobre a próstata e onde procurar mais informações fidedignas sobre a próstata.

A próstata pode provocar inúmeras queixas, contudo nem todas são específicas da próstata, podem ser causadas por outros fatores, até por doenças que aparentemente não têm qualquer relação com o aparelho urinário. Como observa o autor, as doenças graves da próstata podem evoluir silenciosamente, sem se manifestarem clinicamente, sem provocar quaisquer queixas. Mas os sintomas provocados pela próstata dividem-se em três grupos: os de esvaziamento (durante a micção), os de enchimento (durante o período em que a bexiga se enche), pós-miccionais (os que ocorrem no final ou logo após a micção, matéria que aparece claramente documentada.

As doenças mais frequentes da próstata dão pelo nome de cancro ou tumor maligno, hiperplasia benigna (aumento benigno da próstata) e prostatite (inflamação). O homem quando faz habitualmente os seus exames anuais vê neles incluídos o PSA. Ele existe no esperma, nas células da próstata e no sangue. É, pois, possível medir os níveis de PSA na corrente sanguínea. O valor obtido permite ajudar a diferenciar se estamos em presença de uma situação de aumento benigno ou de tumor maligno.

As células presentes no tumor maligno em determinada altura tornam-se mais agressivas e multiplicam-se rapidamente. Há tumores da próstata mais agressivos que outros. O autor recorda que o cancro da próstata é o tumor mais frequente nos homens do mundo ocidental. Em cerca de 15% dos casos existe uma história familiar de cancro da próstata. Este cancro é responsável por cerca de um quarto de todos os tumores dos homens europeus. Segundo o autor que toma como referência um relatório da OCDE, deverão existir no nosso país mais de 110 mil portugueses com cancro da próstata. Portugal tem uma das maiores taxas de mortalidade devido a cancro da próstata, acima da média europeia. Os fatores de risco associados a este cancro são: a história familiar, a idade avançada e a origem étnica. Pesam também outros fatores como os dietéticos, os hormonais, a obesidade, e os medicamentos.

Falando de queixas que este cancro pode provocar, elas são exatamente as mesmas que o aumento benigno, nomeadamente sintomas de esvaziamento, de enchimento e pós-miccionais. O cancro da próstata pode provocar sintomas (queixas) que não estão relacionados com o aparelho geniturinário, quer dizer, que têm origem noutros órgãos, longe da próstata. Sabendo detalhar como bom divulgador que é, o autor explica claramente o cancro da próstata assintomático e quais os seus sintomas de metastização, e daí passa para o diagnóstico: exame objetivo e toque retal, ressonância magnética nuclear pélvica, cintigrafia e outros exames como a tomografia computorizada.

Segue-se uma explicação sobre o tratamento da próstata, que é o capítulo mais longo deste trabalho de divulgação. Temos depois a explicação do que é a hiperplasia benigna da próstata, frequência, queixas, diagnóstico, consequências e complicações, bem como o tratamento com medicamentos. Depois de explicar a prostatite, os seus tipos e manifestações, o autor elenca as perguntas mais frequentes, do género: – Não tenho quaisquer sintomas urinários. Poderei ter um cancro da próstata?; – Quando devo fazer análises à próstata?; – O que é o PSA?; – A partir de que idade se deve fazer um rastreio do cancro da próstata?; – Que exames devo fazer para saber se tenho um problema na próstata?; –  Foi-me diagnosticado um cancro na próstata. O que devo fazer?; – Tenho muitas queixas urinárias, muita dificuldade em urinar. Posso ter um cancro na próstata? O que devo fazer?; – Urino bem, aliás, urino muitas vezes de dia e de noite. Posso ter algum problema?

Recorda-se aos leitores interessados que existe a Associação Portuguesa Doentes da Próstata, que tem a linha de apoio 918 075 035 (funciona Segunda a Sexta das 15 às 18 horas), e que o contacto pelo e-mail é o seguinte: apdp-portugal@apdp-portugal.pt.

Mário Beja Santos

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