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Grandes nomes da literatura de crime e mistério (7): Samuel Dashiell Hammett

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Samuel Dashiell Hammett (EUA –1894 (Saint-Mary, Maryland) – 1961 (Nova Iorque))

Quando a família de Hammett (tem ele seis anos) se muda para Baltimore, vai viver a pouca distância da casa onde vivera Edgar Allan Poe.

Premonição de um destino trágico; de uma obra que era tudo menos “bempensante”; de apaixonada procura de coerência ética que nunca conseguiram (um e outro) obter. E que os marcarão e serão comuns à orientação trágica de ambas as vidas.

Como tinha sido apanágio de Edgar Allan Poe, também Hammett será inovador, o melhor: de todos os que, como ele, fazem penetrar o romance social no policial; dentre os que usam um novo estilo; dentre os pais do black mask.

A força (espantosa) do estilo de Hammett (período 1927-1930) retira a sua eficácia da sua claridade e concisão, da precisão com que descreve uma pessoa ou uma cidade (num parágrafo), da sua insuperável lucidez analítica do mundo que o rodeia.

Hammett, o Guilherme o Taciturno, do “hard-boiled” americano…

A sua linguagem parte de uma descrição de factos, em linguagem popular, coloquial, de rua. Para, em poucas palavras, atingir o essencial. A eficiente adequação do estilo de Hammett à sua ideologia de esquerda, retira toda a sua eficácia da economia de meios, da sua luminosa precisão ao dissecar castas, cidades ou criminosos.

Comunica, bem como muito poucos, a violência e a falta de escrúpulos de um mundo sem piedade, através da visão (sem ilusões ou amanhãs que cantam) de anti-heróis, lúcidos e atentos, que se não fiam nas aparências e sabem que o mundo capitalista não dá baldas. Nem almoços grátis.

Melhor que Daly, Chandler, Ross Macdonald ou James Cain, Hammett reinventa a literatura policial (o romance negro, o “Black Mask” dos “pulps”) na qual, mais alto do que a solução ritualista do mistério, interessa descobrir as motivações e a psicologia das personagens, antes e depois do crime, saber porque aconteceu o que aconteceu, evitando (mas nem sempre) que aconteça de novo.

O que interessa é retratar a podridão moral da sociedade urbana de entre-duas-guerras. Da polícia e juízes, aos gangs e políticos organizados em carteis de interesses comuns, dos lobos solitários, dos hired killer, ao pequeno pobre diabo do crime de miséria. Quanto aos episódios da ação (e tragédia) recorria-se a tudo: violência brutal, assassinato, manipulação, mentira, lei de talião, justiça selvagem.

É isto “Glass Key”; é isto “The Maltese Falcon”. É isto “Poisonville“.

Mas pode-se ir aprofundando mais a sua obra e, pouco a pouco, começamos a maravilhar-nos.

Red Harvest” pode ser um melodrama marxista, com toques ao estilo de Dreiser.

Nesta, o paroxismo da podridão define, em microcosmo, um decalque autêntico, tanto nas estruturas como nos detalhes do quotidiano, o que ele entende ser a “sociedade capitalista”. as organizações criminais, de início parasitas da sociedade onde nasceram (e da qual dependem para prosperar), acabam por a gangrenar totalmente, parasitando-a nos centros de poder e acabando por a dominar inteiramente, sem que o cidadão comum se aperceba sequer da mudança.

A sua descrição inicial da cidade de Personville, chamada “Poisonville” pelos seus habitantes, onde atuará, qual arcanjo vingador, o bojudo OP, começa assim: “O primeiro chui que encontrei tinha uma barba de oito dias. O segundo vestia um uniforme em estado deplorável, ao qual faltavam dois botões. O terceiro, bem instalado no principal cruzamento da “baixa”, cruzamento entre Broadway Street e Union, dirigia o trânsito, com um charuto aceso nos beiços. A partir daqui, deixei de os passar em revista”.

Não é preciso mais. Há conferências de Paz entre os sátrapas do crime organizado, pois assassinos ou bootleggers, todos são pessoas sensatas, razoáveis, que sabem que nem sempre se pode fazer o que se quereria (matar à bomba ou a tiro, sem estados de alma, um rival de negociatas) e que os compromissos são, por vezes, indispensáveis.

O velho Elihu presidia. Sob a crua luz eléctrica, os seus cabelos cortados curtos, luziam como prata no seu crânio redondo e rosado. Os seus olhos azuis, globulosos, sob as espessas sobrancelhas de arame farpado, eram agressivos e dominadores. A sua boca, o seu queixo, traçavam dois riscos paralelos. À sua direita, Pete, o finlandês, vigiava toda a assembleia com um olhar fixo, negro e brilhante. Reno Starkey estava sentado ao lado do bootlegger e o seu faciés cavalar e bronzeado era tão inexpressivo como o seu olhar baço”.

Em “The Dain Curse” (1929), em mudança rápida de alvo, dá-nos um romance de consonância gótica, um romance negro que prefigura (com muita coragem na época) as taras, os traumas e recalcamentos sexuais, que Freud tão bem analisará, das quais será vítima a pobre Gabrielle Leggett e é dos primeiros a denunciar, nos EUA, as manipulações e o carácter nefasto das seitas que lá são mais do que piolhos…

No “Maltese Falcon”, finalmente, oferece-nos uma tragédia memorável, de melodia grega. Que resume Sam Spade, o detetive privado que o protagoniza, numa frase: “Os homens morrem por acaso. E não vivem senão porque esse acaso os poupou”.

Para Spade (que só aparece em mais duas novelas longas, “They Only Hang You Once” e “A Man Called Spade”, ambas de 1932), face à irracionalidade do mundo, ao seu caos, o homem só pode reagir também irracionalmente, fiando-se na sua fada madrinha. Para deslindar o porquê dos crimes que enfrenta prefere lançar uma chave inglesa para o meio dos rodízios da máquina em funcionamento e ver o que dá. A menos que tenha que recomeçar, uma e outra vez.

Não que Spade não recorra sempre à razão, permanecendo fiel à sua ética e aos seus princípios. Esta e estes são-lhe como que a única âncora, face à anarquia da sociedade americana, à desordem da vida, ao absurdo da existência, à maldade dos seres humanos.

E, acima de tudo, sabe que não deve confiar em ninguém.

Absolutamente em ninguém.

A ave de ouro e diamantes, oferta do Imperador Carlos V à Ordem Soberana dos Cavaleiros Hospitalários de S. João de Jerusalém, Rodes e Malta (Grão-Mestre Jean D’Homèdes, 1536-1553), pela ajuda que lhe prestaram, na captura de Túnis e expulsão de Barberousse, o pirata, é, como se compreende, um mero símbolo.

Face a um mundo doente de cobiça (Brigid O’Shaugnessy, Joel Cairo, Casper Gutman, Floyd Thursby), Spade reage, prescindindo do direito de saber se é amado e sabendo muito bem que ama (a Brigid).    

Sam opta por capitular face a um mundo sem moral, sem ilusões, onde só conta a sobrevivência, onde não há inocentes, mas apenas culpados potenciais.

Entregando Brigid à polícia, como assassina do seu sócio, Miles Archer, dá o que resta (já muito pouco) de idealismo, de crença no Bem, em nome de, mais uma vez, neste mundo cão, “não se deixar levar” (como bode expiatório).

O que sabe muito bem que pode não ser verdade…

Esta parábola sobre a pesquisa de um Antigraal, com um argumento e um estilo apaixonantes, opõe um homem que irá perder as suas últimas ilusões, a um bando de coiotes ávidos, também sem ilusões.

Todos são indignos.

Não admira, pois, que o desejado “Falcão de Malta” acabe por se revelar, por igual, uma grosseira falsificação…

Dentro de uma parábola, outra parábola, contada por Spade a Brigid, para lhe explicar a sua filosofia de vida.

A sua investigação da desaparição de um tal Flitcraft (demasiado extensa para referir aqui) é uma obra prima de literatura.

Que termina com o desaparecido Flitcraft (que escapou, por mero acaso, ao passar na rua, a um acidente de construção, em que quase morreu) lhe diz: “Foi como se alguém abrisse o tampo da Vida, para me mostrar os rodízios da máquina”.

The Glass Key”, por seu lado, para analisar brevemente o melhor da curta obra de Hammett, dá-nos, nas palavras de J. B. Priestley, “um romance magistral sobre a violência urbana e a corrupção política, na era do gangsterismo organizado”.

Tragédia (que o é, sem dúvida), toda baseada em compreensão dos comportamentos das personagens e em understatements dos diálogos.

Ingenuamente, o nosso dramaturgo inglês não imaginava que santo bondoso teria sido Al Capone, no mundo atual, com o que se passa à nossa volta de corrupção política, homicídios encomendados e violência permanente…

Hammett, que também aborda o tema em “Death on Pine Street” e “Red Harvest”, atinge, neste drama, que se opõe ao de Personville, acima referido, (agora estamos em Baltimore), um clima de tragédia digno do “Falcão de Malta”.

Aqui, os gangsters já estão constituídos em cartel, compraram e têm segura a polícia, a imprensa e os tribunais.

O seu objectivo é, agora, a presidência da Câmara e, a seguir, a do Estado.

Sky is the limit”.

A cidade é em aparência, muito diferente.

Os polícias barbeiam-se todos os dias, usam uniformes engomados e tratam bem os turistas.

E perseguem o crime. Ai dos independentes e ratoneiros reles!

Os magistrados e as marionnettes políticas conservam as boas maneiras e os gangs são patrocinadores culturais decisivos.

E hábeis manipuladores de personalidades.

As personagens da tragédia (porque o é) Paul Madvig, Janet Henry e seu pai, um Senador corrupto, Ned Beaumont, o jovem Taylor, que alguém matou, são símbolos do mundo que Hammett coloca no pelourinho. De forma implacável.

Em “Chauchemarville” (1924), o Hammett’s Touch que só ele tem, atinge a perfeição, criando uma cidade (Izzard) de fachada, onde todos são criminosos, para burlarem as seguradoras…

Quanto ao “Ciclo OP” (deliberadamente nunca se conhece o seu nome, mas o que faz, isso sim: bufo Operacional-Operative…) defrontamo-nos, num caleidoscópio de tramas e sensações, a um mundo meio-fantástico, meio-simbólico-esotérico: Tijuana e o chicano nos EUA; o mundo pequeno-burguês do interior dos States; a cidade de Stephania, na “Muravia” da Mitteleuropa; os dédalos de Chan Li Ching; o mundo de Carlos V; da S. Francisco, Chicago e Baltimore de gangsters e corruptos, muitos mais…

Todos estes locais (e os temas das histórias) são inquietantes e insólitos.

E curiosamente romântica, a visão do mundo que veiculam.

Mas, também, profunda, ideológica e até filosoficamente.

Daqui, que Nick Charles e a sua mulher ricaça, Nora, (“Thin Man”) sejam uma capitulação de inferior qualidade, perante os dinheiros de Hollywood (1934), as absurdas adaptações cinematográficas e sequências sem nada que as torne dignas. Como o alcoolismo que o envolve mortalmente e o aniquilará.

O casal Charles, evoluindo entre fumaças de cigarros russos e dry-martinis em bares de luxo, numa depravação de grandes burgueses nova iorquinos, inúteis, ainda que muito lúcidos, observadores e irónicos, é apenas uma forma de ganhar muito dinheiro.

Esqueçamo-los, por respeito a Hammett.

Este campónio de Maryland (aí nasceu, a 27 de maio de 1894, numa quintarola de St. Mary) nunca teve sonhos de criança-génio e na realidade nunca foi, mesmo no seu melhor, um extraordinário escritor.

Como jamais poderia ter sido um bom detective, quando trabalhou, como investigador (na realidade, repressor de grevistas no Estado de Montana, para a empresa de Nat Pinkerton), ou em Spokane (Estado de Washington), novamente na repressão de grevistas, desta vez ao serviço da Anaconda Corporation.

Tuberculoso crónico, testemunha do que o fizeram fazer, abraça ideologias de extrema-esquerda, enquanto se refugia no álcool.

Até que, em 1927, H. L. Mencken, o fundador de “Black Mask”, lhe publica a primeira das quatro partes de “Red Harvest”.

É conhecido o seu êxito galopante, a ida para New-York, primeiro (1929, abandonando a família), depois Hollywood (onde, contratado como cenarista de adaptações de obras, suas ou não, pela Paramount, em 1930, depois, pela MGM, conhece, apaixona-se e inicia a sua ligação com a célebre Lillian Hellman). Há ainda a esclarecer um mistério Hammett: porquê, aos quarenta anos, em plena onda de sucesso hollywoodesco, deixa praticamente de escrever obra nova, depois de ter apenas publicado cinco romances? Segunda versão do ainda mais talentoso Ben Hecht, como ele absorvido pela máquina perversora da indústria cinematográfica, escrevendo guiões em série e embebedando-se?

Complexo imparável, aniquilador, de autocomiseração, comparando-se desfavoravelmente (com uma obra em conjunto nada má) com William Faulkner (que odiava, mas que tivera um prémio Nobel em 1949) ou pior ainda, com os seus contemporâneos Donald Henderson Clarke e William Riley Burnett, que, ambos em 1929, tinham publicado dois dos verdadeiros grandes marcos do Black Mask clássico (“Louis Beretti” e “Little Ceasar”)? Nunca se saberá, podendo apenas navegar-se no plano das conjecturas…

É conhecida a sua ajuda aos republicanos espanhóis em 1937, assim como a sua verosímil adesão ao partido comunista (o que nunca corroborou) e ao seu sindicato de cenaristas, a “Screen Writers Guild”, a presidência, em 1940, do “Commitee on Election Rights”; a sua luta na II Guerra Mundial, apesar da idade.

Fez da caneta, um bisturi, enquanto lhe foi possível, durante toda a sua vida lúcida, para dissecar os podres da sociedade americana dos anos vinte, uma América que ainda acreditava (e tentava fazer acreditar aos mais lúcidos) nos mitos fundadores tradicionais de 1776, que tinha entretanto desviado ou deturpado da sua essência profunda e ancestral…

Denuncia (e como o fez eficazmente…), a hipocrisia da sociedade puritana de “Babbits” de “Gatsby“, do seu “American Way of Life”, que mais não são que a busca, sem freios, do Deus Todo-Poderoso Dólar….

Quando em 9 de julho de 1951, o fascismo Mccarthysta o leva à prisão, no estabelecimento penitenciário de Ashland, Kentucky, sendo preso de setembro a dezembro (como quando, de novo, em 26 de março de 1953, depõe perante a sinistra sub-Comissão do Senado, presidida por essa asquerosa criatura que foi o senador McCarthy), é já a um homem quebrado e gravemente doente que perseguem. Apenas a sua fiel companheira, Lillian Hellman lhe dá guarida, na sua casa em Nova Iorque.

A sua sombra repousa, finalmente, em 10 de janeiro de 1961.

Foi inumado no cemitério nacional de Arlington, reservado aos veteranos de guerra[1].

Carlos Macedo

Imagem do filme O Falcão da Malta, 1941, realização de John Houston, com o seguinte elenco de atores:  Humphrey Bogart, Mary Astor, Barton MacLane, Peter Lorre, Ward Bond

[1]OBRAS PUBLICADAS

  • THE BIG KNOCK OVER, 1927
  • THE RED HARVEST, 1927
  • THE DAIN CURSE, 1928
  • THE MALTESE FALCON, 1929
  • THE GLASS KEY, 1930
  • THE THIN MAN, 1932
  • SECRET AGENT X-9, 1934
  • SAM SPADE AND OTHER STORIES, 1944
  • TOO MANY HAVE LIFES
  • THEY CAN ONLY HANG YOU ONCE
  • NIGHTSHADE
  • THE ASSISTANT MURDER
  • THE JUDGE LAUGHED LAST
  • A MAN CALLED SPADE
  • HIS BROTHER’S KEEPERS
  • THE CONTINENTAL OP, 1945
  • ZIGZAGS OF TREACHER
  • FLY PAPER
  • DEATH ON PYNE STREET
  • THE FAREWELL MURDER
  • THE RETURN OF THE CONTINENTAL OP, 1945
  • THE WHOSIS KID
  • THE GUTTING OF COUFFIGNAL
  • DEATH AND COMPANY
  • ONE HOUR, THE TENTH CLUE
  • HAMMETT HOMICIDES, 1946
  • THE MAIN DEATH
  • TWO SHARP KNIVES
  • RUFFIAN’S WIFE
  • DEAD YELLOW WOMEN, 1946

INCLUI:

  • THE SCORCHED FACE
  • DEAD YELLOW WOMEN
  • CORKSCREW
  • THE GREEN ELEPHANT
  • ELEPHANT
  • NIGHTMARE TOWN, 1948
  • HOUSE DICK
  • NIGHTMARE TOWN
  • THE GOLDEN HORSESHOE
  • WHO KILLED BOB TEAL?
  • THE HAIRED ONE
  • ALBERT PASTOR AT HOME
  • THE CREEPING SIAMESE, 1950
  • THE CREEPING SIAMESE
  • THE MAN WHO KILLED DAN ODAMS
  • THE NAILS IN MR. CAYTERER
  • THE JOKE ON ELOISE MOREY
  • TOM, DICK OR HARRY
  • THIS KING BUSINESS
  • THE WOMAN IN THE DARK, 1951
  • ARSON PLUS
  • SLIPPERY FINGERS
  • THE BLACK HAT THAT WASN’T THERE
  • WOMAN IN THE DARK
  • AFRAID OF A GUN
  • HOLIDAY
  • THE MAN WHO STOOD IN THE WAY
  • A MAN NAMED THIN AND OTHER STORIES, 1962
  • A MAN NAMED THIN
  • WAGES OF CRIME
  • THE GATEWOOD CAPER
  • THE BARBER AND HIS WIFE
  • ITCHY, THE DEBONAIR
  • THE SECOND STORY
  • IN THE MORGUE
  • WHEN LUCK’S RUNNING GOOD
  • THE BIG KNOCK OVER, 1963

INCLUI:

  • THE GUTTING OF COUFFIGNAL
  • THE KING BUSINESS
  • TULIP
  • $106.000 BLOOD MONEY
  • THE HOUSE ON TURK STREET
  • THE GIRL WITH SILVER EYES

FILMOGRAFIA – VASTISSIMA. APENAS SE CITAM:

– CITY STREETS, DE REUBEN MAMOULIAN

– SATAN MEET A LADY, DE WIILIAM DIETERLE

– THE MALTESE FALCON, DE JOHN HUSTON

– THE GLASS KEY, DE STUART HEISLER

– HAMMETT, DE WIM WENDERS (BASEADO NO PASTICHE DE JOE GORES)

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