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Literacia para uma boa automedicação

Em Saúde

Convém recordar que literacia em saúde é a capacidade para ler, compreender e lidar com informação de saúde, capacidade em relação à qual é importante ter em conta que há desigualdades de oportunidades em relação à comunicação em saúde. Neste aspeto, pensa-se acima de tudo nas pessoas com baixo nível educacional. O que nos remete para o conceito de baixa literacia em saúde, que é hoje um dos desafios a que temos que dar resposta para que haja ganhos de saúde e vidas com mais qualidade. As pessoas com baixa literacia têm dificuldade em compreender qual é o seu estado de saúde e quais são as necessidades de mudança de comportamentos. É sobretudo a pensar nessas pessoas que são escritas estas reflexões.

Falemos, a título exemplificativo, da dor, algo que significa que o nosso organismo não está bem, por isso dá sinais. É do senso comum que a dor tem um caráter subjetivo, cada pessoa pode interpretar a mesma dor de uma forma diferente. Estamos a falar de dores ligeiras a moderadas, e de curta duração, para as quais estão disponíveis medicamentos que não são sujeitos a prescrição médica. O que melhora as dores do nosso vizinho pode ser veneno para o que nos atormenta, sejam dores de cabeça, dor de costas ou até do reumatismo. Não se pode tomar medicamentos à toa. Uma dor gástrica não pode ser tratada com analgésicos ou anti-inflamatórios dado que alguns dos princípios ativos são em muitos casos agressivos para o estômago. No caso de uma cólica intestinal poderá ter que se recorrer a um medicamento específico para alívio de espasmos, mas se esta cólica está relacionada com uma prisão de ventre ou uma diarreia o tratamento deverá orientar-se para cada uma destas situações.

Na farmácia, o doente deve ir preparado para responder a perguntas que são pertinentes: localização exata da dor; intensidade; se é ou não incapacitante (isto é, se reduz, e como, as capacidades motoras ou outras); há quanto tempo surgiu; se é de caráter contínuo ou intermitente; se associa o seu início a um determinado fator (traumatismo, erros de postura…).

O doente deverá ainda informar o farmacêutico se já tentou fazer um outro tratamento e quais os resultados obtidos. Igualmente não deverá esquecer-se de informar sobre outras doenças que tenha e que tratamento faz, se tem predisposição para alergias (aspeto que é muito importante no caso dos anti-inflamatórios). Só assim é que o farmacêutico fica disponível para identificar se a dor de que o doente sofre pode ser tratada sem consulta médica ou se o deve aconselhar a dirigir-se prontamente ao seu médico.

Temos, pois, diferentes dores. Falemos só de duas situações: ouvidos e dores musculares e articulares. A dor de ouvidos não deve ser aliviada mediante a aplicação de gotas, mas sim analgésicos tomados por via oral. Nas dores musculares e articulares, estas podem surgir por excesso de esforço, mas também por traumatismos a nível dos ossos, tendões ou músculos. Pode-se aliviar a dor com medicamentos com ação analgésica em creme, pomada, spray ou emplastro. Os anti-inflamatórios de aplicação local são providos de boa atividade analgésica. São de escolher os medicamentos que possuam só um princípio ativo (aqui o aconselhamento farmacêutico é precioso, até porque há cuidados específicos a ter com estes medicamentos). Não tome à toa analgésicos sem receita médica, há limitações, há intolerâncias e há que conhecer bem o intervalo entre as doses e a duração do tratamento. Fale sempre com o seu farmacêutico. E sempre que estiver com o seu médico de família procure inteirá-lo de todos os seus procedimentos em automedicação, ele tem a competência necessária para o alertar do que é devido ou indevido.

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