Presidente da Câmara de Rio Maior apela à reavaliação da situação atual do concelho e propõe critérios mais justos

Em Sociedade

O presidente da Câmara de Rio Maior, Filipe Santana Dias, enviou uma carta ao Primeiro-Ministro, António Costa, apelando a que o Governo tenha em conta a atual situação epidemiológica no Concelho de Rio Maior, com vista à reavaliação do panorama de risco definido a nível nacional.


Na carta enviada pelo presidente da Câmara Municipal de Rio Maior, esta segunda-feira, pode ler-se que “Rio Maior cumpre com os critérios necessários para poder manter-se no nível de desconfinamento em que se encontrava na última semana, com 201 casos por 100.000 habitantes, passando com atualização dos números às 19h05 do dia 19 de abril de 2021 para 191 casos covid-19 por 100.000 habitantes.

Filipe Santana Dias alerta para o facto de Rio Maior estar numa “clara tendência de descida, em oposição a outros Concelhos onde se verifica um número crescente” de casos de COVID-19. “Ao dia de hoje, Rio Maior contabiliza 23 casos ativos, um número que, não nos permitindo perder o foco neste combate, não será de todo tão gravoso como as medidas que atualmente nos são impostas”, conclui Filipe Santana Dias. 

Rio Maior é um dos Concelhos mais testados per capita do país. Foram efetuados, nos últimos 15 dias, mais de 3000 testes, em ações de testagem dirigidas à população em geral, às comunidades escolares e às empresas”, revela o Presidente da Câmara.

Na comunicação ao Primeiro-Ministro, o autarca de Rio Maior propõe alterações nos critérios de avaliação da situação de risco dos Concelhos, como forma de melhorar a resposta do país à pandemia, tais como:

– Avaliação da Densidade Populacional – No combate a uma doença cuja transmissibilidade é tanto maior quanto a proximidade entre indivíduos, parece-nos essencial que a densidade populacional possa ser tida em conta, ajustando de forma mais próxima à realidade a análise da situação epidemiológica de cada Concelho.

– Elaboração de relatório da tendência evolutiva da pandemia – Um parecer da Direção Geral de Saúde, que possa atestar a tendência de determinado Concelho no momento da tomada de decisão. Um Concelho que se situe num ponto onde a inversão positiva da situação epidemiológica esteja a uma curta distância de ser alcançada, poderá mais facilmente receber um “voto de confiança” no sentido de, mantendo a referida tendência, poder acompanhar as medidas de desconfinamento.

– Periodicidade mais curta das avaliações – No tempo em que vivemos, as pequenas e médias empresas vivem tempos de autêntica agonia financeira. Cada dia que passa, e com graves constrangimentos à sua atividade normal, verificamos um crescimento exponencial das dificuldades sentidas pelos empresários. Assim, para Rio Maior, uma periodicidade mais curta da avaliação, no pressuposto do cumprimento dos critérios naqueles concelhos ser atingido mais cedo, seria bastante redutora dos prejuízos causados.

Rio Maior recuou no plano de desconfinamento

Rio Maior foi um dos quatro concelhos (juntamente com Moura, Odemira e Portimão) que voltaram hoje para a primeira fase do desconfinamento, enquanto a generalidade de Portugal continental avança para a terceira etapa do plano do Governo.

A decisão deveu-se ao facto de os concelhos registarem, pela segunda avaliação quinzenal consecutiva, uma taxa de incidência de casos de covid-19 acima de 240 por 100 mil habitantes em 14 dias.

Nestes quatro municípios, as esplanadas voltaram a estar, a partir de hoje, encerradas, assim como as lojas até 200 metros quadrados (m2) com porta para a rua, ginásios, museus, monumentos, palácios, galerias de arte e similares.

Passou ainda a estar proibida a realização de feiras e mercados não alimentares e a prática de modalidades desportivas de baixo risco.

Além destas restrições, os residentes não podem circular para fora do município, proibição que se aplica diariamente, a partir de hoje e durante os próximos 15 dias, ainda que estejam previstas exceções, como trabalho ou assistência a familiares.

Outros seis concelhos – Alandroal, Albufeira, Carregal do Sal, Figueira da Foz, Marinha Grande e Penela -, que registaram uma taxa de incidência superior a 120 casos por 100 mil habitantes num período de 14 dias, estão impedidos de avançar para o terceiro nível, mas também não retrocedem.

Publique o seu comentário