Aquanena contesta queixa relacionada com episódio de poluição no rio Alviela

Em Ambiente

A Aquanena afirma em comunicado que dispõe de análises que afastam a hipótese da ETAR de Alcanena ter estado na origem do episódio de poluição do rio Alviela no dia 5 de março, e que vai apresentar contestação à queixa que a GNR já entregou na IGAMAOT.

Em comunicado hoje enviado às redações, a Aquanena afirma que tomou conhecimento, “no dia 27 de março de 2021, através de notícias na comunicação social local e nacional, de que o Núcleo de Proteção Ambiental (NPA) de Santarém da GNR tinha preparado, no dia 24 de março, um auto de notícia por contraordenação ambiental e remetido à IGAMAOT uma queixa contra uma empresa do concelho de Alcanena por alegada descarga ilegal de “águas degradadas” no rio Alviela e que a mesma tinha tido origem no concelho de Alcanena”.

O comunicado adianta que “não tendo tido a AQUANENA o registo de qualquer ocorrência anómala na semana desta notícia, nem em semanas anteriores, a Administração solicitou informação junto da GNR de Alcanena e foi então informada de que o respetivo auto era contra a própria empresa AQUANENA”.

Segundo a nota, “o Conselho de Administração deu instruções imediatas para se agendar uma reunião com o Comando Territorial da GNR de Santarém, para o devido esclarecimento da situação, que se realizou no dia 30 de março, na qual foi informado à AQUANENA que a queixa, enviada à IGAMAOT no dia 24 de março, dizia respeito a factos alegadamente ocorridos no dia 5 de março”.

O esclarecimento da Aquanena afirma que, “no dia 5 de março, a equipa técnica da AQUANENA acompanhou a deslocação à ETAR de Alcanena de dois elementos da Equipa de Proteção da Natureza (EPNA) da GNR, que conduziam uma investigação às causas da presença de espuma no rio Alviela, na localidade de Pernes”.

A AQUANENA “comunicou aos elementos da EPNA quais tinham sido as diligências já encetadas, por sua iniciativa própria, logo que recebeu o alerta da presença de espuma no rio Alviela e ainda antes da presença dos elementos da EPNA.

Segundo a Aquanena, “as ações foram as seguintes:

a) A equipa técnica da AQUANENA percorreu vários troços do rio Alviela, incluindo as nascentes dos Olhos de Água e a Ribeira de Amiais, e também da Ribeira do Carvalho, a montante e a jusante da ETAR. Foi feito registo fotográfico e visual da presença de espuma, incluindo na Nascente dos Olhos de Água e na própria Ribeira de Amiais;

b) foram recolhidas pela AQUANENA várias amostras do efluente tratado à saída da ETAR, amostras em vários pontos do Rio Alviela, amostras na Ribeira de Amiais e Nascente dos Olhos de Água do Alviela, e amostras na Ribeira do Carvalho (a jusante e a montante da ETAR), afluente do Alviela para onde diariamente é rejeitado o efluente tratado, proveniente da ETAR;

c) Foi ainda recolhida uma amostra na ribeira do Vale da Teiça, um curso de água que fica junto à unidade de produção de químicos (Prodyalca) que tinha sofrido um incêndio no dia anterior, a 4 de março, e no qual foi utilizada uma grande quantidade de agente espumífero para o seu combate”.

Segundo a Aquanena, “no final da deslocação dos elementos da GNR, ficou acordado entre as partes que a AQUANENA iria enviar à EPNA os resultados das análises às amostras que tinha recolhido e que iriam ser enviadas para processamento em laboratório externo”.

Acresce que, neste mesmo dia, “a equipa da AQUANENA não teve conhecimento de qualquer amostra recolhida pelos elementos da EPNA“. A AQUANENA que que ainda nesse dia, informou a EPNA, por correio eletrónico, da presença de espuma no rio Alviela, desde a sua nascente, com proveniência detetada da Ribeira de Amiais”.

Análises afastam responsabilidade da Aquanena pela espuma no rio Alviela

Do resultado das amostras recolhidas pela AQUANENA, e que foram processadas em laboratório acreditado e externo à empresa, a empresa municipal destaca a seguinte conclusão: “não foi identificada em nenhuma amostra a presença de agentes tensioativos aniónicos (detergentes) em concentrações superiores aos valores limite de emissão do parâmetro e com probabilidade de justificar a origem das espumas identificadas no rio Alviela e na localidade de Pernes”.

Empresa municipal contesta queixa

Segundo o comunicado, “está já a ser elaborada a contestação à queixa, entretanto já na esfera da IGAMAOT, para que seja revelada, de forma bastante exaustiva e clara, toda argumentação e quais são as eventuais evidências que sustentam esta queixa”.

Para a Aquanena, “esta situação, prejudica em muito todo o trabalho e o bom nome da AQUANENA na sua missão de colaborar na resolução dos problemas ambientais no concelho de Alcanena e também em toda a bacia hidrográfica do rio Alviela”.

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