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Mais de 707 mil famílias não pagaram os seus créditos

Em Empresas

Apesar das moratórias de crédito terem permitido uma “pausa” no pagamento de prestações, 707.535 famílias entraram em incumprimento. Nestes casos, é possível que se procure por um crédito fácil. Porém, o Banco de Portugal alerta para que sejam evitados casos de fraude.

Durante 2020, muitos foram os efeitos sentidos nas finanças das famílias portuguesas devido à pandemia da Covid-19. Segundo o Banco de Portugal, as entidades financeiras e bancos registaram ao longo do ano passado 707.535 novos processos PERSI (Procedimento Extrajudicial de Regularização de Situações de Incumprimento). Estes dados foram revelados esta segunda-feira pelo Relatório de Supervisão Comportamental do regulador e mencionam que o montante total ascende a praticamente 3 mil milhões de euros em falta de pagamento.

O PERSI é uma medida de apoio que é acionada pelos próprios clientes quando estes sentem que não conseguem avançar com o pagamento das prestações dos seus empréstimos, sendo que a resposta e posterior ajuda da instituição nestes casos é um direito dos clientes. Este procedimento tem o objetivo de facilitar a obtenção de um acordo com as instituições de crédito para regularizar tais situações de incumprimento, evitando o recurso aos tribunais.

“Foram iniciados 652.565 processos PERSI no âmbito do crédito aos consumidores, correspondendo a um aumento de 13% no primeiro semestre e a uma redução de 6% no segundo semestre comparativamente aos períodos homólogos de 2019″, aponta o relatório.

“No âmbito do crédito à habitação e hipotecário, foram iniciados 54.970 processos, menos 23,1% do que em 2019. Estes processos corresponderam a montantes totais em dívida de, respetivamente, 1144,2 e 1846,6 milhões de euros. Ao longo do ano, foram concluídos 636.981 processos PERSI relativos a contratos de crédito aos consumidores, dos quais 42,3% foram encerrados com regularização do incumprimento. No crédito à habitação, foram finalizados 56.393 processos, 68,7% com regularização do incumprimento”, pode-se ler no relatório.

Estes processos ocorreram apesar das moratórias decretadas pelo governo, que foram uma das soluções para evitar acumular dívidas. Esta medida permite o adiamento temporário do pagamento das prestações do crédito. Porém, o período para particulares e empresas aderirem ao regime das moratórias bancárias terminou a 31 de março deste ano.

Para quem já estava a beneficiar destas moratórias, e no caso da moratória pública, os juros começaram a ser pagos a partir de abril e o capital em outubro, com exceção das empresas de setores mais impactados pela pandemia. Já os particulares beneficiam de moratória total de crédito e juros até final de setembro.

De acordo com o mesmo documento, pode-se constatar ainda que houve um aumento de reclamações dos clientes bancários. No total, foram feitas 1.895 queixas relacionadas precisamente com problemas relacionados com as moratórias. Entre 2019 e 2020, o aumento do número de queixas foi de 8,6%, num total de 19.660.

É possível pedir um empréstimo encontrando-se nestas condições?

De acordo com o Inquérito aos Bancos sobre o Mercado de Crédito do Banco de Portugal, a procura de créditos registou um “ligeiro aumento” no primeiro trimeste de 2021 e a previsão é que essa procura continue a aumentar entre abril e junho. Mesmo assim, existem requisitos para se conseguir pedir um empréstimo, principalmente quando já se está em situação de incumprimento.

Para se conseguir pedir um empréstimo é sempre necessário que as entidades vejam que o possível cliente dá a garantia de que vai realizar sempre os seus pagamentos no momento certo. Ora, se alguém está já com incumprimentos, será muito pouco provável que o pedido seja aprovado.

Assim, é crucial que seja apresentada uma situação financeira regularizada no momento do pedido de crédito. Isto é, não ter dívidas pendentes, ter um comprovativo de rendimentos periódicos e apresentar alguma folga no orçamento mensal para uma nova despesa.

Mesmo assim, ofertas de crédito fácil estão cada vez mais presentes na internet, dando a falsa ilusão de que é possível ter um empréstimo aprovado sem reunir esses requisitos. O próprio regulador alerta para a concessão de crédito fácil, muitas vezes encontrada através das redes sociais. Para se seguir com processos de empréstimos urgentes, é necessário que o pedido seja feito junto de instituições e intermediários de crédito autorizados pelo Banco de Portugal.

Para se verificar quais as entidades seguras, basta aceder a esta lista fornecida pela entidade reguladora. Além disso, antes de ser feito o pedido de crédito, o Banco de Portugal recomenda que se analise regularmente o Mapa de Responsabilidades de Crédito. Este documento pode ser acedido por todas as pessoas de forma gratuita e apresenta quais os créditos feitos, quais deles estão ativos, quanto falta reembolsar e, caso existam, dívidas no pagamento das prestações. Assim, existirá um maior controle de como os créditos afetam o orçamento de cada um e quais os próximos pagamentos a ganharem prioridade.

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