Desconfiar do desconfinamento

Em Opinião

O anexim adverte: quem é desconfiado não é fiel. No entanto, a História nas suas inúmeras valências e análises refere quão grande é o número de boas e benéficas decisões porque venceu a desconfiança no confronto com a certeza confiante e, nunca é demais lembrar o famoso espião Sorge que a tempo e horas informou o sempre desconfiado Estaline sobre os planos traiçoeiros dos japoneses na II Guerra Mundial, só que o José dos Bigodes acreditou piamente nos generais nipónicos, daí resultando milhares e milhares de mortos.

Ora, na semana passada o Senhor António Costa anunciou o novo plano/processo de desconfinamento obtendo aplausos vibrantes, elogios vindos de vários firmamentos opiniosos e, até o prudente professor Marcelo o achou razoável, logo confiável até na comunidade dos sempre duvidosos de tudo quanto é estudo, relatório e decisão governamental. E, no entanto, continuo a advogar cautela e caldos de galinha relativamente ao afrouxar de fala de longe e afasta apertos de mão roçagens de rosto, o Diabo é tendeiro, as pessoas esquecem recomendações, as autoridades sanitárias sofrem tribulações no bom senso, daí ver para crer, ou não tivesse São Tomé optado pelo acreditar com as mãos.

Oxalá que as minhas palpitações receosas sejam completamente infundadas, no entanto, Pedro andou a gritarpelo lobo, gritou tanto que conseguiu não ser levado a sério. Nessa altura o lobo surgiu e o Pedro foi estraçalhado. Eu não quero imitar o Pedro. E o leitor quer? Não queremos. Por isso mesmo, mãos lavadas várias vezes ao dia, conhecidos e forasteiros a dois metros de distância. Máscara sempre!

Armando Fernandes

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