Derek Chauvin considerado culpado de todas as acusações no homicídio de George Floyd

Em Mundo

O ex-agente policial norte-americano Derek Chauvin foi hoje considerado culpado de todas as acusações no julgamento do homicídio do afro-americano George Floyd. 

George Floyd tornou-se símbolo da violência policial contra os afro-americanos. Imagens do vídeo com o ex-polícia Chauvin a pressionar com o joelho o pescoço do afro-americano, provocando-lhe a morte.

Chauvin – que na sala de tribunal ouviu impassível a palavra “culpado” ser pronunciada por três vezes na deliberação dos jurados para os crimes de homicídio em segundo grau, homicídio em terceiro grau e homicídio por negligência – foi levado sob custódia policial, algemado, depois de fazer uma ligeira vénia na direção do juiz.

A pena a que Chauvin irá ser condenado será determinada em sentença judicial, a agendar pelo tribunal do condado de Hennepin, na cidade de Minneapolis.

O crime de homicídio em segundo grau é punível com até 40 anos de prisão, homicídio em terceiro grau com pena máxima de 25 anos, e homicídio por negligência com pena de prisão de até 10 anos.

Como não tem antecedentes criminais, Chauvin só poderá ser condenado a um máximo de 12 anos e meio de prisão por cada uma das duas primeiras acusações e a quatro anos de prisão pela terceira.

As imagens da detenção de Floyd em maio de 2020, com Chauvin a pressionar o pescoço por mais de nove minutos, apesar de o detido gritar “não consigo respirar”, causaram motins em todos os Estados Unidos no verão passado, com a vítima a tornar-se símbolo da violência policial contra os afro-americanos.  

Chauvin é o primeiro polícia nos EUA a ser condenado pela morte de um afro-americano.

Chauvin declarou-se inocente de todas as acusações.

A defesa de Chauvin baseou-se no facto de o agente ter seguido o que o treino policial prescreve para imobilizar indivíduos que resistam à ordem de detenção e que a morte de Floyd se deveu ao consumo excessivo de drogas e não a asfixia causada pela pressão sobre o seu pescoço.

Testemunhando no julgamento de Chauvin, o chefe da Polícia Medaria Arradondo afirmou que pressionar o pescoço com o joelho depois de o detido estar algemado e de borco, como fez o ex-agente, “não faz de alguma forma ou feitio” parte das normas ou treino policial.

Assassinato de George Floyd – Wikipédia, a enciclopédia livre
Imagens da violência policial que provocaram a morte de George Floyd

Ao considerarem Chauvin culpado das acusações, os jurados concluíram que as ações de Chauvin foram “um fator causal substancial” na morte de Floyd e que o uso de força por parte do agente não foi “razoável e proporcional”.

A acusação de homicídio em segundo grau exigia que os procuradores fizessem prova de que Chauvin quis deliberadamente prejudicar Floyd, mas que não pretendia matá-lo.

A acusação de homicídio em terceiro grau exigia prova de que as ações de Chauvin foram “eminentemente perigosas” e sem olhar ao risco de perda de vida.

A acusação de homicídio por negligência exigia que os jurados acreditassem que o agente causou a morte de Floyd sem ser de forma consciente.

Hoje, o​ Presidente norte-americano, Joe Biden, disse que as provas no julgamento da morte de George Floyd eram “esmagadoras”.

Os outros três polícias que participaram na detenção – Alexander Kueng, Thomas Lane e Tou Thao – serão julgados em agosto, acusados de cumplicidade no homicídio.

Do desporto à política, alívio por “justiça” da condenação de Chauvin

Destacadas personalidades norte-americanas saudaram a condenação do ex-agente policial Derek Chauvin por todos os crimes de que era acusado no julgamento do homicídio do George Floyd, e pedem agora novas medidas que assegurem igualdade para os afro-americanos.  

Através das redes sociais, a influente Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor (NAACP) afirmou que “a justiça prevaleceu” no caso de George Floyd, mas que “o trabalho não está feito”, passando agora pela reforma da própria Polícia.

No mesmo sentido, o ex-Presidente Barack Obama saudou a condenação de Chauvin, mas salientando que deve ser feito mais para que o país entenda que “os negros americanos estão a ser tratados de maneira diferente todos os dias” e que milhões vivem com medo de que seu próximo encontro com a polícia seja o último.

Em comunicado, o primeiro Presidente afro-americano do país defendeu que o veredito deve levar a medidas concretas para reduzir o preconceito racial no sistema de justiça criminal e redobrar os esforços para expandir as oportunidades económicas nas comunidades marginalizadas.

Também a presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, afirmou que o nome de George Floyd se tornou “sinónimo de justiça, dignidade e civilidade”, mas que o seu caso “será um episódio” se não for seguido de mudanças legislativas.

Chauvin – que na sala de tribunal do condado de Hennepin na cidade de Minneapolis ouviu impassível a palavra “culpado” ser pronunciada por três vezes na deliberação dos jurados para os crimes de homicídio em segundo grau, homicídio em terceiro grau e homicídio por negligência – foi levado sob custódia policial, algemado, depois de fazer uma ligeira vénia na direção do juiz.

A pena a que Chauvin irá ser condenado será determinada em sentença judicial, a agendar pelo tribunal do condado de Hennepin, na cidade de Minneapolis.

O crime de homicídio em segundo grau é punível com até 40 anos de prisão, homicídio em terceiro grau com pena máxima de 25 anos, e homicídio por negligência com pena de prisão de até 10 anos.

Através da rede social Twitter, Ben Crump, advogado da família Floyd, afirmou que esta “finalmente obteve justiça, dolorosamente conquistada”.

“Justiça para a América Negra é justiça para toda a América!”, escreveu logo depois de conhecido o veredito em Minneapolis.

A ex-candidata presidencial democrata Hillary Clinton afirmou através das redes sociais que “a família e a comunidade de George Floyd mereciam que seu assassino fosse responsabilizado” e que agora o conseguiram.

“Sempre e para sempre, as vidas dos negros contam”, escreveu Clinton, fazendo eco do slogan que se popularizou nos protestos que varreram os Estados Unidos no verão de 2020.

As imagens da detenção de Floyd em maio do ano passado, com Chauvin a pressionar o pescoço por mais de nove minutos, apesar de o detido gritar “não consigo respirar”, causaram motins em todo o país, com a vítima a tornar-se símbolo da violência policial contra os afro-americanos.  

O senador independente Bernie Sanders, também ex-candidato presidencial à nomeação pelo Partido Democrata, sublinhou que “há muito trabalho que precisa ser feito” para que a comunidade afro-americana não seja discriminada pela polícia. 

Do Partido Democrata, o governador de Minnesota, Tim Waltz, defendeu que a “verdadeira justiça para George só vem com uma mudança real e sistémica” para evitar que estes casos se repitam.

“E a trágica morte do (também jovem afro-americano do Estado do Minnesota) Daunte Wright esta semana serve como uma recordação dolorosa de que ainda temos muito mais trabalho a fazer para chegar lá”, disse Waltz.

Também no Partido Republicano o veredito suscitou bom acolhimento, com o senador Tim Scott a ver “uma confiança renovada na integridade do sistema de justiça”, e o senador Mitt Romney a declarar “confiança na Justiça” e “esperança de que a temperatura baixe um pouco” no país. 

O veredito teve também eco no Reino Unido, de onde o primeiro-ministro Boris Johnson enviou congratulações pelo epílogo do caso de George Floyd, que era “motivo de preocupação” pessoal.

As reações estenderam-se ainda ao mundo das artes, com a atriz Viola Davis, galardoada com um Óscar, a congratular-se através das redes sociais por “agora podermos dar um suspiro coletivo de alívio porque a decisão certa foi alcançada e a justiça foi feita”.

No mundo do desporto, o veredito de culpa foi saudado pelo ex-pugilista Mike Tyson, o ex-basquetebolista Magic Johnson, entre muitos outros. 

Já a tenista afro-americana Naomi Osaka disse ter-se retraído de comemorar um suspiro de alívio, mas que foi invadida pela “tristeza”, por “ocorrerem tantas injustiças de fazer prender a respiração”.

Também na rede social Twitter, o campeão mundial de Fórmula 1, Lewis Hamilton disse ter sido “a primeira vez que um polícia branco foi condenado pela morte de um afro-americano”.

Isto é grandioso. A morte de George não foi em vão”, escreveu ainda.

Casa Branca exige que Congresso aprove reformas de práticas policiais após veredito no caso George Floyd

O Presidente dos Estados Unidos exigiu hoje que o Congresso aprove reformas relativas às práticas policiais para fazer justiça ao legado do afro-americano George Floyd, depois de o ex-polícia Derek Chauvin ter sido considerado culpado da sua morte.

Em declarações feitas na Casa Branca, Joe Biden descreveu o veredicto como “um passo gigantesco em direção à justiça”, mas sublinhou que a condenação anunciada na segunda-feira pelos jurados do julgamento “não é suficiente” para apagar “a mancha” de “racismo sistémico” nos Estados Unidos.

“O veredicto de culpado não vai trazer George [Floyd] de volta”, disse, defendendo, no entanto, que a decisão pode constituir o momento para avançar com “mudanças significativas”.

Apelando à união do país, o Presidente elogiou os polícias que testemunharam no julgamento, em vez de cerrar fileiras e ficarem calados.

O veredicto, considerou, envia uma mensagem forte, mas a reforma do sistema não pode parar e é importante garantir que nem negros nem pessoas de outras cores “temem a interação com as autoridades policiais”.

A vice-presidente, Kamala Harris – a primeira negra no cargo -, também defendeu a necessidade de o país reformar o sistema de justiça criminal, sublinhando igualmente

“Uma medida de justiça não é o mesmo que justiça igual” para todos, disse.

Num discurso feito antes das declarações de Joe Biden, Kamala Harris considerou que há “muito a fazer” para combater a “injustiça racial”, que é “um problema de todos os norte-americanos” e não só dos negros, dos latinos ou das pessoas com origens asiáticas ou indígenas.

“Todos nós fazemos parte do legado de George Floyd. E o nosso trabalho agora é honrar esse legado, homenageá-lo”, afirmou.

Harris enfatizou que os Estados Unidos têm “uma longa história de racismo sistémico”, defendendo que esso “impede o país de cumprir a sua promessa de liberdade e justiça para todos”.

Os dois responsáveis da Casa Branca já tinham transmitido, numa chamada telefónica feita à família de George Floyd, que a condenação foi “importante” e “incrível” e que vai trazer mudanças no mundo e na justiça.

Apesar de reconhecer que nada vai mudar o que aconteceu ou curar o sofrimento, Joe Biden considerou que “pelo menos há alguma justiça” e que o mundo “começa a mudar agora”.

“Vamos fazer muito mais” para abordar o racismo sistémico nos EUA, disse Joe Biden, acentuando cada palavra.

O júri do julgamento do ex-polícia acusado de matar o afro-americano George Floyd considerou, por unanimidade, o ex-polícia Derek Chauvin culpado de todas as acusações de homicídio do afro-americano George Floyd.

Chauvin foi acusado de assassínio em segundo grau, punível com até 40 anos de prisão; homicídio em terceiro grau, com pena máxima de 25 anos, e homicídio em segundo grau, com pena de prisão de até 10 anos.

Como não tem antecedentes criminais, Chauvin só poderá ser condenado a um máximo de 12 anos e meio de prisão por cada uma das duas primeiras acusações e a quatro anos de prisão pela terceira.

Chauvin declarou-se inocente de todas as acusações.

A morte de George Floyd, aos 46 anos, aconteceu em 25 de maio de 2020, na sequência da sua detenção pela polícia de Minneapolis por suspeita de tentar pagar a conta do supermercado com uma nota falsa de 20 dólares (cerca de 16 euros).

A morte foi filmada em vídeo por transeuntes e divulgada nas redes sociais, sendo que o vídeo mostra Floyd a ser retirado do carro onde seguia sem resistir à polícia e Derek Chauvin a colocar o joelho no pescoço de Floyd e a pressionar durante quase nove minutos. No vídeo é possível ouvir-se Floyd a dizer ao polícia que não consegue respirar, acabando por morrer.

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