Canções de embalar

Em Opinião

No último programa da Circulatura do Quadrado, Pacheco Pereira acoimou de canções de embalar a pseudo querela entre Marcelo e Costa, lastimando a quase nulidade da vivência política, a falta de qualidade do debate de ideias, o «embalar» em vez de prevalecer o choro, o grito, o responso vibrante, o sarcasmo inteligente, a linguagem pura e dura na apreciação das causas e coisas da governação do País.

Se Marcelo tem um extenso currículo em todas as matérias acima referidas, o seu antigo aluno António Costa estudou muito bem as lições do Mestre e, por isso mesmo, o povo desde há muito que os topa de ginjeira deixando à classe política e à turba dos comentadores de segunda apanha o tentarem descobrir aquilo que as mulheres e homens comuns sintetizam lapidarmente: entre um e o outro venha o Diabo que os compre, ou então, no fundo divertem-se a entoarem canções de ninar porque o essencial é chegarmos mais ou menos escorreitos ao fim da legislatura.

Percebo a frustração de Pacheco Pereira, o seu enfado ante o lago de águas chocas que se vislumbra no Parlamento entretido a soltar piadas pesadas nos debates vindas de Pais da Pátria estilo Ascenso Simões, André Ventura e muchachos de igual falta de qualidades, no entanto, podemos perguntar: de quem é culpa? Neste tomo a culpa não morre solteira, ela mora nas sedes dos partidos e na opacidade dos gabinetes dos interesses. Interesses variados, cruzados, interpostos e entrelaçados.

Está Pacheco Pereira disposto a empunhar o estandarte da Regeneração? Se estiver desde já ofereço os meus modestos esforços para tal fim.

Armando Fernandes

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