Eucaliptais e a problemática dos peixes não nativos do Tejo debatidos em Escola de Abrantes

Em Ambiente/Educação

Professores da Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Santarém estiveram no Agrupamento de Escolas n.º 2 de Abrantes, na Escola Manuel Fernandes, na quinta-feira, dia 28 de Abril, para falar a alunos do 12.º ano sobre boas práticas florestais em eucaliptais e sobre os impactos ambientais dos peixes predadores não nativos do Rio Tejo.

Biodiversidade em eucaliptais: uma miragem?

O Professor João Oliveira falou da necessidade de articular a produção de bens e serviços «com a sustentabilidade dos ecossistemas», nomeadamente em florestas de produção dominadas por espécies não nativas de crescimento rápido (como o eucalipto), o que «representa um dos desafios da floresta nacional». Explicou o professor que a aplicação de “boas práticas de gestão e exploração florestal” é importante para “mitigar os problemas”, dando conta de que existem estudos que comprovam que as áreas onde são aplicadas as “boas práticas florestais” podem ter uma fauna aquática similar às zonas mais “naturais” e com menor intervenção do homem. Assim, no caso dos eucaliptais, nas explorações com certificação florestal, a biodiversidade pode manter-se elevada.

A problemática das espécies exóticas: Peixes predadores não nativos do Rio Tejo.

Ao Professor João Gago coube o tema da ictiofauna fluvial do rio Tejo, abordando os vários fatores de ameaça sobre estes recursos naturais renováveis desde a poluição, a extração de inertes e captações de água até à quebra da conectividade longitudinal dos cursos de água, por via da instalação de barragens e açudes, e à introdução de espécies exóticas. No que diz respeito a este último factor de ameaça é de salientar a crescente taxa de entrada de espécies de peixes oriundas de outras regiões que, maioritariamente por ação humana, têm chegado aos nossos rios. No caso particular do rio Tejo é de enfatizar o impacto predatório de 2 espécies introduzidas – o lucioperca, Sander lucioperca; e o peixe-gato-europeu, Silurus glanissobre as espécies nativas, algumas das quais com elevado valor comercial como seja o caso das espécies migradoras. No Tejo, explicou também, há cerca de 15 espécies não nativas que estão a desequilibrar este ecossistema fluvial, sendo essencial controlar as suas populações e evitar a introdução de novas espécies. A educação e a sensibilização ambiental sobre a importância, o valor e a biodiversidade nativa dos nossos rios. É uma ferramenta que deverá ser privilegiada.

Notas bio

O Prof. João Oliveira, Doutorado em Engenharia Florestal, tem colaborado com o setor florestal no sentido da aplicação de boas práticas ambientais durante a exploração silvícola.

O Prof. João Gago, Doutorado em Biologia, tem colaborado no desenvolvimento de estudos sobre a introdução, dispersão e impacto ambiental de espécies de peixes fluviais não nativas.

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