Jorge Coelho morreu de doença súbita na Figueira da Foz

Em Nacional

O ex-dirigente socialista e antigo ministro Jorge Coelho morreu hoje na Figueira da Foz, de doença súbita, quando visitava uma casa na zona turística da cidade, disse à agência Lusa fonte dos bombeiros. veja aqui os depoimentos do Presidente Marcelo Rebelo Sousa, do Primeiro-ministro António Costa, do Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres e do presidente da Assembleia da República Ferro Rodrigues sobre Jorge Coelho.

De acordo com Jody Rato, comandante dos Bombeiros Voluntários da Figueira da Foz, Jorge Coelho, de 66 anos, sentiu-se mal durante a visita a uma habitação na rua da Liberdade, na zona turística do Bairro Novo.

“A senhora que estava com ele ligou para o 112 e quando a nossa equipa chegou ao local ele estava em paragem cardiorrespiratória. Foram feitas manobras de reanimação mas não foi possível reverter a situação”, tendo o óbito sido declarado no local, adiantou o comandante.

Marcelo em choque recorda “espírito combativo” que influenciou a vida do país

 O Presidente da República manifestou hoje choque pela notícia da morte do antigo ministro e ex-dirigente socialista Jorge Coelho e recordou o seu “espírito combativo” considerando que, sem nunca exercer a liderança, influenciou a vida do país.

“Eu não posso esconder o choque do conhecimento desta morte inesperada”, declarou Marcelo Rebelo de Sousa, em direto para a SIC-Notícias.

O chefe de Estado referiu que Jorge Coelho “esteve presente na vida pública portuguesa durante três décadas, em várias qualidades: como governante, como parlamentar, como conselheiro de Estado, como dirigente partidário, como analista político e depois, numa fase mais recente, como gestor empresarial”.

O Presidente da República descreveu-o como uma pessoa com “um estilo muito próprio, feito de intuição, de compreensão rápida e antecipação às vezes daquilo que eram as correntes da opinião pública, de perspicácia analítica, de espírito combativo, às vezes polémico, mas também de grande afabilidade, e de abertura de todos os quadrantes e a todo o tipo de realidade que emergia na sociedade portuguesa”.

“E teve uma influência muito grande em momentos importantes da vida nacional. Não tendo exercido a liderança partidária, a que sempre fugiu, no entanto, esteve tão próximo dos centros de poderes que de alguma maneira influenciou a vida do país”, considerou.

Marcelo Rebelo de Sousa lembrou Jorge Coelho “como amigo” e também “enquanto Presidente da República, pelo papel que teve na vida política e económica nacional”.

Após prestar estas declarações, o Presidente da República fez divulgar uma nota no sítio oficial da Presidência da República na Internet em que lamenta “o dramático falecimento de Jorge Coelho”.

“Deixou na memória dos portugueses o gesto singular de assumir, em plenitude, a responsabilidade pela tragédia de Entre-os-Rios e a capacidade rara de antecipar o sentir do cidadão comum”, lê-se na nota.

Ferro Rodrigues chocado com perda de amigo “solidário” e “sobrevivente”

O presidente da Assembleia da República e ex-líder socialista mostrou-se hoje chocado e muito triste com a morte do seu amigo e camarada Jorge Coelho, antigo ministro, deputado e dirigente também do PS.

“Recebo, com choque e muita tristeza, a notícia do falecimento de Jorge Coelho, um amigo de há longas décadas. Homem bom e solidário, foi sempre alguém que se bateu por causas, em especial pela democracia e pela igualdade. Foi também um sobrevivente, com quem aprendi a enfrentar as adversidades”, lê-se em nota de Ferro Rodrigues, enviada à agência Lusa.

​Jorge Coelho foi ministro de três pastas nos governos de António Guterres: ministro Adjunto; ministro da Administração Interna; ministro da Presidência e do Equipamento Social.

“Neste momento tão difícil, quero endereçar à sua família, em especial à sua mulher, filhos e netos, e aos muitos amigos que deixa, de todos os quadrantes políticos, as mais sentidas condolências”, lê-se ainda no breve texto de Ferro Rosrigues.

A partir de 1992, com Guterres na liderança, Jorge Coelho foi secretário nacional para a organização, contribuindo para a vitória eleitoral dos socialistas nas legislativas outubro de 1995.

Guterres: Admirável servidor da causa pública e um amigo muito querido

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou-se “chocadíssimo” com a notícia da morte do antigo dirigente socialista Jorge Coelho, seu “amigo muito querido”, considerando que foi um “admirável servidor da causa pública.

Jorge Coelho, ministro dos governos liderados por António Guterres entre 1995 e 2002, faleceu hoje, segundo fonte do PS, vítima de paragem cardíaca fulminante.

Numa declaração enviada à agência Lusa, António Guterres, secretário-geral do PS entre 1992 e 2002, afirma que Jorge Coelho “foi um admirável servidor da causa pública, um político de extraordinária inteligência e dedicação”.

“Mas, acima de tudo, Jorge Coelho um amigo muito querido que me acompanhou em momentos decisivos da minha vida e face ao qual tenho uma enorme dívida de gratidão”, frisa o secretário-geral das Nações Unidas.

António Guterres refere depois ter ficado chocadíssimo com a notícia da morte do seu antigo ministro.

Uma morte que António Guterres considera que, para si, era “impensável, pois a sua alegria, o seu entusiasmo e a sua força interior eram uma verdadeira personificação da vida”.

António Costa: Poucos exprimiram tão bem a alma dos socialistas

O secretário-geral do PS considerou hoje que Jorge Coelho serviu com “grande dignidade” o Governo da República, foi “sempre” um fator de unidade no PS e poucos como ele exprimiram “tão bem a alma” dos socialistas.

Esta posição foi transmitida por António Costa numa declaração feita a partir da sede nacional do PS, em Lisboa, após confirmada a morte de Jorge Coelho, antigo dirigente socialista e ministro dos governos de António Guterres entre 1995 e 2002, vítima de paragem cardíaca fulminante.

“No PS, estamos todos naturalmente em choque com o falecimento surpreendente doutor Jorge Coelho”, começou por declarar António Costa, dizendo depois que, “seguramente, os portugueses o recordarão como um cidadão dedicado ao seu país, que serviu com grande dignidade o Governo da República”.

“Um Governo da República que deixou há 20 anos num momento trágico em que decidiu assumir pessoalmente a responsabilidade política por uma tragédia imensa”, apontou o atual líder socialista, numa alusão à queda da ponte de Entre-os-Rios, em 2001, numa altura em que Jorge Coelho tutelava a pasta da Obras Públicas no segundo executivo chefiado por António Guterres.

António Costa referiu-se de forma breve à atual vertente empresarial de Jorge Coelho, destacando o facto de ter investido na sua terra, em Mangualde, numa queijaria, mas destacou, sobretudo, o seu percurso no PS.

“Para todos nós socialistas, este é um momento particularmente doloroso, porque Jorge Coelho não era só um camarada, mas também um amigo de todos nós e de todas as gerações do PS. Poucos foram aqueles que conseguiram exprimir tão bem a alma dos socialistas”, sustentou o secretário-geral do PS e atual primeiro-ministro.

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