Dia Mundial da Língua Portuguesa assinala-se hoje em 44 países

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As comemorações do Dia Mundial da Língua Portuguesa, que se assinala hoje, decorrem em 44 países, com mais de 150 atividades, em formato misto, presencial e virtual, devido à pandemia de covid-19.

Proclamado em 2019 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), este é o segundo ano em que se celebra o Dia Mundial da Língua Portuguesa.

imagem alusiva às comemorações

O programa, coordenado pelo Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, contempla iniciativas que decorrerão em todas as regiões do mundo e abrangem as dimensões geográfica, da investigação, de tradução, da ligação a outras artes e de mobilização das populações.

A agenda inclui conferências, colóquios, concertos, concursos literários e de poesia e iniciativas académicas.

A data é marcada com uma sessão solene, em Lisboa, com a participação do chefe da diplomacia portuguesa, Augusto Santos Silva, e do secretário executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Francisco Ribeiro Telles.

Durante esta sessão, serão transmitidas mensagens em vídeo do secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, do Presidente de Cabo Verde Jorge Carlos Fonseca – atualmente presidente em exercício da CPLP – e do chefe de Estado português, Marcelo Rebelo de Sousa.

Está ainda prevista a entrega do Prémio de Literatura dstangola/Camões ao escritor angolano Pepetela, distinguido pela sua mais recente obra “Sua Excelência, de Corpo Presente”.

Marcelo enaltece o português como língua de solidariedade com “múltiplos sotaques”

O Presidente da República enalteceu hoje a língua portuguesa considerando que é propícia à expressão da solidariedade e que é uma língua de acolhimento, com “múltiplos sotaques e variantes, todos de igual valor”.

Esta mensagem de Marcelo Rebelo de Sousa, previamente gravada em vídeo foi hoje transmitida numa sessão comemorativa do Dia Mundial da Língua Portuguesa promovida pelo Instituto Camões e divulgada nas redes sociais daquela entidade.

“Por que motivo sentimos um orgulho e um gosto tão especial quando falamos ou quando escrevemos sobre língua portuguesa? Os motivos são muitos e variados. Partilhamos a nossa língua com mais de 260 milhões de falantes, cidadãos dos vários países em que o português é língua oficial e é língua materna, usada todos os dias para escrever, falar, trabalhar, expressar dúvidas, emoções e anseios”, começa por afirmar o chefe de Estado.

Marcelo Rebelo de Sousa realça a importância do português como “forte elo de ligação entre povos e entre países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), por ser uma língua global, uma língua de vários continentes, com múltiplos sotaques e variantes, todos de igual valor”.

“O português é uma língua propícia à expressão da solidariedade, da amizade, do amor, desde sempre, da troca de ideias, do debate. É uma língua de acolhimento, em que damos as boas-vindas a quem nos visita ou procura o nosso país para viver ou trabalhar. Uma língua de tempos bons e tempos maus”, defende.

No plano literário, descreve o português como “uma língua rica e generosa, que ao longo dos séculos se ofereceu aos criadores, poetas, romancistas, ensaístas, dramaturgos”.

O Presidente da República elogia a “riquíssima literatura em português” de que hoje se pode desfrutar, “obra de tantos e tantas autores”, e destaca as mulheres “autoras angolanas, brasileiras, cabo-verdianas, guineenses, goesas, macaenses, moçambicanas, são-tomenses, timorenses, portuguesas”.

“Partilhamos uma língua de descoberta, uma língua de futuro, presente em todas as atividades, da economia à política, da arte à ciência, uma língua de ensino e de aprendizagem, de convívio em família, entre amigos de todas as idades, em todas as circunstâncias”, acrescenta.

O chefe de Estado termina esta curta intervenção, de dois minutos e meio, gravada na varanda do Palácio de Belém, em Lisboa, referindo que estes são “tempos de pandemia” de covid-19 e nesse contexto despede-se com “palavras de confiança na ciência, palavras de ânimo e de coragem, acompanhadas por um fraterno e afetuoso abraço, em português”.

Em 2019, a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) proclamou o dia 05 de maio como Dia Mundial da Língua Portuguesa, decisão que na altura Marcelo Rebelo de Sousa saudou, declarando que significava “o reconhecimento de uma grande língua no mundo, uma das maiores línguas do mundo”.

O português é falado por mais de 260 milhões de pessoas em cinco continentes e, segundo estimativas das Nações Unidas, esse número irá crescer para quase 400 milhões em 2050 e para mais de 500 milhões em 2100.

MNE português destaca língua portuguesa como “arco-íris onde todas as cores cabem”

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Augusto Santos Silva, destacou hoje o português como uma “língua arco-íris onde todas as cores cabem”, defendendo o reforço preservação do idioma com projetos concretos.

Presente na cerimónia oficial de celebração do Dia Mundial da Língua, que decorreu hoje em Lisboa, o ministro salientou a importância do português como língua que une vários países, num património cultural e económico partilhado, e que deve ser protegida e valorizada na área da literatura, estudo linguístico, ensino e promoção das artes.

“O Dia Mundial da Língua portuguesa é um dia de celebração da nossa língua”, mas também um momento de “consciencialização sobre o valor” do idioma, “pertença de um património comum”, afirmou Santos Silva.

Hoje, o português é hoje uma “língua pluricêntrica” que é “de todos e que pertence a todos sem nenhuma hierarquia nem nenhuma hierarquia nem nenhuma precedência” e que é “hoje bem da humanidade”.

No seu discurso, o governante destacou vários projetos ligados à preservação da língua, entre os quais o programa de financiamento à tradução de obras de língua portuguesa para língua estrangeira que, no ano passado – primeira edição -, “apoiou 152 projetos editoriais de 110 editoras em 44 países”.

Na sessão de hoje, é também apresentado o primeiro dicionário do português de Moçambique, dirigido por Inês Machungo, da universidade Eduardo Mondlane, um projeto “a todos os títulos emblemático”, porque é a primeira obra do género fora de Portugal e do Brasil.

Trata-se do “primeiro dicionário atento às variedades africanas da língua portuguesa”, afirmou.

O Dia Mundial da Língua Portuguesa, instituído pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) em 2019, assinala-se hoje e as celebrações decorrem em 44 países, com mais de 150 atividades, em formato misto, presencial e virtual, devido à pandemia de covid-19.

O português é falado por mais de 260 milhões de pessoas nos cinco continentes, estimando-se que, em 2050, esse número cresça para quase 400 milhões e, em 2100, para mais de 500 milhões, segundo estimativas das Nações Unidas.

Globalmente, 3,7% da população mundial fala português, que é língua oficial dos nove países membros da Comunidade dos Países (CPLP) e em Macau.

Em conjunto, as economias lusófonas valem cerca de 2.700 milhões de euros, o que faria deste grupo a sexta maior economia do mundo, se se tratasse de um país, de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Os países de língua portuguesa representam 3,6% da riqueza mundial.

O português é também língua oficial ou de trabalho de cerca de 20 organizações internacionais.

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