Grandes nomes da literatura de crime e mistério (4): John Dickson Carr

Em Leituras

John Dickson Carr

Dr. Gideon Fell: “Enganaram-se todos. O Júri enganou-se. O Juíz enganou-se. A Acusação enganou-se. A Defesa enganou-se.”

O narrador: “Mas Dr. Fell, não existe nenhum crime no mundo onde todos se tenham enganado!”

Dr. Fell (com orgulho visível): “Em todos os casos em que eu intervenho, meu caro Senhor, poderá sempre contar que aconteça praticamente tudo!”.

(The Hangman Won’t Wait, 1943, peça radiofónica, CBS, EUA)

Instalemo-nos num maple confortável (cheirando a couro, se possível).

Se estiver bastante frio, uma manta transmontana sobre os joelhos não será demais.

Para os que fumam (só aceitável o cachimbo), preparar uma mesinha, ao lado, com a parafernália de objetos do conhecedor, três ou quatro cachimbos (e um bom tabaco…).

À mão, uma garrafa com um líquido reconfortante (alcoólico, como parece evidente), um bom chá ou, até, uma cafeteira de chocolate fervente (em memória de Poirot…).

Escolhamos uma sala tranquila (ou o nosso “sancta sanctorum”, o escritório-biblioteca…).

Estamos prontos.

Escutemos, saboreando-o bem, um livro de John Dickson Carr.

Será um serão dos deuses…

John Dickson Carr (Creator) - TV Tropes

John Dickson Carr é um WASP, oriundo da Pennsylvania (EUA).

Este norte-americano será, ao longo da sua vida, em inúmeros aspectos (por vezes, nos piores…) o mais britânico dos autores policiais da “Golden Age”, dos anos trinta-sessenta…

Extraordinária vida a deste estrangeiro que, vivendo no Reino Unido, era mais inglês que os britânicos, mais chauvinista que os ultraconservadores de Sua Majestade.

Mantendo, em simultâneo, enquanto autor literário, uma invejável frescura de estilo, construído, durante quarenta e sete anos de carreira literária, com um sem número de romances, contos e peças teatrais para a rádio.

Justificou, de facto, a reputação de ser (e foi) um dos maiores mestres da literatura policial dedutiva “inglesa” do século XX!

Mais exatamente, entre 1930 e 1972 (o cancro, que o mataria em 1977, acrescido de um AVC grave, já o impossibilitava de desenvolver uma atividade normal em 1971…), escreveu, no total, 74 romances, 40 novelettes e contos, oitenta peças radiofónicas (algumas transformadas em contos curtos), uma biografia de Conan Doyle e diversos ensaios sobre o policial, temas históricos, etc.…

O “Carr’s Touch”!

Em que consiste?

Para começar, em violar (mas dizendo ou fingindo respeitá-las), sistemática e constantemente, as “regras sagradas dos Evangelhos de S. S. Van Dine e Ronald Knox”.

Introduzia o romantismo e o fantástico, deliberadamente, em páginas dignas de Dumas, Le Fanu ou Lovecraft (Regras 8, 13 e 16).

Cultivava com deleite as intrigas amorosas, dando-lhes (por vezes com uma liberação sexual muito pouco ultraconservadora…) ora um carácter alegre e desprendido, ou um melodramatismo insensato (Regra 3).

Usava, consoante lhe convinha, truques e manipulações e chega a ter livros com vários culpados, como, por exemplo, em “Three Coffins” (Regra 3).

Os suas obras fervilham de análises psicológicas subtis, longas descrições e desejo permanente de criar “uma atmosfera” (Regra 16).

Reúne, por vezes, o talento de Fell e Hadley e, noutros casos, tem vários criminosos (Regras 9 e 12).

São inúmeras as situações em que recorre ao sobrenatural, à magia, à ficção científica (Regra 14).

As tolices pomposas do Canon do compatriota Van Dine não o afectam.

Ignora-as risonhamente.

E foi prolífico, na lufada de ar fresco que introduziu no policial na rádio…

A ele se deve a criação, além do “Man in Black”, dos setenta e três “sketches” para a  British Broadcasting Corporation (“Who Killed Matthew Corbin?”, em três episódios; “Appointments with Fear”, mais de cinquenta, entre 1943 e 1955); de imensos heróis para todos os gostos: o Dr. Fabian, médico de bordo do Maurevania, para a americana CBS (“Suspense”, vinte “sketches, entre 1942 e 1943; “Cabin B-13”, treze episódios, entre Julho de 1948 e Janeiro de 1949); o aristocrático e arrogante Henri Bencolin (que aparece apenas em quatro obras, entre 1930 e 1937, como “Presidente de Câmara, Juíz de instrução criminal e Ex-Chefe da Polícia de Paris…”); o jurista Patrick Rossiter e o fiel Watson de um e outro, Jeff Marle (o innocent american abroad, pateta, dotado do irrealismo bom rapaz que o torna simpático); o K. C. Patrick Butler, jurista pretensioso e pouco simpático; o conhecido criminologista John Gaunt, um monumento de lucidez e simpatia; o Coronel March, um prodígio de pragmatismo britânico; o Inspetor-Chefe, depois, Superintendente, David Hadley, da Scotland Yard; sobretudo de dois gigantes do policial da “Golden Age”: o Dr. Gideon Fell e Sir Henry Saint-John Merrivale.

De todos estes destaco uma figura, simpática e generosa, e por igual imorredoura (eterno preito de homenagem e respeito a Gilbert Keith Chesterton, segundo uns; segundo outros, parodiando Samuel Johnson ou ainda A. Conan Doyle): o Dr. Gideon Fell.

Nascido nos idos de 1932 (“Hag’s Nook”). Fumador impenitente e bebedor de cerveja em quantidades homéricas, é também possuidor de uma pança de dinossauro e uma parecença (até no vestuário), nada casual, com G. K. Chesterton. Emérito universitário com diversas licenciaturas e mestrados (que, note-se, variam de livro para livro, consoante as necessidades), um dissertador de génio e, claro, um detective amador de primeiro plano.

Teve diversos Watsons: o jovem universitário americano Ted Rampole, filho de um amigo; outros académicos, mais britânicos e cinquentões que ele e um bode expiatório complacente (embora nunca totalmente passivo e acéfalo, como Lestrade ou Japp, chegando a conduzir sozinho e bem, alguns inquéritos).

O Chief-Superintendant Hadley.

Nele surgem as que serão as características marcantes na obra de Carr: um fundo inquietante de fantástico gótico, sempre presente, num “décor” asfixiante e malsão; um gosto pelo enquadramento histórico (sobretudo se o enigma se passa em Inglaterra…); um humor deslocado e insólito, que se traduz num comportamento das personagens a tocar, por vezes as raias do absurdo e até do “slapstick”; um assassinato ou mais, muitas vezes num local hermeticamente fechado ou inacessível.

E, com o seu estilo inimitável, um notável doseamento de trágico e de humor, Carr consegue transformar um beato, fastidioso e sermonesco (com todo o facciosismo do convertido tardio, que caracterizava “Chesterton”), num erudito e distinto criminologista, jovial e simpático, bebedor compulsivo, de capa preta e bigodes de bandoleiro calabrês, mais próximo de um Orson Welles no fim da vida, que do criador do Padre Brown. Ou (ainda menos) do tenebroso Conan Doyle, ou do gargantuesco Samuel Johnson.

No fim, em poucas páginas, com uma maestria inigualável, o prestidigitador dá-nos a solução, maquiavelicamente racional, deixando-nos sem fôlego…

Com Fell, ou noutras obras suas, Carr atinge um clímax de ambiguidade onde alia o terror e o insólito ao enigma policial, “resolvendo-o” duas vezes.

Uma, por meio de uma explicação puramente racional; numa segunda alternativa, com recurso ao fantástico, ao esotérico ou ao sobrenatural (veja-se “The Burning Court”, de 1937, onde podemos escolher entre uma hábil maquinação ou, se o preferirmos, uma reencarnação…).

Em “He Who Whispers”, de 1946, vai mais longe e sugere a reaparição de Cagliostro, de vampirismo, de fotografias enfeitiçadas, para acabar por dar (para os laicos e ateus impenitentes…) uma explicação lógica, freudiana e racional que baste…

É espantoso verificarmos que nada foi deixado ao acaso, nenhum dado fornecido ao leitor é gratuito ou redundante. E que as situações “sobrenaturais ou impossíveis” serão justificadas, reencaminhadas para a mais cartesiana das normalidades, duma forma concisa, em poucas palavras e sem subterfúgios.

Esta originalidade espantosa de Carr, torna-o porventura, o último dos grandes escritores do gótico britânico. Com viagens no tempo, castelos de Otranto, sábios dementes, missas negras, passagens secretas e corredores insondáveis e túmulos inviolados por séculos…

Na calma acolhedora dos nossos escritórios ou quartos, este homem faz-nos viajar por um mundo onde o pior pode acontecer. E geralmente acontece…

Em 1934, o incansável J. D. C. (desta vez sob o pseudónimo de Carr Dickson e, por fim, de Carter Dickson) apresenta-nos ao seu resolutor de enigmas mais fascinante: H. M., His Magesty’s, Sir Henry Merrivale.

Caricatura (não pacífica, dado haver quem diga que se inspirou em Mycroft Holmes, ou no pai, Woods Nicholas Carr) de Sir Winston Churchill, no físico de “bulldog”, no feitio de “rottweiler”, nos conhecimentos sociais que abrangem todo o planeta e nos tiradas de humor brilhante e vitriólico.

Aqui, o Boswell é um incaracterístico Captain Kenwood Blake (muito inferior ao herói da BD de Edgar Jacobs…); o bobo de serviço da polícia oficial, o Inspetor-Chefe Humphrey Masters, honesto funcionário da Scotland Yard, adepto dos fatos de sarja azul, inverno e verão, e de um chapéu de coco que, dado ser um santo, nunca enfia pela cabeça abaixo do odioso (para ele) Sir Henry…

E, uma vez mais, a magia de Carr, a sua alquimia sem par, metamorfoseia um odioso reaccionário, pleno de penosas contradições morais, psicológicas e sexuais, como foi Churchill, numa figura encantadora e Falsttafesca, com um extraordinário faro policial, que é Sir Henry, ex-chefe do War Office, da contraespionagem, antigo advogado, gaiato incorrigível, paternal e casamenteiro (para todos os jovens que encontra nas suas investigações) e excelente comensal (a “inspiração” em Mycroft Holmes nem merece, a meu ver, contestação).

Mas, atenção! Carr tinha um humor perverso.

Ele próprio ultraconservador, a raiar a extrema-direita, transpõe para Merrivale a sua admiração pela figura tenebrosa de José Fouché (cujo retrato adorna a parede do gabinete de Sir Henry, em seis livros: “The Plague Court Murders”; “The White Priory Murders”; “The Peacock Feather Murders”; “Night of The Mocking Widow”; “All in a Maze”; “Deadly Hall”, já de 1971, onde o herói, narrador do livro, confessa ter escrito um romance histórico, “Mon Ami Fouché” …).

Mais ainda.

Carr torna figura central do seu romance histórico de espionagem, “Captain Cuthroat”, o admirável “vira-casacas” Joseph Fouché….

Estranha fixação afectiva numa figura caracterizada (como Churchill, aliás…) por uma total ausência de escrúpulos e princípios éticos, em matéria política…

Deliberadamente, para nos não alongarmos, omitimos a figura (mais incaracterística) do Coronel March, que aparece apenas em nove das novelas de “Scotland Yard, The Department of Queer Complaints” (W. Heinemann, 1940; Dell, 1965), inspirado, ao que parece, pela personalidade e aspecto de um grande amigo de Carr, o Coronel Cecil John Charles Street (1884-1964) e igualmente um dos grandes escritores policiais da “década de ouro anglo-saxónica”: o escritor John Rhode.

Com o qual, aliás, Carr escreveu em colaboração um excelente livro (“Drop to his Death”), em 1939.

Pouco importa como era March (ou John Rhode…). Imortalizou-o, para sempre, a interpretação que dele faz Boris Karloff, em 1953, numa famosa série televisiva da ITV, “Colonel March Investigates”. Zarolho (com banda negra na vista…), bigode farto e muito “British”, sempre de cachimbo e bengala-espada, casacos de “tweed”, duma doçura inalterável, era uma caricatura melhor que o original…

Fora os outros, acima referidos de passagem, como o Coronel Marquis, Henri Bencolin, Hadley, Butler.

É obra!

John Dickson Carr nasce, a 30 de novembro de 1906, em Uniontown, na Pensilvânia (EUA).

São seus pais, Nicolas e Julia Wood, de ascendência escocesa, sendo aquele advogado de renome, depois Congressista, no “período” Woodroow Wilson (1913-1916).

Segue, pois, com seus pais para Washington, com oito anos e até aos catorze, num meio sofisticado de políticos e diplomatas, adquire uma sólida cultura de autodidata, apaixonando-se pelos livros de domínios tão díspares como o da detecção criminal, a história da Europa (e do Reino Unido, em especial), o fantástico ficcional e o esoterismo, o ilusionismo e a esgrima.

Estão aqui, em síntese, os conhecimentos que o tornarão grande na ficção policial.

Entretanto, para se exercitar na forma de escrever bem, concisamente e com estilo, envia crónicas jornalísticas (grandes processos criminais, por exemplo) para um jornal de que o avô é proprietário (em Uniontown).

Adora fazer “farsas macabras” (inofensivas…) aos professores e data desta época a sua paixão pela literatura dita de “ler e deitar fora”: Roulletabille e Arsène Lupin, Sherlock Holmes e Padre Brown.

Sempre se teve por um péssimo estudante, no que peca por excesso de modéstia: era excelente em História e Literatura e tinha uma aptidão notável para a aprendizagem das línguas estrangeiras.

Inscrito, em 1921, na Uniontown’s High School, mais tarde, em 1925, no Haverford’s College, publica um magazine literário mensal: “The Haverfordian”, a partir de 1926, no qual, por três anos, faz imprimir as suas primeiras histórias. De morte, traição, amor e honra…

Os títulos dizem muito: “…As Drink the Dead”; “The Black Banner”, “The Inn of the Seven Swords” …

Mas é também aí que aparece pela primeira vez a figura (ainda muito ambígua nos contornos…) de Bencolin, na novela de janeiro de 1927, “The Shadow of the Goat”, mistério de “quarto fechado”, desenvolvido com notável maestria e que ainda merece ser lido.

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John Dickson Carr

Em fins de 1929, publica o seu primeiro romance policial, “It walks by night”, que obtém, de imediato, um inesperado e retumbante sucesso.

É nele que adquire tridimensionalidade e nasce verdadeiramente o primeiro dos seus detectives, o francês Henri Bencolin, sucessivamente, num endiabrado ritmo de “vaudeville” à Offenbach, Juíz de Instrução Criminal, “Préfect de Police” e ainda, as duas coisas simultaneamente!!!

Em 1931, Bencolin aparece em dois bons romances (“Castle Skull” e “The Lost Gallows”), a que se segue, em 1932 “The Waxworks Murder” e, por fim, “The Four False Weapons” em 1937, após o que se torna, talvez, presidente da República ou vendedor de “croissants” e desaparece, para sempre, da obra de Carr. 

Como investigador criminal, resulta numa combinação de Machiavello e Adolphe Menjou “bom rapaz”, sendo o protótipo do detective francês, visto com os olhos da Hollywood dos anos trinta…

Henri Bencolin (muito mais humano, apesar de tudo, que o odioso Philo Vance ou mesmo Martin Hewitt, a Ubuesca criação de Arthur Morrisson) é um cavalheiro satânico, com nariz aquilino e cabelos negros impecavelmente penteados, risca ao meio, barbicha mefistofélica e evidente fortuna pessoal.

Anda quase sempre de casaca, chapéu alto e bengala de castão de prata cinzelada (que deve ocultar alguma espada mortal…).

Exibe copiosos paradoxos e cedo se torna insuportável para os seus infelizes companheiros de detecção criminal…

Adora a recente moda do “jazz” e difere pouco dos Lord Peter que enxameiem por essa época na ficção de crime & mistério…em suma, um dandy excêntrico, que só se distingue dos seus “pares” por um imperceptível toque satânico, que só encontraremos de novo em Harley Quin, criação de Agatha Christie.  

A figura de Henri Bencolin, que terá sido inspirada por um amigo jornalista de Carr, faz-se sempre rodear, nos aspectos mais prosaicos dos inquéritos, de uma atmosfera “gótica”.

Homem da noite, na Paris decadentista do pós-guerra (1914-1918…), passeia o seu snobismo, estufado com bons rendimentos, sempre acompanhado pelo seu fiel amigo e biógrafo, o jornalista americano Jeff Marle, em busca de ocasiões de fazer justiça onde a outra, “a oficial”, foi metida a ridículo…

Quanto ao nosso John Dickson Carr, acaba por usar, em 1928, o pretexto da Sorbonne (onde nem chega a por os pés…) para convencer seu pai das vantagens de ir estudar para Paris.

Vai, sim, enveredar definitivamente pela carreira literária.

Em Paris, conhecerá em pormenor o “Grand Guignol” e a “Gallette”, as obras de G. Leroux e Maurice Leblanc e Montmartre…na sua faceta mais boémia.

Depois de um ano inteiro pela capital francesa (onde o nosso “dandy” revela uma patológica inaptidão para apreender, um mínimo que seja, da topografia parisiense, da forma de pensar do francês comum, dos elementos mais rudimentares dos sistemas judicial e policial franceses…) volta aos EUA.

A partir daí, viajará muito (África, Madagascar, Mitteleuropa). E, está claro, Inglaterra, em diversas e longas estadias.

Está definido o seu destino. Casa-se com Clarice Cleaves, inglesa de Bristol, em 1931. Tem três filhas, Julia (1932), Bonita (1940) e Mary (1942), o seu “coração passa a ser inglês” e aí residirá mais anos que nos EUA, até à sua morte.

Os seus primeiros livros e sucessos literários serão em Londres (filial britânica da Harpers & Brothers; Hamish Hamilton), a sua assimilação ao “British Way of Life”, fulminante. Torna-se, num período inverosimilmente curto, um autor de sucesso e uma figura indispensável em todos os acontecimentos literários artísticos e sociais da Londres dos anos trinta. Cria (para a editora inglesa William Heinemann) um novo Carr, o escritor Carter Dickson, pai de Sir Henry Merrivale.

É (e penso que por muito tempo continuará a ser) considerado o grande virtuose do “crime em local fechado” e do romance policial “histórico”.

É o próprio Carr que nos diz que um dos, senão “o” livro que mais o impressionou, foi o “Mystère de La Chambre Jaune”, de Gaston Leroux.

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John Dickson Carr com Adrian Conan Doyle

Crimes impossíveis (com odor sobrenatural ou não…), crimes em local fechado, são um domínio onde ele ainda hoje surge (pese embora a Joseph Commings ou Edward D. Hoch) como o mestre absoluto. Sempre rico em tramas inéditas e situações (e soluções) que nos deixam estupefactos.

A sua técnica de manipulador do leitor (que alguns títulos, como “Seeing is Believing”, “The Case of The Constant Suicides”, sobretudo, “The Hollow Man/The Three Coffins”, de 1935, tão bem retratam) tem um encanto inexcedível, aliado a uma capacidade única de suscitar no leitor, desde o início, um sentimento de angústia e terror, com a forma como vai desenhando o desenrolar da história.

A sua caracterização de uma “atmosfera”, em poucas palavras, é excelente. “O crepúsculo tornara a casa uma massa negra, eriçada de empenas, lançando rasgos de claridade por cada janela, que realçavam as sombras chinesas das Glicínias que trepavam pelas paredes” (“To Wake the Dead”); ou “através dos poros, aspirava o calor, o fumo, a humidade alcoolizada do bar” (“The Blind Barber”).

Neste aspecto, “The Hollow Man” (que aparece na edição americana como “The Three Coffins”) atinge o grau máximo, na dinâmica de terror e mistério, descritos em poucas palavras (compare-se com outra obra contemporânea, “Asa de Morcego”, de Sax Rohmer…).

Desta obra-prima, baseada numa enternecedora história de amor, disse Julian Symons que, num extenso e multinacional júri de críticos especializados, convidado a indicar as dez melhores obras de tema crime impossível, aquela figurava, na esmagadora maioria das opiniões individuais, em primeiro lugar.

Entre as dez também figuravam três outras histórias de Carr: “The Crooked Hinge”; “Ten Teacups” e “The Judas Window”.

Outra faceta onde prima este americano, mais britânico que John Bull, é o histórico policial, onde ressaltam o excepcional “Burning Court”, “The Bride of Newgate”, “Captain Cutthroat”, “The Cavalier’s Cup”, “The Devil in Velvet” e “Fire, Burn !” onde, para se situar na época adequada, faz os seus heróis viajarem no tempo, recorrendo a recursos de tal infantilidade, que é melhor saltar as páginas iniciais…

Finalmente, quando o seu ódio aos trabalhistas, em 1958, o faz voltar aos E.U.A. (ódio ideológico, mas também despeito e raiva pela aplicação, por aqueles, de uma política fiscal mais justa…), a chamada “fase americana”, com três romances, dois dos quais históricos (“Dark of The Moon”; “The Ghost’s High Noon”; “Papa, Là-bas”).

Como nos ingleses, são impecáveis reconstituições históricas, a que, Carr, no fim de cada um destes livros, entende elucidar suplementarmente os leitores sobre o enquadramento e base histórica em que fundamentou a obra.

Em 1936 é convidado (sob proposta de Gilbert K. Chesterton) para pertencer, ele que é americano, ao famosíssimo “London Detection Club”, apadrinhado por Agatha Christie e Anthony Berkeley.

A popularidade da rádio, o advento da II Guerra Mundial e o sucessivo bombardeamento, pelos nazis, durante a “blitzkrieg“, de três residências onde se encontrava com a família, empurram-no temporariamente para os EUA.

Colabora com a BBC (britânica) e a CBS (americana) no esforço de guerra, com uma profusão de peças radiofónicas que são pequenas obras-primas do género, amua com a política trabalhista e volta aos “States”.

Talvez não por falta de inspiração, mas porque a literatura policial, terminado que foi o reinado do Macarthismo, está a mudar (Chandler, Ross MacDonald, James Cain, Ed Mac Bain) começa um lento e imparável processo de perda de popularidade, que o afecta.

Tenta renovar, em género e temática, mas a corda já não vibra como dantes.

Atingido por um AVC, por um cancro na garganta (foi sempre um grande fumador), enfraquecido pelas sequelas, extingue-se em 27 de fevereiro de 1977, com setenta anos.

Chovem elogios e louvores de toda a parte. Mas a mais justa é porventura a de Edmund Crispin, inglês por nascimento como ele o foi por opção: “Pela sua subtileza, engenho e “atmosfera” que soube criar nas suas obras, foi, sem lugar a dúvida, um dos três ou quatro melhores autores de romances de mistério de língua inglesa, depois de Edgar Poe”.

Mas, afinal, porquê, ainda hoje, mergulhamos, com um intenso prazer, em obras de um autor que usa e abusa constantemente de “truques desleais”, de dissimulados prodígios esotéricos, de situações barrocas, de fenómenos impossíveis, de “crimes impossíveis, “em espaços fechados”, onde não poderiam ocorrer, mas ocorreram?

Porquê aceitamos o reacionarismo não disfarçado que banha toda a sua obra, de forma por vezes insuportável (e que o leva a exilar-se da “sua querida Albion” por quase dezasseis anos, só para fugir aos impostos)?

Há várias respostas.

A do americano Anthony Boucher, que, no início dos anos quarenta, diz dele que “Carr constrói as suas intrigas policiais como Schubert compunha uma melodia; a mesma aptidão para criar uma obra-prima a partir de “um quase-nada”. Ninguém, sem a mínima dúvida, soube elevar a história de detecção a um tal nível de perfeição, sem, no entanto, ultrapassar as fronteiras do género”.

O genial crítico Howard Haycraft (no seu ensaio “Murder For Pleasure”), refere, em 1941: “…o único mistério que rodeia a personalidade de Mr. Carr é o de saber como um único escritor é capaz de imaginar um tão diverso número de histórias, dum padrão de qualidade tão constante”.

Dorothy Sayers, uma das suas primeiras admiradoras, diz que Carr “…sabe criar uma “atmosfera” com um simples adjetivo, o medo com uma ligeira alusão, ou a alegria sem peias, com uma absurda exuberância”.

Leslie Charteris (e Deus sabe como o criador do “Santo” era avaro em elogios…) constata: “[…em matéria de enredos hábeis e subtis, as mais belas histórias de sempre que li foram, sem contestação, as de John Dickson Carr..]”.

E, a terminar esta breve resenha dos elogios que lhe fizeram, Agatha Christie, confessará: “Pouquíssimos escritores de romances policiais me conseguem [quanto à solução] enganar. Mr. Carr consegue-o sempre”.

Podemos dizer muito mais.

Introdutor do policial histórico digno desse nome, Carr faz ponto de honra de evidenciar, sem qualquer pedantismo, um profundo conhecimento, seriamente documentado, das épocas que retrata, sendo quase impossível encontrar nas suas obras, erros históricos de monta. Pessoalmente, encontrei apenas um.

Mais.

Junta-lhes, no final, uma “Nota para os curiosos”, por vezes de grande erudição e leitura acessível e elegante, que completa o quadro histórico inserto na própria obra.

John Dickson Carr abalança-se a fazer um conjunto de quatro romances histórico-policiais que consagra a evolução histórica da polícia britânica, do famoso Sir John Fielding e dos seus “Bow Street Runners” á evolução nas modernas técnicas criminológicas (1937, “The Witch of the Low-Tide”).

Apesar de alguns biógrafos de Carr (como Douglas G. Greene) criticarem, por vezes veementemente, a exatidão histórica de alguns dados, como mesmo o nível, segundo eles, literário das obras (com efeito, Carr sofre um AVC e fica hemiplégico e diminuído, a partir da Primavera de 1963), o que lhe diminui as faculdades de forma notória, a ideia em si é, mais do que original, inédita: fazer o leitor percorrer, em sucessivos livros, um “fresco” da história criminal da Grã-Bretanha, ao longo de mais de duzentos anos.

A ingenuidade ou “linearidade” primária de fazer “viajar no tempo” alguns dos seus heróis, por vezes sem explicação mínima, as aparições extemporâneas de Laurence Sterne, Sir John e seu irmão Henry Fielding, José Fouché e Charles-Maurice de Talleyrand-Périgord, Carlos II de Inglaterra, Lord Shaftesbury, Elizabeth Vestris e George Brummell, fazem cintilar, não apoucar estas obras.

Ainda hoje se leem com imenso agrado e trazem consigo um odor a juventude, semelhante à que emerge dos livros de Dumas, Sabatini ou Salgari onde, adolescentes, recebemos o chamado da aventura, da narrativa fabulosa, da história do herói que, depois de um percurso rico em peripécias, descobre o vilão e castiga-o de “mãos limpas”.

Inovador também (abrindo caminho a Joseph Commings, Anthony Boucher- H. H. Holmes, Hake Talbott, Edward D. Hoch, Paul Halter), nos chamados “crimes de quarto fechado” ou “crimes impossíveis”, em que que apresenta soluções geniais, ainda que perfeitamente plausíveis.

Inovador, em temas de romances de crime e mistério, a um ponto quase inacreditável, indo do malefício de Lúcifer aos túmulos egípcios; das maldades da empregada dos correios da aldeia britânica aos espadachins perversos da época do regente George (futuro George IV de Inglaterra); do crime crapuloso e repulsivo, num bucólico “pic-nic” de primas acompanhadas por Henry Merrivale, (participante, sem o saber, num asqueroso processo para herdar de uma parente rica) – “The House Of  The Goblin Wood”, 1947.

Considerada esta última, por quase todos, como um dos melhores contos policiais jamais escritos.

Duma aposta tonta, num meio rural de “cant” inglesa, a um psicopata assassino, à solta num transatlântico, de clérigos incongruentemente embriagados, a histórias de Haroun Al-Rashid, são muitos os enredos inéditos. Inúmeros, de facto.

Bellow Suspicion”, por exemplo, para não citar um dos seus livros mais conhecidos, serve de “matriz” a histórias muito semelhantes de dezenas de autores posteriores, que continuam a perder com a comparação…  

O seu magistral domínio da conjugação do fantástico, herdado do “gótico” inglês do século XIX, com o policial dedutivo clássico, criando o chamado “crime impossível” (que tem sempre uma explicação racional…), dá-lhe uma tal capacidade criativa que consegue oferecer ao leitor (“se ele o quiser….”) a possibilidade de uma leitura fantástica (veja-se os geniais “The Burning Court” e “The Crooked Hinge”, com epílogos em anticlímax, que nos mergulham de novo no irracional, do esoterismo satânico, da magia negra…), para, no fim, a fazer estilhaçar em bocadinhos, através de um itinerário racional que explica por meios, oportunidades e motivações humanas, como e porquê foi o crime cometido…

Disse Carr: “Inverosímil? Parece-me razoável sublinhar que a palavra “inverosímil” é decerto o último dos qualificativos a aplicar por quem pretende enfiar o romance policial nas profundezas do inferno. O nosso amor por ele é, em grande parte, fundado no amor ao impossível” …

E sempre o “fair-play”, temperado com o sal de um humor negro exuberante e um excesso de imaginação que dá à vida um colorido que a torna mais apaixonante (“The Arabian Nights Murder”, “The Punch and Judy Murders”).

Ou ainda, como processo, que usa sobretudo nas novelas do Coronel March, onde a concisão (têm de ser muito curtas…) é imperativa e que transforma miraculosamente em romances-miniatura (á maneira de Saki, William Irish, O. Henry, Frederick Brown ou Edward H. Hoch).

Condensando, como poucos escritores, uma vida (ou morte) em trinta páginas (ou em 26 minutos de TV …), usando um adjetivo para caracterizar uma atmosfera, um advérbio para definir um carácter, transbordando ironia ou fazendo nascer um clima fantasmagórico e opressivo, em apenas dois parágrafos. 

John Dickson Carr tem um poder de evocação subtil do terror que se insinua em crimes que parecem “sobrenaturais” (…mas não o são. Ou serão, afinal?).

Introduz, como ninguém o “Senhor do Mal”, o Diabo, no quotidiano mais banal, com esmagadoras acumulações de dados, anormais ou vulgares, sempre com um toque de terror metafísico ou de bizarro. Sempre temperados por uma pitada de humor de primeira água, humor permanente que insufla aos seus escritos um sabor e um encanto incomparáveis.

No entanto, no início da sua atividade literária (1935), já dele dizia Dorothy Sayers “Mr. Carr sabe arrancar-nos ao mesquinho cenário, artificial e brilhantemente iluminado do romance policial vulgar, para nos arrastar para as ameaçadoras trevas do “exterior”. É capaz de criar toda uma atmosfera com um simples adjetivo. Consegue criar a angústia com um ato de prestidigitação, o riso com um absurdo. É capaz de recriar, do princípio ao fim, um trecho esquecido de Edgar Poe e de o fazer parecer real. Sabe escrever de tal forma que cada frase é, para nós, uma permanente e intensa fonte de prazer”.

Foi o rei do “red herring”, ou seja, a mistificação do leitor (a misdirection), conduzindo-o a uma percepção totalmente errada dos dados, que, no entanto, lhe são lealmente fornecidos, juntando indícios reais que levam a uma pista falsa…

Apenas o diminui (e muito), uma pecha, quase sempre excessiva, por um sentido de humor (que muitas vezes atinge a farsa muito americana do “pastel na cara”), por vezes deslocado, fora do ritmo certo, inadequado no contexto onde o insere.

A descrição de Sir Henry Merrivale, calvo, vermelhusco e absurdamente vestido, assim como as peripécias infantis ou “pratical jokes” com que se inicia cada livro de Carter Dickson (onde figura Merrivale) são dignas dos “Three Stooges” …

Resumindo: Carr, sendo embora um tradicionalista do género “whodunnit”, muito “anos trinta”, supera esse espartilho (se o quisermos considerar como tal…) e consegue, como muito poucos, que o “sobrenatural”, o injustificável, face à visão científica dos factos que a razão dá como certos, tenha uma explicação lógica, banal muitas vezes (sempre?) possível.

E tudo isto, estes portentosos malabarismos da narração, sem deslealdades do autor. Dado que, por seu mérito, estivemos sempre a olhar para o lado errado…

A crítica chama a Carr o “matemático” do “crime novel”.

Mais do matemático, John Dickson Carr foi o grande Houdini da novela policial.

Para finalizar, experimentemos o prazer de ler uma obra de Carr. Degustemo-la sem pressas, como um excelente Douro de boa casta, saboreando com pequenos sorvos, a perturbadora perversidade dos malefícios (sobrenaturais ou não) que nos anuncia.

E apercebemo-nos, à medida que lemos, da gradual transformação e encanto dos crimes anunciados, da profundidade e beleza do mistério que nos é, por fim, desvendado, arredondando-se num sabor que, por vezes, se tinge das cores de uma tragédia grega.

 Assim foi Carr.

Carlos Macedo

ROMANCES HISTÓRICO-POLICIAIS

DEVIL KINSMERE, 1934, SOB PSEUDÓNIMO (ROGER FAIRBARN)

THE MURDER OF SIR EDMUND GODFREY, 1936

THE DEVIL IN VELVET, 1951

FEAR IS THE SAME, 1956

FIRE, BURN!, 1957

THE BRIDE OF NEWGATE, 1950

CAPTAIN CUT-THROAT,  1955

THE GENTLEMAN FROM PARIS, 1950

THE HUNGRY GOBLIN, 1972 (COMO DETECTIVE, WILKIE COLLINS)

SÉRIE DA EVOLUÇÃO DA POLÍCIA BRITÂNICA AO LONGO DOS TEMPOS

THE DEMONIACS, 1962 – “BOW SREET RUNNERS”, CRIAÇÃO DE SIR JOHN FIELDING (1757), PRIMEIRA FORÇA POLICIAL LONDRINA, ANTERIOR AOS “PEELERS”, CRIAÇÃO DE SIR ROBERT PEEL, SESSENTA ANOS DEPOIS.

FIRE, BURN!,  1957 / 1970 (ALTERADO) – NASCIMENTO DA SCOTLAND YARD (1829)

SCANDAL AT HIGH CHIMNEYS, 1959 – PRIMEIROS DETECTIVES PRIVADOS (1865)

THE WITCH OF THE LOW-TIDE –APARIÇÃO DAS MODERNAS TÉCNICAS DE CRIMINOLOGIA (1907)

SÉRIE NEW ORLEANS

PAPA LÀ-BAS, 1968

THE GHOST’S HIGH NOON, 1969

DEADLY HALL, 1971

DR. GIDEON FELL SAGA

HAG’S NOOK, 1933

THE MAD HATTER MYSTERY, 1933

THE EIGHT OF SWORDS, 1934

THE BLIND BARBER, 1934

DEATH-WATCH, 1935

THE PROBLEM OF THE GREEN CAPSULE /THE BLACK SPECTACLES, 1939

DEATH TURNS THE TABLES / THE SEAT OF THE SCORNFUL, 1941

THREE COFFINS / THE HOLLOW MAN, 1935

THE CROOKED HINGE, 1938 (DEDICADO A DOROTHY SAYERS)

THE CASE OF THE CONSTANT SUICIDES, 1941

THE ARABIAN NIGHTS MURDERS, 1936

TO WAKE THE DEAD, 1937

THE PROBLEM OF THE WIRE CAGE, 1939

THE MAN WHO COULDN’T SHUDDER, 1940

TILL DEATH US PART, 1944

HE WHO WHISPERS, 1946

THE SLEEPING SPHINX, 1947

THE DEAD MAN’S KNOCK, 1948

BELLOW SUSPICION, 1949

IN SPITE OF THUNDER, 1960

THE HOUSE AT SATAN’S ELBOW, 1965

PANIC IN BOX “C”, 1966

DARK OF THE MOON, 1967

THE WRONG PROBLEM, 1936

THE PROVERBIAL MURDERS, 1938

A GUEST IN THE HOUSE, 1940

KING’S ARTHUR CHAIR, 1957

THE LOCKED ROOM, 1940

WHO KILLED MATTHEW CORBIN?, 1939

THE BLACK MINUTE, 1940

THE DEVIL IN THE SUMMERHOUSE, 1940

THE HANGMAN WON’T WAIT, 1943

THE DEAD SLEEP LIGHTLY, 1943

SIR HENRY SAINT- JOHN MERRIVALE SAGA

THE PLAGUE COURT MYSTERY, 1934
THE CURSE OF THE BRONZE LAMP, 1945
THE JUDAS WINDOW, 1938

THE UNICORN MURDERS, 1935

THE PUNCH AND JUDY MURDERS, 1937

THE READER IS WARNED, 1939

SHE DIED A LADY, 1943

NIGHT AT THE MOCKING WIDOW, 1950

THE GILDED MAN, 1942

THE RED WIDOW MURDERS, 1935

THE PEACOCK FEATHER MURDERS (THE TEN TEACUPS), 1937/8

NINE AND DEATH MAKES TEN, 1939

HE WOULD’NT KILL PATIENCE!, 1944

BEHIND THE CRIMSON WALL, 1952

THE BOWSTRING MURDERS, 1936

THE WHITE PRIORY MURDER, 1936

SEEING IS BELIEVING, 1934

MY LATE WIVES, 1945

DEATH IN FIVE BOXES, 1953

THE EMPEROR SNUFFBOX, 1943

THE CAVALIER’S CUP, 1953

ALL IN A MAZE, 1956
THE HOUSE IN THE GOBLIN WOOD, 1947 (CONTO)

MR. HENRI BENCOLIN-JEFF MARLE SAGA

THE SHADOW OF THE GOAT, 1927
IT WALKS BY NIGHT, 1930

THE LOST GALLOWS, 1931

CASTLE SKULL, 1931
THE CORPSE IN THE WAXWORKS, 1932
THE FOUR FALSE WEAPONS, 1937

GRAND GUIGNOL, 1932

THE SHADOW OF THE DEVIL, 1932

THE FOURTH SUSPECT, 1932

BLIND JUSTICE, 1934

THE MYSTERY OF COMPARTMENT FOUR, 1934

PATRICK ROSSITER-JEFF MARLE SAGA

POISON IN JEST, 1932

COLONEL MARCH’S SAGA

“ SCOTLAND YARD: DEPARTMENT OF QUEER COMPLAINTS”

1940 E 1965 (NOVA EDIÇÃO REFORMULADA), ONZE CONTOS CURTOS, SETE COM O CORONEL MARCH:

THE NEW INVISIBLE MAN

THE FOOTPRINT IN THE SKY 

THE CRIME IN NOBODY’S ROOM

HOT MONEY

DEATH IN THE DRESSING-ROOM

THE SILVER CURTAIN

ERROR AT DAYBREAK

E AINDA:

THE EMPTY FLAT, 1939

WILLIAM WILSON’S RACKETT, 1940

(PUBLICADOS NO “STRAND”, EM MAIO DE 1939 E FEVEREIRO DE 1940)

FANTÁSTICO POLICIAL – CRIME IMPOSSÍVEL

THE BURNING COURT, 1937
THE THIRD BULLET, 1937

FATAL DESCENT, 1939 (COM JOHN RHODE)

THE NINE WRONG ANSWERS, A NOVEL FOR THE CURIOUS, 1952

TERROR’S DARK TOWER, 1935

A GRAVEYARD TO LET, 1949

THE SLEEPING SPHINX, 1947

THE OTHER HANGMAN, 1940

NEW MURDERS FOR OLD, 1940

PERSONS OR THINGS UNKNOWN, 1940

BLIND MAN’S HOOD, 1940

NOVELAS RADIOFÓNICAS

SÉRIE “APPOINTMENT WITH FEAR”, ENTRE 1940 E 1943, PARA A B.B.C., DURANTE A GUERRA, QUE TEM SEQUÊNCIA NA C.B.S. – 1942, NUM TOTAL DE OITENTA EPISÓDIOS, DE QUE DESTACO, PELO SEU EXCEPCIONAL NÍVEL:

SUSPENSE

CABIN B-13

THE DEVIL’S SAINT

THE ISLAND OF COFFINS

SHERLOCK HOLMES “PASTICHES” (COM SIR ADRIAN CONAN DOYLE)

SÉRIE “THE EXPLOITS OF SHERLOCK HOLMES”

THE ADVENTURE OF THE SEVEN CLOCKS

THE ADVENTURE OF THE GOLD HUNTER

THE ADVENTURE OF THE WAX GAMBLERS

THE ADVENTURE OF THE HIGHGATE MIRACLE

THE ADVENTURE OF THE BLACK BARONET

THE ADVENTURE OF THE SEALED ROOM

THE ADVENTURE OF FOULKES-RATH

THE ADVENTURE OF THE ABBAS RUBY

THE ADVENTURE OF THE DARK ANGELS

THE ADVENTURE OF THE TWO WOMEN

THE ADVENTURE OF THE DEPTFORD HORROR

THE ADVENTURE OF THE RED WIDOW

BIOGRAFIAS

THE LIFE OF SIR ARTHUR CONAN DOYLE, 1949

SÉRIE TELEVISIVA (ITV-UK)

TRANSMISSÃO EM 1955-1956.

TRANSPOSTOS PARA O CINEMA, NUMA SÉRIE DE FILMES, PROTAGONIZADOS POR BORIS KARLOFF, CHRISTOPHER LEE, ANTON DIFFRING, HUGH GRIFFITH, TONY WRIGHT, GEORGE COULORIS, PETER ILLING, ETC, INICIADA EM 1953, COM “SCRIPTS” ADAPTADOS DA PERSONAGEM DE CARR POR LESLIE SLOTE E LEO DAVIS (OS SEIS PRIMEIROS, ADAPTAÇÕES LITERAIS), DE 26 MINUTOS CADA, REALIZADOS ENTRE OUTROS, POR TERENCE FISHER, BERNARD KNOWLES. NOMEADAMENTE:

HOT MONEY

DEATH IN THE DRESSING-ROOM

THE NEW INVISIBLE MAN

ERROR AT DAYBREAK

THE SILVER CURTAIN

THE INVISIBLE KNIFE

DEATH IN INNER SPACE

THE MISSING LINK

THE SECOND MONA LISA

THE TALKING HEAD

AT NIGHT, ALL CATS ARE GREY

THE ABOMINABLE SNOWMAN

DEATH AND THE OTHER MONKEY

PASSAGE AT ARMS

THE STOLEN CRIME

MURDER IS PERMANENT

THE CASE OF THE LIVING GHOST

THE SORCERER

THE DEADLY GIFT

THE STRANGE EVENT AT ROMAN FALL

THE DEVIL SELL HIS SOUL

THE SILENT WOW

THE CASE OF THE MISGUIDED MISSAL

THE CASE OF THE KIDNAPPED POODLE

PRESENT TENSE

THE HEADLESS HAT

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