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O céu de abril de 2021

Em Ribatejo Cool

Já diz o velho ditado, “abril, águas mil”. Este mês é estatisticamente dos mais chuvosos do ano, o que normalmente significa poucos dias de céu limpo. Mas como só se consegue prever quando é que vai chover, com precisão, apenas com 3 dias de antecedência, aqui ficam alguns eventos celestes para procurarem, caso não chova.

A Lua na constelação de Leão, a passar a Sul, às 22h00 do dia 22 de abril de 2021. (Imagem: Ricardo Cardoso Reis /Stellarium)

Durante este mês, os dois maiores planetas do Sistema Solar só poderão ser observados pelos madrugadores ou pelas “corujas”, pois no início de abril, Saturno nasce por volta das 5 da manhã e Júpiter por volta das 5h30, enquanto no dia 30 já se começa a ver Saturno por volta das 3h15 e Júpiter por volta das 4h00. Ambos os planetas estarão visíveis até que o Sol nasça, o que acontece por volta das 7h20 no dia 1 e pouco depois das 6h30 no dia 30.

No dia 4, a Lua atinge o quarto minguante e no dia 6 passa a apenas 5 graus de Saturno. Como nasce por volta das 5 da manhã, continuamos a vê-la mesmo depois do Sol nascer.

No dia 7, a Lua passa a 5 graus de Júpiter e no dia 12 atinge a fase de lua nova. No dia 17, já iluminada a 25%, a Lua passa a 3 graus do planeta Marte, ambos na constelação do Touro. Esta constelação, assim como as constelações de Orion e Cão Maior, ficam visíveis assim que anoitece, entre Sudoeste e Oeste.

No dia 20 a Lua atinge o quarto crescente. Dois dias depois ocorre o máximo da chuva de meteoros das Líridas. A constelação da Lira, onde está situado o radiante (o ponto de onde parecem emanar os meteoros), nasce a Nordeste, pouco depois do anoitecer. Apesar de não ser das chuvas mais intensas (prevêem-se apenas 10 meteoros por hora, em céus escuros) e do máximo estar previsto para as 14:00, ainda assim deve dar para observar alguns meteoros, em especial depois da Lua se pôr, por volta das 4:30.

Se decidirem esperar pelas Líridas, aproveitem também para observar a Lua, que passa a Sul às 22:00, na constelação do Leão.

Este era um gigantesco leão que vivia na Lua e atacou a carruagem de Selene, a deusa da Lua, que prontamente o expulsou para a Terra. Este caiu perto de Nemeia, na Grécia, onde começou a atacar as pessoas. Muitos perderam a vida a tentar abatê-lo, pois a sua pele era praticamente impenetrável.

Matar o Leão de Nemeia foi o primeiro dos doze trabalhos de Hércules, mas com a pele impenetrável, o herói só teve sucesso depois de estrangular o animal. De seguida, Hércules decidiu retirar-lhe a pele, para usar como proteção durante os restantes onze trabalhos. Para o fazer, usou a única coisa que conseguia penetrar no couro do animal – as garras do próprio Leão!

Para fechar o mês, no dia 27 vejam a “super” lua cheia, isto é, uma lua cheia que coincide com o perigeu (ponto de maior aproximação à Terra) do nosso satélite, aparecendo por isso um pouco maior do que a média no nosso céu.

Boas observações.

Ricardo Cardoso Reis

(Planetário do Porto e Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço)

Ricardo Cardoso Reis é licenciado em Astronomia pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP). Atualmente está a completar o mestrado em Ensino e Divulgação das Ciências, também pela FCUP. Trabalha há mais de 20 anos em comunicação de ciência, na promoção da cultura científica e em educação não-formal. Atualmente pertence ao Grupo de Comunicação de Ciência do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, a maior unidade nacional de investigação da área, e ao Planetário do Porto – Centro Ciência Viva, o maior planetário digital em Portugal. É sócio efetivo da Sociedade Portuguesa de Astronomia, da associação Centro de Astrofísica da Universidade do Porto e da Rede SciComPT, tendo pertencido aos orgãos sociais desta última no triénio 2017-2020.

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