“Menina e Moça me Levaram”, histórias de mulheres migrantes em livro

Em Ribatejo Cool

Acaba de ser publicada a obra “Menina e Moça me Levaram”, organizada pela professora do Sardoal, Aida Baptista e prefaciada por Manuela Aguiar, ex-secretária de Estado das Comunidades. Trata-se de um conjunto de histórias, contadas na primeira pessoa, por mulheres das mais diversas origens, profissões e faixas etárias, que, levadas por escolhas alheias (salvo raras exceções), passaram por processos migratórios em diferentes contextos geográficos. Apesar de estarmos perante experiências distintas, um fio condutor une estas mulheres – a enorme força e capacidade de vencer em situações adversas dos novos espaços -, que as fez destacarem-se no universo feminino como referências de afirmação, autonomia, sucesso pessoal e profissional.

“Menina e Moça me Levaram”, edição comemorativa dos 25 anos da AMM – Associação Mulher Migrante, organizada por Aida Baptista.

De Ana Bailão, a vice-presidente da Câmara Municipal de Toronto, no Canadá, a Arlinda Frota, embaixatriz de Portugal em Macau, à professora de Abrantes Helena Bandos, às deputadas da Assembleia da República Joacine Katar Moreira e Romualda Fernandes, à embaixatriz de Portugal em Oslo, Noruega Marina Quinteiro, são dezenas de histórias que este livro conta na primeira pessoa.

Aida Baptista, a organizadora desta obra

Registar histórias de vidas de mulheres que, pelas mais variadas razões e circunstâncias, tivessem passado por processos migratórios – mesmo que nem todos se enquadrem no mesmo conceito técnico – jurídico, como refere Manuela Aguiar no prefácio –, tem sido, desde há muito, uma das ambições da AMM – Associação Mulher Migrante.
Em 2020, a Associação completou 25 anos de vida ativa, data marcante e oportuna para ser celebrada com um primeiro passo nesse sentido.
“Sem qualquer pretensão de natureza académica (embora possa vir a ser objeto de estudos nessa área), na qualidade de Vice-presidente desta Associação lancei o desafio e tomei a iniciativa de enviar convite a um conjunto de mulheres que, na primeira pessoa, quisessem deixar lavrados percursos de vidas repartidas pelas mais diversas geografias”, afirma Aida Baptista.

No prefácio, Manuela Aguiar, ex-secretária de Estado das Comunidades, afirma que “Se a magia do livro lhe vem, em leitura gostosa e despreocupada, da infinidade de vislumbres de vidas extraordinárias, e da qualidade literária ou da graça de um detalhe, de uma observação, numa segunda leitura possível, mais social, mais feminista, impressionam as sintonias intrínsecas que parecem religar, essencialmente, mulheres migrantes tão distintas umas das outras: a capacidade de lançar pontes entre “mundos paralelos”, a melhor compreensão da alteridade a vivência da dupla ou tríplice pertença nacional, como partícipes de uma Nação maior, de uma Terra sem muros, de um Humanismo ainda utópico ou embrionário, que elas são, já, no tempo presente, capazes de sentir e corporizar. A única Primeira Ministra de Portugal, Maria de Lourdes Pintasilgo, chamar-lhes-ia “Mulheres de cidades futuras”.

Textos e Autoras:

  • “Menina e moça me levaram”, Aida Baptista, Sardoal, Professora aposentada;
  • “De contrariada a apaixonada”, Ana Bailão, Toronto, Canadá, Vice-presidente da Câmara Municipal de Toronto;
  • “Emigrar, porquê?”, Ana Cândida Ribeiro, Rio de Moinhos, Funcionária Administrativa;
  • “Dar a Volta”, Andreia Lopes, Paris, Psicóloga;
  • “Porquê Portugal?”, Anu Patrakka, Vila do Conde, Escritora;
  • “Sempre estive a caminho”, Arlinda Augusta Bessa Victor Chaves Frota, Macau, Embaixatriz de Portugal, Médica, Artista Plástica;
  • “Entre duas idas e dois regressos”, Aurora Santos, Lisboa, Advogada;
  • “Viagem pelo corredor da memória”, Carmen Carvalho, Toronto, Funcionária Administrativa aposentada da Câmara Municipal de Toronto;
  • “Cá e Lá”, Cecília Mello, S. Francisco, EUA, Bióloga;
  • “Lisboa, menina e moça”, Celeste Correia, Lisboa, ex-deputada à Assembleia da República;
  • “Nunca se sabe”, Cidália Conceição Gouveia Faria, Toronto, Canadá, Juíza do Tribunal de Justiça do Ontário;
  • “Da Bélgica para Portugal por amor”, Christine M.S.C., Cascais, Secretária de Direção;
  • “A Arte Espontânea”, Constância Nèry, Porto, Artista e Curadora de Artes Plásticas;
  • “Dos Porfírios à Avenida Telegraph”, Deolinda Adão, El Cerrito, Califórnia, EUA, Investigadora do Centro de Estudos Portugueses da Univ. da Califórnia, Berkeley;
  • “Emigrar sem pensar”, Elisabete Paulo Morgado, Lisboa, Empresária;
  • “Uma vida (lusodescendente) a 200%”, Emmanuelle Afonso, Lisboa, Cofundadora e Diretora do Observatório dos Lusodescendentes;
  • “Memórias de uma viagem inesquecível”, Ester de Sousa e Sá, Espinho, Escritora, Artista plástica;
  • “A nossa história começa muito antes de nós”, Filipa Rodrigues, Cruz Quebrada, Professora na Universidade Católica Portuguesa;
  • “Sexta-feira 13, dia de sorte”, Gabriela Carrascalão Cid, Mogofores, Portugal, Jornalista e Pintora;
  • “Teia de afetos”, Heidemarie Stubner Lucas, Amareleja, Portugal, Socióloga;
  • “Kalunga”, Helena Bandos, Abrantes, Portugal, Professora de História aposentada;
  • “Ir e voltar por amor”, Helga Sarabua, Estoril, Portugal, Arquiteta de Interiores;
  • “Com o Credo na Boca”, Humberta Araújo, Santa Maria, Açores, Professora;
  • “Uma ponte sobre o Atlântico”, Ilda Januário, Toronto, Canadá, Antropóloga e Investigadora Universidade de Toronto;
  • “De quantas histórias de vida somos feitos?”, Isabel Mateus, Stoke-on-Trent, Reino Unido, Escritora;
  • “Memórias de saberes e sabores de Goa”, Ivete Monteiro, Lisboa, Portugal, Enfermeira Especialista em Saúde Infantil e Pediatria;
  • “Fronteiras”, Joacine Katar Moreira, Lisboa, Portugal, Deputada à Assembleia da República;
  • “Partir por engano”, Joaquina Pires, Montréal, Canadá, Conselheira em Relações Interculturais, Ville de Montreal;
  • “Viagem para o desconhecido”, Joy Alvarez, Lisboa, Portugal, Engenheira, Gestora de produção;
  • “De Harare a Fanadia”, Kathleen Towle, Fanadia, Portugal, Professora de Inglês;
  • “Brasil Novo Mundo, São Paulo Cidade Grande, Minúcias”, Leonor Xavier, Lisboa, Portugal, Jornalista e Escritora;
  • “Uma “badia” em terras do tio Sam”, Luísa Helena Monteiro de Macedo, Waldorf, EUA, Professora de Educação Especial;
  • “Com as mãos finas”, Manuela Marujo, Toronto, Canadá, Professora Emérita da Universidade de Toronto;
  • “Retalhos de vida migrante”, Maria Engrácia Leandro, Caldas da Rainha, Portugal, Professora Catedrática aposentada
    Universidade do Minho;
  • “De Vale da Rosa ao solo argentino – uma viagem sem retorno”, Maria Violante M. Martins, Vila Ellisa, Argentina, Conselheira das Comunidades Portuguesas na Argentina;
  • “Nem uma coisa, nem outra”, Marina Quinteiro, Oslo, Noruega, Embaixatriz de Portugal;
  • “A vitória do amor”, Maria de Lurdes Almeida, Caracas, Venezuela, Professora do Ensino Superior;
  • “Reflexões sobre aspetos diversos da minha vida”, Marion (Molly) de Lemos, Melbourne, Austrália, Psicologista e Investigadora;
  • “Viver para a minha Comunidade”, Natália Correia, Buenos Aires, Argentina, Professora de Música;
  • “Um fado português ou francês?”, Nathalie de Oliveira, Metz, França, Funcionária Administrativa Europeia;
  • “A casa em que me tornei”, Raquel Maia Ferreira, Nova Iorque, EUA, Psicóloga Clínica;
  • “Viver com dupla pertença”, Romualda Nunes Fernandes, Lisboa, Portugal, Deputada à Assembleia da República;
  • “Por causa de um sonho”, Rosa Maria Neves Simas, Ponta Delgada, Açores, Professora Aposentada da Universidade dos Açores;
  • “Do outro lado da ponte de Andau”, Sarolta Laszlo, Lisboa, Funcionária aposentada do Ministério dos Negócios
    Estrangeiros.

O livro é publicado pela editora AlmaLetra e pode ser encomendado aqui:
https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfy9JSiptLG9Cii9jOlucUfqW0ueC3JjlKsglTeA1PHLAXR2A/viewform

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