O SEF de Cabrita, mais uma treta

Em Opinião

Já todos nos habituámos ao lado burlesco de Eduardo Cabrita. Quem não se lembra da ridícula peripécia protagonizada pelo actual Ministro da Administração Interna e por Paulo Núncio, à data, o Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais? Aquele pingue-pongue de liga-desliga o microfone, acompanhado, de parte a parte, por comentários pueris de defesa de honras muito frágeis! E quem não se recorda do “encabritado” discurso, proferido num tom e com uma vivacidade completamente despropositados, que culminou na garantia de que o Estado estava a vacinar pessoas com mais de 80 mil anos? Apesar de risível, não é por isto que vem mal ao mundo.

            Os problemas graves surgem do outro lado de Eduardo Cabrita: o lado que não é burlesco, mas sim burlão!

            A primeira ocasião em que me confrontei com a desfaçatez deste governante, capaz de arengas sem conteúdo, porém, inflamadas e a exsudar falsa indignação, ocorreu numa cerimónia realizada no Quartel da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Abrantes, em 24 de Março de 2018. Ouvi-o, com um desplante inusitado, a prometer o que nunca veio a cumprir e a garantir a concretização do que nunca concretizou.

            Na verdade, só faltou libertar da boca uma visguenta baba de excitação, enquanto apontava os méritos da sua imaginária reforma da floresta que, supostamente, foi implementada após os terríficos incêndios de 2017. Para Cabrita, a aludida reforma fora um estrondoso sucesso.

            As mais das vezes, este leal fâmulo de António Costa consegue aliar o lado burlesco ao lado burlão, dando origem a momentos trágico-cómicos – e algo macabros – como o da célebre conferência de imprensa, referente ao vexante caso Ihor Homeniuk, em que afirmou ser um grande paladino do Direitos Humanos. Tudo ali foi decadente…

            Ora, trago Eduardo Cabrita para um dos meus artigos, mesmo que não seja higiénico, porque  nos chegaram notícias acerca da sua suposta reforma do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. Escutado o incumbente, apercebemo-nos de que o estilo trapaceiro não mudou e que estamos a ser insultados com juras vazias de intenção materializadora.

            O Senhor Ministro da Administração Interna diz-nos que as putativas alterações nada se devem à morte do Ihor Homeniuk. Como se nós acreditássemos numa mentira de perna amputada. Aliás, assim que a TVI exibiu entrevistas a cidadãs brasileiras que foram alvo de sevícias e de intimidações silenciadoras por parte de inspectores do SEF, logo foi anunciada abertura de um processo de inquérito, demonstrando uma atenção e uma celeridade que, em condições normais, a tutela não evidencia.

            Seguidamente, informa-nos do propósito de renomear a instituição para Serviço de Estrangeiros e Asilo (SEA), tendo como principal função adjuvar imigrantes e refugiados que vivem em Portugal. Não soa a operação cosmética para afastar pressão? Só avençados ou empedernidos e facciosos militantes do Partido Socialista o negarão!

            Em subsequência, inteira-nos do intuito de transferir os inspectores do SEF para a PSP, para a GNR ou para a Polícia Judiciária. Afinal de contas, sem prejuízo da conduta imprópria do Director Nacional da PSP,  o governante não está, como se deu a entender, tão distante da opinião veiculada por Magina da Silva.

            Todavia, além deste leque de medidas etéreas, e como o PSD salientou através de Duarte Marques, não existe qualquer processo legislativo em curso, os sindicatos não estão a ser contactados e não há movimentações para efectivar um câmbio profundo e estrutural no nosso Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. Por seu turno, como decerto perceberão, o “trespasse” de profissionais e um rebranding, ainda que perturbem a vida dos trabalhadores, não são uma metamorfose medular da instituição (se se tornarem realidade).

            Não se pode pedir a uma serpente que o deixe de ser. Similar princípio aplica-se a Cabrita! E os portugueses já o compreenderam, tanto que o elegem, nas sondagens, como um ministro a dispensar. 

            Pois bem, se António Costa é conhecido por soçobrar à força mediática e ao clamor social, tomando decisões consoante a orientação das rajadas de vento – a questão da vacina AstraZeneca é paradigmática –, há uma pergunta que me domina a mente: o que deve o Primeiro-ministro ao Ministro da Administração Interna?

            Creio que tal mistério jamais será deslindado…

João Salvador Fernandes

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